segunda-feira, outubro 30, 2006

Matéria para o Jornal do Comercio - Recife / Pernambuco / Brasil

Na próxima quarta-feira, 01/11/06, ou na quarta-feira da semana seguinte, 08/11/06, deve sair uma matéria no JC que fiz muita força para que saísse. Através de um contato por meu amigo Lúcio, consegui me comunicar com o JC e ai as coisas fluíram. Devo colocar que doce de pessoa é a Mona Lisa. Lisonjeios a parte, em um das rodadas de perguntas, o texto produzido, com muitas informações sobre a minha vinda para Angola, no que eu estou trabalhando e o que é Angola, gerou um texto muito interessante.


Vou colocar o texto abaixo e espero vê-lo no caderno de informática nesses dias. Não esqueçam de comprar eh, nem que seja para prestigiar o amigo.

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- Você disse que foi contratado para desenvolver um projeto de monitoramento e controle da Aids no país. Gostaria de saber mais detalhes sobre o projeto e a sua função nele. Qual o período previsto da sua permanência em Angola?

Estou trabalhando para Instuto Nacional de Luta contra a Sida – INLS http://www.angolainls.org/. Fui contratado como Gerente de Projetos por minha formação no MBA em gerência de projetos da FGV e por já ter trabalhado com isso ai no Brasil. Além disso acumulo função de analista de sistemas. No próximo ano devo contratar mais pessoas. A minha expectativa é que eu contrate mais duas pessoas, analistas, de Recife.

O projeto é de controle e monitoramento da Sida no país. Vou desenvolver três sistemas e 4 ou 5 projetos em um prazo aproximado de dois anos.

O primeiro sistema é de ATV – aconselhamento e testagem voluntária. Basicamente mapeia os pacientes que realizam teste de SIDA de forma voluntária. Tem como objetivo verificar o perfil das pessoas que realizam o teste e onde devem ser aplicados os recursos de prevenção. Por exemplo, ao final espera-se, com cruzamento de dados, verificar a faixa etária, bairro ou província, sexo, religião, dentre outras coisas onde as políticas de controle serão mais eficiente.

O segundo sistema é de notificação. Uma vez realizado o teste de SIDA e verificado que a pessoa está infectada, um outro mapeamento é feito. Da mesma forma espera-se fazer um planejamento dos locais mais necessitados, além de determinar a política de compra de medicamentos e contratação de médicos.

Por fim o sistema de notificação. Esse sistema permitirá consolidar os dados de todos os sistemas integrados e de todo país. Tem por finalidade acompanhar a evolução do vírus e também ajudar na política de combate a doença.

Um outro projeto que vou desenvolver após os sistemas será de implantação e treinamento dos sistemas. Vou percorrer todo o país implantando e dando treinamento, vai ser um grande desafio.

Como te disse, sou o gerente de projetos responsável pelos sistemas e infra-estrutura do instituto. A previsão é de no mínimo dois anos.


- Em que empresa/instituição você trabalhava no Recife?

Trabalhei durante 1,5 mês no TRF como terceirizado. O projecto que eu estava envolvido era para implantação de um sistema de RH e folha para toda a quinta região – todos os estados do nordeste menos Bahia. Entretanto o local onde estive antes ao TRF tem muito mais importância. Trabalhei na MV Sistemas – http://www.mv.com.br/ - nos últimos 3,5 anos. A empresa tem como negócio um sistema de gestão hospitalar, consultoria hospitalar e tecerização de faturamento. Era responsável pela equipe de faturamento de convénios para correção de erros do sistema. Nesta empresa exercia a função de analista de sistemas.

- Para qual empresa você está trabalhando aí? Ela é angolana?

Trabalho para uma empresa Angolana chamada Advance. Essa empresa foi formada a partir da necessidade da holding que controla o grupo de ter um braço de sistemas para a área hospitalar. Todas as empresas da hold são da área hospitalar.


- Quantas empresas de TI há no País?

Difícil precisar, mas o país está em pleno crescimento. Há lojas de informática com os últimos lançamentos. No final do mês haverá o primeiro congresso de informática de Angola, a minha empresa e eu iremos participar do evento. Estou negociando para palestrar nesse congresso, mas no mínimo vamos expor. Há faculdades de informática, mas muita carência de profissionais. Contudo aqui a vida é muito cara, tudo é importado, o que dificulta um pouco trazer estrangeiros.

- Por que o interesse de Angola em profissionais de TI brasileiros?

Acredito que três coisas principais fazem com que os Brasileiros sejam atractivos para os Angolanos. Primeiro a língua, português. Segundo a excelente qualificação que temos ai, os profissionais do Brasil não ficam a dever para nenhum país em termos de informática. Terceiro, o valor da mão-de-obra, em dólares, é mais barata que se comparado com outros países. Contudo há pessoas de todos os países aqui. Nessa hold há predominância de Brasileiros, contudo todas as nacionalidades como Russos, Cubanos, Europeus, Americanos, Japoneses, de países da Africa e da América latina, são fáceis de ser encontrados no país.

- De que modo a TI irá ajudar Angola a se erguer?

É difícil conceber uma empresa mesmo que pequena sem a informatização. Angola compete não com ela, mas com o mundo. Como praticamente tudo é importado, sistemas que controle as vendas, estoque, controle gerencial, financeiro, ou seja, em tudo a informática é necessário.

Além disso a venda de serviços, como mão-de-obra, tem se tornado um negócio para mundo. Um excelente caminho será Angola investir na qualificação dos seus profissionais. Como a mão obra local é barata, poderá em poucos anos exportar mão-de-obra como a Índia, China e outros países.


- De que estrutura de trabalho você dispõe aí?

A melhor possível. Melhor que a maioria das empresas do Brasil. Quando se chega aqui você recebe um notebook e um celular. Internet no trabalho e em casa. O carro a disposição e a ajuda de custo dá com sobra. Dá por exemplo para pagar todas as contas, sair a noite e ainda sobra dinheiro.

A noite aqui é legal, tem uns lugares bons para sair. Os maiores problemas são os mosquitos da malária, então as portas vivem fechadas, bem como as janelas. Dá uma olhada no meu blog para você saber um pouco sobre a estrutura de Angola, tem muita coisa que escrevi lá sobre isso – spindola.blogspot.com. Além disso praticamente não tem mulheres aqui para se conhecer. Sair na noite é com certeza, sem exagero, uns vinte homens para cada mulher. O pior é que as mulheres aqui não saem sozinhas, logo, as que tem, estão acompanhadas.


- Você tem idéia de quantos brasileiros, e recifenses especificamente, estão trabalhando aí?

Não consigo mensurar, mas são muitos. Vou dar um número. Nesses vinte dias aqui já conheci uns 100 brasileiros. Conheci ou ví. Recifences hoje acredito que uns 6.

O condomínio onde moro tem muito brasileiro. Vem tanta gente para cá que esta difícil de encontrar novos apartamentos para alugar.

- Como você avalia a experiência? Depois de encerrado o trabalho no País, quais as suas perspectivas?

A experiência vai ser muito grande, posso dizer que com certeza serei outro profissional. Tenho muita autoridade e autonomia para decidir. Estou em contato direto com a diretora do instituto e de grandes hospitais. Falo constantemente com os donos das empresas e diretores. Estou numa posição importante e tenho uma grande chance de me tornar um profissional realmente super valorizado. Tenho certeza que vai dar tudo certo e ao final, quero ir para os EUA ou algum país da Europa.

- Quais as maiores dificuldades enfrentadas no campo profissional e pessoal em Angola?

Saudade da família e cultura. A saudade da família é complicado, você vive para o trabalho. Tenho trabalhado em média 11 horas por dia incluindo finais de semana. Quero fazer bonito aqui. Praticamente só se trabalha e trabalha.

Falta luz o tempo todo e água, isso é complicado. Tem muita malária e a pobreza assusta. Ficar restrito a um grupo de pessoas também é complicado.

Culturalmente os Angolanos não gostam muito dos brancos, existe um racismo ao contrário. Isso é difícil também. Há basicamente dois tipos de pessoas que vem para cá: A primeiro para juntar dinheiro e a segunda para crescer profissionalmente. Me enquadro na segunda categoria.

Há de se colocar também que não há lojas, shopping, cinema, livraria, teatro e nada de nenhuma diversão. É só trabalho. Fazer amizades com os Brasileiros daqui e torcer para se dar bem com eles, senão vai ter que ficar só.

2 comentários:

VMeneses disse...

Tu sabe que mooooooooooooooooorro de orgulho de tu num sabe?
Pode deixar que a edição da quarta é compra garantida.:)
Tou torcendo por voce sempre.
Dessa amiga/irmã que te ama.
Bjos e saudades!!!

Anônimo disse...

Tio, muito boa essa fase da sua vida, aproveite bastante meu amigo, o seu crescimento é o meu crescimento também, desejo cada vez mais sucesso pra você e sua família.
obs: já avisei ao porteiro do meu prédio e o jornal já está pago!!!

Abraço do seu amigo Handerson