quinta-feira, dezembro 14, 2006

Racismo

Da próxima vez que alguém vier no Brasil falar qualquer asneira que remeta ao racismo ou preconceito, eu vou dar um fora tão grande que no mínimo a pessoa vai ficar constrangida. Essas pessoas com certeza não passaram por situações como as que eu passo todos os dias. Só quem é vítima de racismo sabe o quanto é ruim.

Mesmo antes de vir para Angola já não me considerava uma pessoa racista ou preconceituosa, muito pelo contrário, defendia a igualdade tanto para a cor, raça, região, sexo, idade e qualquer outro tipo de preconceito que existe. Com a experiência que estou tendo aqui, nesse país incrível, com certeza essa minha característica se acentua ainda mais. Refletindo agora acho que tenho um preconceito, sou preconceituoso com pessoas preconceituosas. Digo mais, remetendo a uma frase do meu pai que dizia: “Toda burrice será castigada”, me aproprio dessa frase para dizer, todo racista é burro.

Sou contra os pontos de vista absolutos, mas quando o assunto é preconceito sou absoluto, conforme frase que coloquei acima.

Em Angola sinto o racismo e o preconceito na pele e percebo de uma óptica que sequer imaginava como isso é humilhante, constrangedor e revoltante. Ouve uma situação, que se passou comigo. Em uma feira, um Angolano ficou insistindo para que eu comprasse na barraca dele. Eu educadamente, e sempre tem que ser assim principalmente aqui, disse que depois passava para ver as mercadorias dele. Após rodar toda a feira a última barraca que fui foi justamente a desse rapaz. Chegando lá não me agradei de nada e o rapaz que passou a feira toda me procurando e me chamando de amigo, olhou para mim e com uma cara de desprezo que não consigo descrever, disse: “Pula”.

Pula é a palavra usada pelos Angolanos para descrever o branco estrangeiro que vem para o país. É uma palavra pejorativa que seria o mesmo que chamar uma pessoa negra no Brasil de “negrinho” ou “macaco”. Eu fiquei muito chateado com isso.

Fiquei refletido o que levava uma pessoa a fazer isso. Com certeza ele perdeu o cliente, pois em outra visita à feira eu iria com certeza a barraca dele, agora, nem me pagando. Sem falar no sentido imediato da ação, não pensar que eu poderia voltar e comprar outro dia. Antes que qualquer leitor venha dizer que isso é coisa de Angolano ou uma coisa que aconteceu naquele momento, afirmo que isso não é verdade. É exatamente a mesma coisa que acontece no Brasil todos os dias, me arrisco mais, acontecem no mundo todo, todos os dias.

Outra situação foi de um amigo que foi a um supermercado. Chegando lá um militar Angolano, enquanto meu amigo estava parado no meiu de uma gôndola, olhando um produto, passou dando uma cotovelada nele. Ao olhar para traz, o meu amigo que esperava um pedido de desculpas, viu o militar olhar para ele e pronunciar um desprezível “Branco”.

Essas situações acontecem aqui todos os dias e é preciso estar preparado para isso, pois, apesar da situação ser incômoda, é preciso conviver com isso para se dar bem aqui. Tenho que alertar bem claramente, o racismo e o preconceito em Angola são muito mais fortes em comparação ao Brasil, mesmo quando comparando, no Brasil, o racismo do branco para com o negro..

Nem todo Angolano é preconceituoso, aqueles que convivemos cotidianamente não parecem ser. Mas em sua maioria o Angolano é preconceituoso.

Toda burrice será castigada. Todo racista ou pessoa preconceituosa é BURRA.

2 comentários:

Mila disse...

Oi Spin, olha eu passando por aqui... Nem preciso dizer que esse seu texto merece todas as honras, não é??? Aqui, aí ou em qualquer outro lugar do planeta o preconceito deve mesmo ser rechaçado. Beijo grande, fica com Deus.

Handerson disse...

Tio o racismo é mesmo uma m... essas pessoas deveriam saber que: No momento do aperto de mão, independentemente da cor de cada uma, a sombra que elas fazem no chão é de uma cor só.