quinta-feira, janeiro 25, 2007

Um velho sonho realizo ao trabalhar no exterior

Tenho aprendido no dia a dia o que há de bom e ruim em estar fora de casa. Afirmo que não estou arrependido, muito pelo contrário, estou satisfeito e feliz com o trabalho e tudo que essa nova etapa da minha vida tem me proporcionado. Contudo quem pensa que morar fora é um mar de rosas se engana.

Navegando pela web em um dos sites que gosto de ler, encontrei uma matéria muito pertinente e que gostaria de mostrar. Aos interessados em não apenas vir para Angola como também em morar fora do Brasil abaixo a matéria.

Trabalho no exterior: alguns cuidados poderão aumentar suas chances de sucesso

http://web.infomoney.com.br/templates/news/view.asp?path=/suasfinancas/&codigo=304918

Por: Waldeli Azevedo

23/01/07 - 10h42

InfoMoney

SÃO PAULO - Há tempos você vem sentindo que as coisas no campo profissional não acontecem como você sempre sonhou: faltam oportunidades de crescimento e você não consegue ver realização em nada do que faz.

Neste caso, sua decisão está tomada: buscará a realização dos seus sonhos no exterior. Mas...será que na prática isto funciona de verdade?

Planejamento: base da decisão

Decidir algo por impulso, sem muito planejamento, não costuma funcionar muito bem, ainda mais numa situação como esta. Se você não tem alcançado muito êxito por aqui, onde tem batalhado muito, conhece muitos lugares e pessoas e consegue se comunicar perfeitamente, o que dirá lá fora?

Justamente por este motivo, é preciso planejar. A primeira coisa a ser feita é responder a essa pergunta básica: enfim, qual a sua necessidade? Aprender um idioma, arrumar um emprego, adquirir experiência, conhecer alguém e se casar.

Emocionalmente, você está bem? Lembre-se que se você não estiver em equilíbrio, não será mudando de país que sua realidade irá melhorar. Portanto não parta para esta nova empreitada acreditando que representará a solução para todos os seus problemas. Pelo contrário, prepare-se para encarar os muitos obstáculos que surgirão.

Para onde você quer ir?

Passada a euforia da idéia e já com o seu objetivo em mente, escolha o melhor país para você realizar seu sonho. Leve em consideração os hábitos locais, a realidade sócio-econômica e que estrutura você terá por lá.

Ainda neste assunto, você precisará de um apoio profissional para estruturar sua viagem. Muito cuidado com as empresas que oferecem emprego fácil no exterior. Procure consultar outras pessoas que já passaram pela experiëncia, e opte por indicação. A chance de você se enganar reduz bastante se você agir assim.

Tenha muita cautela ao pesquisar agências pela internet. Existem várias, e ficará difícil conhecê-las pela rede, ao ponto de confiar seu futuro desta forma. Quanto mais segurança puder conquistar, melhor o resultado da realização do seu sonho.

Muitas vezes, a pessoa só percebe que foi vítima de um golpe quando já está no país de destino, e aí é tarde demais. Portanto garanta-se por aqui. No caso de conseguir mesmo um trabalho no exterior, procure apurar todas as informações possíveis sobre a empresa. Preste muita atenção a todas as especificações constantes no contrato de trabalho.

Aos interessados, o ministério das Relações Exteriores possui em seu site informações importantes para brasileiros que pretendem trabalhar no exterior.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Miguel Falabella em Angola. Alguém lá de cima ouviu as minhas preces.

É com muita felicidade que fui convidado para uma peça de teatro aqui em Angola. Além de ser um programa para o final de semana, o que é raro, ainda é um programa muito bom, não to nem acreditando. Alguém lá de cima ouviu as minhas preces.

Acredito já ter visto essa peça durante uma passagem por São Paulo. Na ocasião namorava uma menina chamada Mariana, aquele foi com certeza um dos melhores feriados da minha vida. Além da peça conheci o parque do Ibirapuera, realmente foram dias inesquecíveis.

A peça vai acontecer no espaço Chá de Caxinte, no próximo sábado, 27/01/2006, as 20:00 h. Fica perto do INLS, as vezes almoço lá.

Resenha:

A comédia teatral “O Submarino” conta a história de um casal moderno e as suas dificuldades de relacionamento.

Usando e abusando do humor, os autores traçam um quadro divertido, emocionante e mordaz sobre a impossibilidade de se manter um casamento ou de se viver sozinho numa grande cidade, no principio deste novo milénio. Esta comédia romântica é uma viagem pela vida, pelas diferentes crises da idade e paralelamente as crises que se vão vivendo numa relação a dois.

César, interpretado por Miguel Falabella, é corretor da bolsa de valores e Rita, interpretada por Teresa Guilherme, é bibliotecária. O casamento atravessa inevitáveis altos e baixos e eles contabilizam as próprias separações e os eternos reencontros. O casamento é como um submarino: Até flutua, mas foi feito para afundar . Uma frase da peça que sintetiza de uma forma brilhante o espírito desta extraordinária comédia romântica. São as farpas e as ironias sobre o casamento nos dias de hoje.

terça-feira, janeiro 23, 2007

PAC - Pacote de Aceleração do Crescimento

O assunto do dia no Brasil é o tão esperado pacote de aceleração do crescimento. Apesar de estar em Angola, a vida na terrinha é o que me chama atenção. Adoraria viver no Brasil e exportar resultado do meu trabalho, ganhar bem e morar ai. Infelizmente a realidade é que com o meu salário em Recife, que não era ruim se comparado com os dos meus amigos, mal dava para pagar as contas e eu vivia pendurado. A solução, do ponto de vista financeiro, vir para Angola. Claro que outras coisas me fizeram vir para cá, até mais importantes que a grana, cito o crescimento profissional e a realização de trabalhar fora do país, contudo bom mesmo é o Brasil. Fico na expectativa do país melhorar e em alguns anos escutar pelo mundo, “rapaz, adoraria morar no Brasil”. Bom, muitos sonhos e um olho no peixe e outro no gato.

Infelizmente não me animei muito com o que li sobre o tal pacote. Abaixo impressões coletadas de especialistas. Deixo para o leitor tirar suas próprias conclusões, pois, caso escrevesse, acabaria sendo tendencioso.

Comecei lendo a coluna do Carlos Sardenberg referente ao dia 22/01/2007.

http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7407,00.html

Em seguida achei um matéria cheia de multimídia que deixa a leitura fácil sobre o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) no site do G1 – www.g1.com.br.

http://g1.globo.com/Noticias/0,,IIF2124-5599,00.html

Mas quem arrematou mesmo foi a Cristiana Lôbo.

http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7374,00.html

O título do post dela foi “É só um computador”.

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É só um computador

No final desta segunda-feira em que só se falava no lançamento do tal Pacote de Aceleração do Crescimento -, uma amiga leu e releu as medidas anunciadas para chegar a uma conclusão:

- A única novidade que tem é para quem quer comprar um computador...

O governo anunciou a desoneração para compra de computador - tanto o de mesa como os lap tops. O preço pode cair em até 10%.

Cristiana Lôbo

http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7374,00.html

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Segunda impressão do PAC

Parece que não há dinheiro novo nos R$ 503 bilhões de investimentos anunciados pelo governo para os próximos quatro anos.

O governo recolheu todos os projetos em andamento ou apenas previstos, relacionou-os como prioritários e garantiu que não faltarão recursos para eles.

Dos 503 bilhões previstos, R$ 274 bilhões estão na área de energia. E disso, cerca de R$ 170 bilhões ficam por conta da Petrobrás – dinheiro já previsto nos planos normais da estatal. Ou seja, quase 35% de todo o programa vem de planos já em andamento da Petrobrás.

Ainda na área de energia, o governo incluiu diversas usinas hidrelétricas cujos projetos estão parados por questões ambientais e disputas na justiça. Qual a garantia de que serão liberados? Qual a garantia de que o governo conseguirá mudar as regras ambientais e a lei de licitação?

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo poderá reduzir o superávit primário de 4,25% do PIB para 3,75%. Esse superávit é a economia nas contas do governo de modo a sobrar dinheiro para pagar juros. O ministro está dizendo que o governo vai pagar menos juros e investir mais.

Tudo bem, se os juros de fato caírem na velocidade esperada pelo governo; se o país de fato crescer os 5% esperados pelo governo; e se não houver turbulências internacionais. Além disso, esse 0,5% do PIB representa, hoje, R$ 10 bilhões ao ano, o que é pouco dinheiro.

Outro problema é que o governo parece tomar a meta – crescer 5% - como garantida. E aí faz todas contas com essa meta. Por exemplo: disse que o déficit da Previdência vai ficar estável em 8% do PIB. Mas isso só vai acontecer se a economia como um todo crescer os 5%. Que não cresceu até aqui.

Outro ponto: os R$ 503 bilhões em quatro anos equivalem a R$ 126 bilhões/ano. Isso equivale a, na média, 5% do PIB ao ano. Para o país crescer 5% são necessários 25% do PIB de investimento ao ano. Até aqui, tem sido de 20%. Como os 503 bilhões não são dinheiro novo, não se vê onde estão os recursos adicionais para turbinar o PIB.

Carlos Sardenberg comentários (11)

22/01/2007

Primeira impressão

Foi interessante o discurso com que o presidente Lula apresentou o PAC.

Pode, inclusive, ser tomado como uma defesa de suas opções no quadro da América Latina. Por exemplo: sua insistência na tese de que a plena democracia é um ativo importante não apenas político, mas também como base de um bom ambiente para o desenvolvimento. Pode ser um contraponto a Hugo Chávez e seus amigos.

Na questão da base macroeconômica, Lula notou que a inflação baixa é condição indispensável e assinalou: “sem controle de preços”.

Ora, controle de preços não está na agenda brasileira faz tempo. Mas é a política oficial de Kirchner, na Argentina. De novo aqui, Lula fala para a região, parece.

De resto, o presidente brasileiro relacionou todos os pontos considerados básicos nas modernas regras de política econômica, sobretudo o equilíbrio fiscal, com a meta de reduzir o endividamento público.

Ou seja, pelo que disse o presidente, ficam mantidas todas as linhas de política econômica até aqui, acrescentando-se esse esforço de aumentar os investimentos públicos e privados.

Mas Lula também disse algo que me intrigou. Lá pelas tantas, entre as condições que relacionou como positivas para o crescimento (inflação baixa, juros em queda, controle fiscal...) incluiu o “câmbio”. Ora, é entendimento amplo entre empresários que o câmbio hoje, com o real valorizado, atrapalha.

No que será que Lula estava pensando?

Finalmente: Lula leu o discurso preparado. Não arriscou maiores improvisações. Ficou bom. A questão agora é saber se o programa de investimentos vai funcionar.

Carlos Sardenberg

http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7407,00.html

domingo, janeiro 21, 2007

Convívio social. Reunião de condomínio.

Ontem tivemos uma reunião de condomínio. Os executivos do grupo pediram para todos comparecerem, um de cada apartamento, pois a votação de um aumento no condomínio estava na pauta. Logo de cara aquele evento estava fadado a muita discussão tendo em vista que se no Brasil seria complicado, aqui então nem se fala.

Digo que aqui seria complicado, pois nesse país a apenas pouco tempo veio o conceito de condomínio. Nos prédios onde não há condomínio cada pessoa cuida do seu bem, tipo, cada um tem seu gerador e sua caixa d’água. O esquema é “cada um por si e deus por todos”.

Logo no início um agravante e mais uma vez constatação do preconceito. Um dos Angolanos reclamou da quantidade Brasileiros e que aquela reunião não tinha legitimidade. Colocou que não havia representatividade e que não daria para discutir daquela forma. O sindico, apesar de Angolano, é uma pessoa sensata e afirmou que essa posição não tinha nada haver, pois éramos todos condôminos, independente de nacionalidade.

No desenrolar da reunião constatamos mais uma posição protecionista. Há de se colocar que o país ainda tem pensamentos socialistas, meio como se fosse um misto em entre capitalismo e socialismo. Em vários pontos da sociedade pode-se verificar isso, como por exemplos, pequenos comércios em Angola só podem ser abertos por Angolanos. Bom, mas o fato é que o condomínio esta com problemas nas contas.

O problema no balanço das contas se dá no fato que a falta da infra-estrutura de Luanda obriga que o condomínio trabalhe quase que 24 h com o gerador ligado. As sub-estações não são suficientes para abastecer essa área da cidade. Já o governo parece estar meio que se lixando para esse fato. Realmente muito complicado, faço um paralelo com o Brasil, na época do apagão. Imaginem aquela situação e o governo dizendo, problema seu, te vira, o negócio aqui é mais ou menos assim.

Por conta dos geradores existe a necessidade de se compra muito óleo diesel para abastecer o gerador. Com isso os gastos aumentam muito e ou compramos o diesel ou ficamos sem energia. Como se isso não bastasse ainda tem o problema da água. O abastecimento de água é semelhante ao de energia. Contudo, diferente do Brasil, não dá para furar um poço, tem que ser apenas com caminhões pipa. Aqui não há os lenços subterrâneos, com isso a situação se agrava.

Com o problema das contas, durante a reunião, ficamos sabendo que o condomínio cobra USD 250 para os estrangeiros e USD 120 para os Angolanos. Fatos esse que faz com que as contas não fechem.

Ainda vai haver muita discussão sobre como vai ficar essa questão do condomínio, mas a cada dia temos mais provas do protecionismo e do racismo. Pensar sobre esse tema e nas duas visões da questão, dá margem para muita reflexão, quem sabe nos próximos post’s.

sábado, janeiro 20, 2007

Pense num frio!

Pelo menos já paguei o mico do início do ano. Quando vim à primeira vez a Angola, por volta de outubro de 2006, em pleno verão Brasileiro, não tive a melhor das experiências com minha roupa. Com conexão pelo Rio de Janeiro e um atraso de mais de 13 horas, passadas no galeão, o calor tomou conta. Estava de calça jeans e camisa de manga comprida, com o calor, suei e sequei umas 10 vezes. Na minha cabeça fiquei desejando durante toda viagem estar de bermuda para diminuir, pelo menos um pouco, aquele calor. Pensei, lição aprendida, não vou mais para Angola de calça e camisa comprida, da próxima vez vai ser vestido de bermudão.

Meu pai é quem diz certo: “Toda burrice será castigada”. O sabe tudo aqui veio na segunda volta conforme havia prometido. Uma bermuda e camisa de manga curta, tudo certo, a não ser o itinerário, dessa vez fiz conexão em Portugal. Só tem um detalhe, verão no hemisfério sul, inverno no hemisfério norte.

Chego no aeroporto de Lisboa com nada mais, nada menos, que 5 graus de temperatura. Um vento de rachar e uma neblina que não dava para enxergar 100 metros. Eu lá, firme e forte, com minha bermuda e camisa de manga curta. As pessoas que estavam no saguão de embarque estavam todas, sem exceção, vestidas com botas, calças jeans ou de couro, e uns casacos que mais pareciam que iam para o Ártico. Nunca havia visto casacos tão grandes. Imaginem a sena, eu lá, já roxo de frio, e as pessoas olhando para mim e pensando: Isso é um doido!

No caminho para o avião, pegado um pequeno ônibus, ao se falar saia até fumaça da boca, mas não era qualquer fumaça, era uma senhora fumaça. Como diríamos em Recife, cachecol era bóia, e o mane aqui de bermudão. Quando cheguei no avião, corri para a cadeira e me cobri com o lençol do meu acento. A cena foi tão gélida que até o comissário veio me perguntar se eu estava bem.

Conclusão, mais uma lição aprendida, cada viagem é uma viagem, mas não invente de viajar novamente sem um casaco, por favor.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Matéria na Carta Capital sobre projeto de combate a Aids do INLS – Instituto Nacional de Luta contra a Sida

Na última edição de dezembro da Carta Capital foi publicada uma matéria sobre o programa Angolano de combate a Aids e de seu coordenador geral o Sr. David Uip. Nessa entrevista é possível se ter uma dimensão do meu trabalho e o contexto que estou inserido. Só para lembrar faço parte desse grupo sendo contratado para desenvolver os sistemas informatizados que vão dar apoio a todo esse programa.

www.cartacapital.com.br/edicoes/2006/12/424/em-luta-contra-a-aids


Em luta contra a Aids

por Riad Younes

Um grupo de médicos brasileiros desenvolve há três anos um ousado projeto em Angola. Eles já conseguiram mudar a realidade da síndrome no país, como relata o mentor do trabalho, David Uip

Apesar de todos os avanços, ainda hoje mais de 30 pessoas morrem por dia, no Brasil, em conseqüência da Aids. Houve melhora no tratamento da doença, como os novos medicamentos cada vez mais eficazes. Quanto à prevenção, o mundo ainda não descobriu a forma mais adequada de enfrentar esse problema. Tanto em países do Primeiro Mundo quanto no Brasil, a situação ainda é preocupante. O problema é pior em países subdesenvolvidos, como no continente africano. Apesar dessas notícias, os brasileiros têm conseguido ajudar outros países na implantação de programas eficientes para a Aids.

Há três anos um grupo de médicos, enfermeiros e gestores brasileiros, liderado pelo infectologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, David Uip, iniciou um projeto ambicioso em Angola. O objetivo era auxiliar o Ministério da Saúde daquele país a controlar a epidemia. A luta contra a Aids em Angola era precária, semelhante à de seus vizinhos do continente. Hoje, Angola é reconhecida pela ONU como um dos quatro países da África com melhor estrutura contra a doença. O avanço é significativo e os números que Uip mostra a seguir impressionam.

Entre 2004 e 2006, houve aumento de 1.000% no número de unidades de atendimento implantadas no país, de 2.000% no número de gestantes atendidas e de 1.800% na cobertura pré-natal. Uma verdadeira revolução em pouco mais de três anos. “A associação entre o grupo brasileiro e os médicos e autoridades de saúde angolanos produziu resultados que realmente nos orgulham”, afirma Uip.

Na entrevista a seguir, ele fala sobre esse projeto, as dificuldades e conquistas, além da possibilidade de aplicação desses mesmos métodos em outros lugares no mundo.

CartaCapital: Como foi concebido esse projeto?
David Uip: Pensamos em um projeto de grande potencial e de grande impacto. Desde o início optamos pela estratégia de cortar a transmissão vertical da Aids, ou seja, a transmissão de mãe para filho recém-nascido durante a gravidez e/ou o parto. Focalizamos nossa atenção na mãe, no parceiro e no filho.

CC: Essa via de transmissão de mãe para filho é freqüente?
DU: É muito freqüente e constitui um problema de saúde pública, principalmente na África, onde em alguns países essa transmissão pode atingir 50% dos recém-nascidos.

CC: Qual é a porcentagem de transmissão de mãe para filho no Brasil?
DU: Dados oficiais do Ministério da Saúde detectaram uma redução para 8% no Brasil. Mas, em alguns lugares afastados ou no interior, essa taxa pode atingir até 12%, o que considero muito elevada.

CC: Qual seria a taxa considerada ideal, ou pelo menos aceitável?
DU: Menos de 1%.

CC: Qual foi o impacto desse projeto sobre a transmissão vertical em Angola?
DU: Os dados mais recentes liberados pelo Ministério da Saúde de Angola mostram que apenas 4% dos casos de Aids são devidos a esse tipo de transmissão.

CC: No que se baseia esse projeto?
DU: Ele disponibiliza, nas diversas regiões de Angola, não somente na capital, Luanda, centros que se dedicam à educação continuada da população, a programas de seguimento pré-natal rigoroso, a métodos diagnósticos mais precisos e a medicamentos para tratamento de casos de HIV. Recomenda-se hoje que, feito o diagnóstico de uma mãe com Aids, imediatamente se inicie o seu tratamento durante a gravidez.

CC: Houve dificuldades na implantação das recomendações internacionais para Aids em Angola?
DU: Muitas. Por exemplo, recomenda-se que o parto de mulheres portadoras de HIV seja realizado com muito cuidado, inclusive favorecendo as cesáreas, além de se evitar a amamentação. Em Angola tivemos de “ambientalizar” esse processo.

CC: Como?
DU: Por exemplo, não eliminamos o leite do peito por causa das condições culturais e sociais regionais. A cesárea também não foi preconizada de um modo uniforme em todo o país. Nas regiões onde a cesárea era de alto risco ou realizada em condições precárias e com taxas de complicações elevadas, esse procedimento não foi recomendado. Assim mesmo atingimos uma redução drástica na incidência de Aids nos recém-nascidos, baixando para 4%.

CC: Por que, no Brasil, estamos tão acima dos resultados de Angola?
DU: Provavelmente, pelas dimensões do País, pelo número de habitantes. Em resumo, por problemas de acesso da população aos programas eficientes. O desafio, na realidade, é criar condições para que haja maior acesso tanto à prevenção quanto aos tratamentos pela população brasileira.

CC: Como vocês começaram o projeto em Angola?
DU: Na verdade, em Angola, já existiam mais de 40 grupos e ONGs tentando, há anos, criar projetos para controle da Aids, sem muito sucesso. Fui convidado pelo governo angolano inicialmente para criar um projeto que coordenaria a ação dos grupos e organizações já em atividade no país. Mas percebi que o foco deveria ser diferente. Apresentei, então, o nosso projeto, que foi bem aceito. Tanto que o presidente de Angola assumiu-o como prioridade de seu governo.

CC: Quantas pessoas trabalham no projeto atualmente?
DU: Temos seis médicos e quatro enfermeiros brasileiros, além dos médicos e enfermeiros angolanos. Quatro dos seis médicos e as quatro enfermeiras moram em Angola. São pessoas de grande coragem e que merecem todo meu respeito.

CC: Quais os segredos do sucesso do projeto?
DU: Vários fatores ajudaram, como centrar a atenção numa parcela definida da população de risco, a mãe e o filho. Também criar um consenso na terapêutica viável em Angola, ambientalizar maternidades para atendimento adequado de doentes de risco e estabelecer a cultura do cuidado pré-natal e do parto assistido. Até 2003, em Angola, um grande número dos partos era realizado fora de centros médicos, em casa. Treinamos médicos e enfermeiros angolanos no cuidado com a Aids em programas de intercâmbio com instituições no Brasil, como o Hospital das Clínicas da USP, o Hospital Sírio-Libanês e a Fundação ABC. Trabalhamos com educação e conscientização continuada na população e criamos um banco de dados contínuo para avaliar os resultados. O mais importante foi criar um programa com objetivo e fim claros. E o projeto de transferência de know-how para a medicina angolana.

CC: E como vocês faziam para prevenir a infecção das mães?
DU: Nosso projeto conseguiu instalar um programa abrangente de distribuição de preservativos. Entre 2000 e 2004, foram distribuídos 2,4 milhões de preservativos. Somente no ano de 2005, conseguimos distribuir 2,6 milhões. Em 2006, até outubro, já foram distribuídos 9,6 milhões. É um aumento impressionante.

CC: Como foi a repercussão do projeto?
DU: Os resultados recentes, que estou divulgando a CartaCapital em primeira mão, atestam claramente os avanços. Há poucos dias, nosso projeto em Angola foi muito comentado pelo ONU-Sida (o programa de Aids das Nações Unidas), que destacou Angola como um dos quatro países africanos que mais avançaram em 2006 no tratamento da Aids.

CC: Esse projeto pára por aí?
DU: Desde a sua concepção, queríamos um projeto com início, meio e fim. Não seria eterno. Agora, entregaremos essa estrutura para os médicos angolanos. Mas temos para o futuro outros projetos semelhantes, para tuberculose, malária e leptospirose. Também já fomos contatados por outros países da região.

CC: O projeto atual teve ligação com o Ministério da Saúde do Brasil?
DU: Não. No entanto, o ex-ministro da Saúde Humberto Costa disponibilizou tratamento para cem pacientes angolanos gratuitamente.

CC: Os senhores tiveram algum contato com o setor privado brasileiro?
DU:
Não para esse projeto. Mas existem muitas empresas internacionais brasileiras que nos têm procurado para ajudá-los a montar projetos sociais, que hoje são uma exigência como contrapartida de empresas multinacionais que queiram se instalar em um país da África. Poderemos ajudar muitas empresas brasileiras a cumprir essa obrigatoriedade de projetos sociais.


Uma vacina pode não ajudar

Especialista alerta para o risco de agravamento da epidemia

Encontrar uma vacina para Aids não necessariamente significaria a diminuição do número de pessoas infectadas ou o controle da disseminação da doença. Parece um contra-senso, mas não é. “Dependendo da eficiência da vacina encontrada, ela pode até aumentar a incidência de Aids na população, em vez de diminuí-la”, declara o professor da Faculdade de Medicina da USP e líder de um grupo de estudiosos ligados ao Departamento de Informática Médica, Eduardo Massad. Nesse grupo, calcula-se o valor da prevenção através de estudos de modelos matemáticos aplicados a problemas de saúde pública, principalmente a estratégias de vacinação.

Pensando de forma simplista e intuitiva, tendemos a acreditar que, mesmo que uma vacina proteja apenas 20% dos vacinados, serão 20% menos pessoas infectadas. Automaticamente, pensamos, haverá um impacto na redução do número de aidéticos alguns anos depois. Mas não é bem assim. Uma vacina com baixa eficácia (como os 20% do exemplo) pode, na realidade, aumentar a incidência de Aids exatamente porque a pessoa vacinada se sentirá “protegida”. Mesmo não sabendo ao certo se está ou não imune ao vírus, ela tenderá a acreditar que está a salvo. Diante disso, os modelos matemáticos criados pela equipe de Massad conseguem quantificar o prejuízo teórico de uma vacina pouco eficaz na população. “A pessoa com a falsa sensação de segurança tende a ter maior comportamento de promiscuidade”, explica Massad. Haveria um relaxamento no cuidado e na prevenção. “O primeiro prejuízo seria o efeito desinibição”, explica o médico.

Estudos recentemente publicados pela equipe de Massad demonstram claramente o provável efeito nocivo, não somente de uma vacina pouco eficaz, como também de remédios pouco eficazes no tratamento da Aids. Somente quando se introduziu a associação de novas drogas contra o HIV foi possível realmente reduzir a carga viral no indivíduo infectado e, portanto, a probabilidade de infectar outra pessoa.

Com os tratamentos sub-ótimos iniciais, os modelos matemáticos desenvolvidos por Massad previram o que realmente acabou acontecendo. Os portadores de HIV vivem mais, sentem-se melhor, têm mais relações e com mais pessoas. Porém, sem perceber, ainda tinham uma carga viral no sangue suficientemente elevada para passar a doença para a frente. Assim, o número de novos infectados aumentou em vez de diminuir. As equações recentemente publicadas pelo mesmo grupo de estudos comprovam a possibilidade de uma vacina ou um tratamento pouco eficaz também modificar a virulência do vírus. O fator desinibição pode levar à troca mais freqüente de parceiros e, dessa forma, aumentar a possibilidade de infecção com cepas de HIV resistentes aos tratamentos atuais.

Assim, a bênção de tratamentos e de vacinas que protegem algumas pessoas pode transformar-se em uma espécie de maldição. Massad explica: “As autoridades da saúde pública ainda têm um planejamento precário. Continuam adotando programas baseados em premissas antigas e teorias obsoletas. Infelizmente, essas discussões e modelos não têm sido levados em consideração. A racionalização dos tratamentos, das vacinas e das campanhas poderia ter uma eficácia bem superior se todas as variáveis fossem levadas em conta no momento de estabelecer uma política de prevenção da Aids”.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Está chovendo em Angola, então senta e chora!

Ontem caiu a maior chuva desde que eu me encontro em Angola. Para a maioria dos Brasileiros, que já estão aqui a mais tempo, também. A chuva, de pingos grandes e com bastante vento, parecia uma daquelas muitas que temos em Recife perto de junho, quando estamos no meio do inverno. Contudo para Luanda era algo que só pode ser definido como catástrofe.


Para começar quando começa a chover o primeiro reflexo são os engarrafamentos. A cidade para, e para chegar no trabalho demorou duas horas, quando o normal é apenas uma. Em seguida o barro que se espalha por toda cidade. Como muitas ruas não são asfaltadas a lama vira dona da situação. Não há galerias de escoamento da água das chuvas, ou seja, toda água fica empossada esperando evaporar. Como não tem um sistema de coleta de lixo e muito menos de esgoto, fica todo aquele “material” boiando e esperando a água simplesmente ir embora, uma belezura.


Em uma das principais vias de acesso para a zona sul, onde moro, passando pelo bairro do Samba, uma barreira desabou interditando todo transito e concentrando tudo pelo Rocha Pinto. Morph deveria estar embolando de rir, afinal sua máxima prevaleceu, “nada está tão ruim que não possa ficar pior”. O transito para voltar para casa estava ainda mais complicado do que o que encontramos pela manhã. A noite junta-se a água empossada do dia inteiro de chuva, a falta de postes de iluminação, as ruas alagadas, a M... boiando (desculpem a expressão mas é porque é literalmente isso), barreiras caídas, e por ai vai. Fora a barreira algumas pontes e casas desabaram, tudo por conta de uma única chuva.

Qualquer pessoa poderia dizer que isso é o fim do mundo, mas calma lá, o fim do mundo ainda está chegando. Quando a água secar, as ruas que estão cheias de lama vão ficar cheias de poeira, com isso a cidade fica uma pó só. O meu celular durante a chuva não funcionava, o meu não, a rede de telefonia móvel simplesmente não funcionava, ah a telefonia fixa também não funciona. Na volta para casa ontem, ao passar por uma rua que normalmente passamos, a água encobriu o farol do carro. Prejuízo com o carro que ficou todo molhado, afinal entrou água no carro. Fora isso tudo, com a quantidade de água que fica empossada, germinarão um batalhão de mosquitos. Há de se lembrar que o mosquito aqui não transmite uma gripezinha boba, transmite malária. Eita é dessa vez que eu me ferro.

Está montado o cenário do caos, agora é esperar para as próximas chuvas.


Abaixo matéria de hoje do jornal de Angola
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Chuvas causam sete mortos em Luanda

http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=55009&Seccao=geral

César André

As chuvas torrenciais que se abateram sobre a cidade de Luanda no fim da manhã de ontem causaram sete mortos e o desaparecimento de três crianças. As vítimas pereceram na sequência do desabamento de casas ou levadas pelas correntezas das águas.

Estes casos registaram-se nos bairros do Chinguar, nas proximidades da vala de drenagem da Ponte do Cabolombo (Benfica) e na Samba Grande, onde várias famílias ficaram desabrigadas.
António Guimarães, residente nas proximidades da vala de drenagem do Cabo Lombo, disse à reportagem do Jornal de Angola que para além de terem causado a morte de uma criança e o desaparecimento de uma outra, as águas das chuvas levaram para o mar diversos artigos de casas desabadas.

“É um caso muito sério. Mas acontece que não tínhamos outra alternativa senão construir as nossas casas neste terreno próximo do leito da vala de drenagem”, disse visivelmente entristecido António Guimarães.
Marcos Abreu, um dos moradores do Cabo Lombo, sugeriu que é importante que o Governo dê atenção aos moradores que residem nas proximidades da vala do Cabo Lombo, porque o local não é seguro.“Seria bom que o Governo, à semelhança do que tem feito com os moradores da Boavista e não só, evacuasse também esse pessoal que vive ao lado da vala”, disse Marcos Abreu.

Para além das mortes e do desabamento de casas, a circulação rodoviária em diversas ruas de Luanda ficou afectada pela chuva. As enxurradas causaram grandes engarrafamentos, pois tornaram intransitáveis várias vias. Nas imediações do Morro Bento, Samba, as areias invadiram a estrada tornando-a intransitável durante cerca de duas horas. A situação foi resolvida graças à pronta intervenção da administração municipal da Samba, que, em colaboração com a empresa Odebrechet, mobilizou 10 camiões e três moto niveladoras para retirar a areia.

As vias que dão acesso a rua Augusta até ao bairro da Camuxiba, também no município da Samba, também ficaram intransitáveis, causando assim grandes transtornos aos automobilistas que pretendiam evitar a via Morro da Luz, na altura bloqueada devido à invasão da estrada pelas areias.

No troço entre a Avenida 21 de Janeiro e a rotunda do Gamek, no bairro do Rocha Pinto, o tráfego estava de tal forma impedido que para atingirem a Clínica Multiperfil, Morro Bento ou Luanda Sul os automobilistas faziam uma hora.

Além dos danos causados na Samba, Rocha Pinto e outros bairros, informações davam conta de que as chuvas no Kikolo, no município do Cacuaco, bloquearam a estrada entre aquela localidade e o bairro Paraíso, deixando-o isolado.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Matéria para o JC

Essa foi legal, a matéria que eu tanto quis que saísse finalmente saiu. Foram vários meses de espera mas valeu a pena, ficou ótimo. A data da publicação foi a primeira quarta-feira do ano, dia 03 de janeiro de 2007. A minha foto estava lá e muitas pessoas me ligaram para falar, muito comentando.

Fiquei muito feliz em ter ajudado Mona Lisa a fazer essa matéria. Tudo começou no MBA da FGV, meu amigo Lúcio, responsável pelo CPD do JC me perguntou se eu não gostaria de fazer uma matéria sobre essa viagem para Angola. Claro de que de cara eu me animei e perguntei o que teria que fazer para o projeto se concretizar. Além da matéria conversamos sobre a possibilidade de escrever um blog para o jornal, infelizmente isso ainda não se concretizou, mas quem sabe.

Com essa primeira idéia ele me passou o contato da Mona Lisa e em conversa com ela fui falando e passando todas as informações necessárias. Contei das empresas que estavam em Angola e da parceria da minha empresa, Advance, com a MV Sistemas, empresa Pernambucana. Passei o contato do pessoal da MV e ela fez uma visita à empresa. Além da MV e da Advance, o Itece também apareceu na reportagem.

Agora a parte ruim, é incrível como toda vez que se viaja se esquece alguma coisa em casa, dessa vez, por incrível que pareça, esqueci o jornal com a matéria. Estou danado enquanto escrevo esse post, que vacilo. Bom, fica para a próxima vinda, fazer oque, para o que não tem solução, solucionado está.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Como diria Roger – Nos vamos invadir sua praia

Ontem chegaram mais 3 brasileiros. Eles foram contratados diretamente de Recife para o projeto de informatização dos hospitais. Para esse primeiro semestre são esperados mais 20 pernambucanos. Esse vai se tornar o país mais nordestino do mundo.

Aos meus conterrâneos digo que devem ser preparar, pois viver aqui não é nada fácil. Contudo as coisas estão melhorando, ontem encontrei com Débora e os três novatos no Shoprite do shopping. Os meus novos amigos vão pegar, pelo menos no aspecto supermercado, a situação muito melhor do que quando eu cheguei. O Shoprite é um sonho, parece até que estamos dentro de um Pão de Açúcar ou Bompreço, climatizado e com praticamente tudo o que se precisa. A venda está desde produtos para casa até bebidas em um super frízer.

Quando os encontrei ontem lembrei como eram as minhas compras nos primeiros meses em Angola. Todo sábado o programa era o mesmo. Primeiro íamos um pequeno mercado, que só tinha uma parte do que precisávamos, depois íamos a um segundo mercado, onde comprávamos mais uma parte. Após sair do segundo mercado, comprar alguma verduras e frutas na rua para completar, e acreditem, mesmo assim faltava um monde de coisas.

A felicidade chama-se o Shoprite. Estamos agora na contagem regressiva para a abertura do shopping, com suas lojas e cinemas, nem acredito que vai ter isso aqui. Para se ter uma idéia, consegui uma foto do cinema de Angola, único por sinal até hoje. A foto é antiga, mas dá para ter uma noção. Sessão só a noite, pelo motivo obvio, o tempo passou e esse, até a abertura do shopping, continua a ser o único cinema de Luanda.


segunda-feira, janeiro 15, 2007

Post para o blog da globo internacional

Esse meu blog dá o que falar, toda semana recebo e-mail de todo canto do Brasil perguntando como é a vida em Angola, alem de dúvidas específicas sobre o país. Minha família e amigos me dizem que eu escrevo bem e coisa e tal, mas sinceramente sempre achei que era muito mais carinho do que um olhar crítico. Mesmo podendo parecer um pouco convencido, afirmo que começo a acreditar que eu realmente devo escrever direitinho.

No final desse ano fui contatado pelo editor do site da Globo internacional. Ele estava com uma proposta de escrever um blog no final do ano contanto sobre o reveillon, do ponto de vista dos Brasileiros, em diferentes países pelo mundo. Dentre os países representados foram: Japão, Turquia, Chile, EUA, Portugal e claro Angola. Fiquei muito feliz com o convite, no e-mail do contato inicial, um elogio à forma como escrevo.

A partir do primeiro contato passei o meu telefone, conversamos e ficou combinado. O resultado pode ser visto no site www.reveillon.globolog.com.br .

Pisei na Europa, mas também só foi isso


Oh vidinha mais ou menos! Estive de férias nos últimos 15 dias, motivo esse que me fez não escrever o blog nas últimas semanas. Esse final de ano foi cercado de muitas surpresas em Recife, realmente foi maravilhoso voltar para casa.

Essa foi a minha primeira volta para o Brasil, à primeira de muitas, pois, a cada três meses passo 15 dias de férias, chato isso eh? Todo mundo que vem para Angola fala a mesma coisa, a primeira volta é mais complicada, e é mesmo. Da primeira vez que se vem para a África, à expectativa é muito grande e com as novidades, quando se vê já está acostumado. Contudo, com a primeira volta, se vê o quanto ainda falta a Angola e como o Brasil já se encontra à frente em desenvolvimento. Assim, na hora de voltar à labuta, dá aquela dor no coração em pensar na rotina casa-trabalho, pois praticamente é só isso que se faz. No meu caso tenho que melhorar isso esse ano, espero que até que enfim meu curso comece - esta de rosca, as aulas de inglês também estão por vir e uma academia é mais do que necessária.

Dentre as novidades desse final de ano posso listar a matéria do JC que finalmente saiu, um post que fiz no site da Globo internacional, as aulas de Kite-surf e principalmente rever minha família e amigos. Um aspecto digamos negativo é que nessa primeira volta eu parecia um menino pequeno que vai a primeira vez ao shopping, queria comprar tudo e meio que fiz isso, gastei uma grana. Ai ai mas controle para a próxima viagem.

Gostaria de colocar como novidade o fato de eu ter conhecido a Europa, pelo que levantei com minha queria amiga Audrey, eu iria passar o dia em Portugal para pegar o vôo para Luanda. Fiz a maior expectativa do que eu queria conhecer e coisa e tal, mas por fim, devido ao vôo que me trouxe a Portugal e o que iria me levar para Angola serem próximos no horário, eu fiquei numa droga de espaço fechado, esperando o horário. Pense numa frustração. Fica para a volta conhecer Lisboa, o pouco que pude ver é uma cidade muito bonita, a janelinha do avião ficou pequena para os meu olhos abertos.

Vamos com calma que em um posto só eu vou gastar todas as novidades das férias, melhor deixar para os próximos.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Contrastes tecnológicos


Entro em uma é pequena lanchonete, a variedade é pouca e a limpeza não são lá essas coisas, mas até que é organizado.Atrás do balcão, uma atendente mau humorada, com cara de quem não vai dizer nem bom dia. Ela olha para minha cara, fiquei com medo de perguntar qualquer coisa. O cardápio é uma lenda, a coisa mais parecida com isto é um quadro negro na parede com os pratos rabiscados. Misto, hambúrguer e outras coisinhas. Peço só uma água, não quero comer nada. Agora vem a surpresa.

A atendente pega o meu dinheiro e realiza o pedido em uma tela touch screen. Um software específico para restaurante, tudo muito simples e rápido. Instantaneamente, enquanto ela conta o meu troco, a fatura sai em uma pequena impressora térmica. Fico espantado com tanta tecnologia em um lugar que no Brasil chamaríamos de “birosca”.

Estou agora em um dos maiores hospitais do país. São 1000 leitos e aproximadamente 2500 funcionários entre médicos, enfermeiros e pessoal administrativo. O prédio construído a mais de 100 anos sofreu uma reforma logo após o fim dos conflitos, trabalho dos Japoneses. Esse é um dos hospitais que minha empresa irá informatizar e estávamos, em uma visita de prospecção, levantando as necessidades de equipamento. Acreditem nesse hospital há apenas 2 computadores, isso mesmo 2. A maioria da população sequer tocou em um computador, ver já deve ter visto, mas daí manusear, com certeza que não.

Ando pelas lojas de Luanda e os produtos mais modernos há aqui. Há modelos de celulares que sequer existem Brasil, aparelhos super modernos com câmeras de altíssima qualidade. A desigualdade no país não é grande, devido ao fato que todo mundo é pobre, ou para o padrão brasileiro, abaixo da linha de pobreza.

No projeto de informatização dos hospitais muito terá que ser feito. Entretanto não somente nos hospitais, mas em todo país. O desejo deles é ser como o Brasil. Agora vejo o quanto estamos evoluídos, basta apenas acabar com a corrupção que seremos um pais de primeiro mundo. O nosso país tem muito que evoluir, mas olhando para Angola, vejo o Brasil muito à frente.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Fazendo do limão a minha caipirinha – Reflexão


Certa vez o meu pai me disse: Os sentimentos de alegria e tristeza são absolutos. Ele constatava que quando estamos tristes, esquecemos todas as coisas boas que nos aconteceram. Da mesma forma, quando estamos alegres parece que nada de mal nunca aconteceu.

Esse final de ano tem sido marcado pela ansiedade. Estou na expectativa de voltar para as festas de final de ano no Brasil. Essa volta está sendo tão esperada por ser a primeira volta de Angola, por ser final de ano - Natal e Réveillon – e por nunca ter ficado tanto tempo fora de casa, além de uma série de outros motivos. Entretanto devido a imprevistos e problemas inerentes a Angola, estou acreditando que a minha volta somente se dará em Janeiro de 2007.

Confesso que nas primeiras vezes que pensei sobre essa hipótese, fiquei realmente muito chateado, contudo agora, estou pensando de forma diferente. Esse ano foi tão maravilhoso para mim que eu só tenho que agradecer. Estou tendo uma oportunidade única na África, o meu crescimento profissional e pessoal, estou motivado e super feliz. Tive uma ótima namorada, que viemos a acabar sem brigas, muito mais pela distancia, decidimos assim antes mesmo do embarque. Fiz novos amigos, estou fazendo um MBA, vou começar um inglês no próximo ano e vejo que estou ascendendo na minha carreira.

A forma certa de pensar no fato de não viajar é: Tenho que tomar proveito e colocar a meu favor esse problema. Estou estudando a melhor forma de fazer isso. Entretanto desde já quero colocar para o meu chefe e a empresa que, estou disposto a vestir a camisa da Advance e pagar o preço para que o meu trabalho seja um sucesso. Se um dos preços a pagar para ter sucesso é esse, então considere pago.

Sou um homem de sorte, sou um homem feliz, com meu trabalho, com minha família, com minha vida. Evoluir, crescer e encontrar motivação e melhorias primeiro em mim, depois nas outras coisas e pessoas. Sempre melhorar e fazer do limão a minha caipirinha.

Tenho que registrar o grande empenho de uma pessoa em especial. Audrey, responsável no Brasil por marcar minha passagem, esta se esforçando muito para que eu volte antes do Natal. Escutou, com carinho e paciência, meus choramingos e está sendo muito atenciosa. Audrey meu muito obrigado, independente do resulto da empreitada.

Cabaz e o Pernil


O final de ano aqui em Angola estava caminhando para ser bem fraquinho, não iríamos comprar nem um panetone, até porque eu detesto panetone. Para a nossa sorte Sérgio ganhou na clínica Multi Perfil, onde ele trabalha, uma Cabaz.

Cabaz é uma cesta de natal que tem esse nome devido à forma como os Portugueses chamam cesta básica, bom pelo menos foi isso que o rapaz onde fui buscar me disse. Na Cabaz só produtos sofisticados, foram dois baús e mais uma caixa de papelão, fora os refrigerantes, cervejas e água tônica, uma caixa de cada. Dentre as iguarias 3 quilos de bacalhau, muitas guloseimas e chocolates importados, nozes e frutas secas e tantas conservas que não conseguira dizer. Além disso azeite, vinhos franceses e portugueses, conhaque francês, vinho do porto de 20 anos, whiskey 15 anos, dois champanhes franceses – até porque se não for francês não é champanhe, é espumante – e o melhor do Cabaz, um pernil inteiro defumado de mais ou menos 7 quilos.

Junto com o pernil um suporte de madeira e uma faca muito boa, específica para o pernil, com a qual já me cortei duas vezes, é muito afiada. Confesso que sempre tive vontade de comprar um bichão desses, do jeito que eu gosto de cozinha, apreciei cada momento desde que descobri que havíamos ganhado um.

Chegamos do Miss Angola na sexta a noite, por volta das 1:00 h manhã. No sábado pela manhã iríamos acordar bem cedo para ir pegar as Cabazes que a Advance havia comprado para presentear seus principais clientes. Apesar de ter poucas horas de sono fui brincar com o pernil. Peguei logo o meu copo oficial de vinho, um de cristal que comprei aqui. Abri um dos melhores vinhos que veio na Cabaz, um português, e fui limpar o pernil. O mais engraçado é que o pernil veio coberto por uma saco de pano. Devido ao tempo que de armazenagem, estava com mofo por cima do pano, Sérgio achou que estava estragado e me disse que ia jogar fora. Quase tenho um ataque com essa declaração. Tenho muito que ensinar a Sérgio sobre cozinha, a aula do próximo ano vai ser: Como fritar um ovo dos dois lados. O desafio é grande mas tenho certeza que chegamos lá.

Por fim foi só apreciar e tirar umas fotos para mostrar para o meu pai, adoraria que ele estivesse aqui comigo para comer o presunto. Veio estou aproveitando e pensando em você, te amo.


segunda-feira, dezembro 18, 2006

Miss Angola 2007

Fui pego de surpresa pelo convite, na última sexta-feira fomos para o miss Angola 2007. Rodrigo conseguiu convites para todo mundo da Advance, assim, por volta das 20:00 h saímos para a festa.

Realmente tudo muito diferente e bonito, logo na entrada haviam umas estátuas que vim a me assustar. Cheguei mais perto e achei de veras bastante reais as estátuas. Quando olhei para cima, o meu susto, a estátua estava olhando para mim. Na verdade eram modelos vestidas com roupas Angolanas, mas eu realmente pensei que fossem estátuas.

O presidente da república José Eduardo estava presente a cerimônia, junto com ele aquele batalhão de seguranças. O presidente por sinal foi vítima de um acontecimento no mínimo engraçado. Durante o processo de seleção das misses, foi chegada a hora de perguntas de conhecimentos gerais. Na última miss a pergunta que caiu para ela foi: “A importância do processo eleitoral para o país”. Na hora de responder, devido ao nervoso, a menina acabou dizendo: “É importante a votação para termos um presidente melhor e mais honesto”. Esse comentário foi seguido de uma vaia tremenda, a menina havia, provavelmente devido ao nervoso, chamado o presidente, na cara dele, de ruim e desonesto. Uma situação constrangedora mas muito engraçada.


Logo quando chegamos a festa, recebemos um folder com a foto de cada candidata. Estávamos eu, Sérgio e Schumacher na festa, além de Rodrigo e Renata. Entre eu, Sérgio e Schumacher escolhemos as nossas favoritas para ver quem acertava qual delas seria a miss. Schumacher venceu a aposta e a vencedora foi uma Angolana naturalizada Portuguesa, Micaela Reis.


As meninas todas eram muito lindas e eu realmente pude ver a beleza da mulher africana. A melhor parte foi o desfile de biquíni, as meninas com corpos perfeitos e que fogem até um pouco do padrão de modelo, sendo elas mais, digamos, redondinhas, apesar de serem super esbeltas.

Fora o desfile a festa contou com a apresentação do balé nacional que apresentou uma série de peças folclóricas. O tema da festa foi sobre a rainha NJinga Mbandi que lutou contra os Portugueses por volta do final do século 18. Fora as apresentações teatrais ainda houve a apresentação de cantores, incluído um que gosto muito chamado Konde. A melhor parte das apresentações contudo ainda estava para vir. Logo antes da decisão final quem se apresentou foi Lecy Brandão. O samba foi ótimo e ela levantou todos os presentes com musicas, que para o meu espanto, os Angolanos sabiam as letras.


Logo após o anúncio da vencedora, combinamos de sair rápido para não pegar engarrafamento. Infelizmente, como o presidente estava presente, todas as ruas próximas estavam fechadas e ninguém podia deixar o local até que o presidente saísse. Assim esperamos o José Eduardo sair e fomos para casa.

Foi uma festa bem legal, pude conhecer um pouco mais sobre a cultura Angolana. Cada dia que passa gosto mais desse país.

domingo, dezembro 17, 2006

Palestrei no CCTA para aproximadamente 300 pessoas


Quando surgiu a oportunidade me disponibilizei logo. Gosto muito desse tipo de coisa, sou bem atirado mesmo. Acredito que a melhor maneira de vencer os medos é ir e fazer logo.

Preparei uma primeira apresentação que estava mais institucional. Avaliamos que esse não seria o melhor caminho para a idéia da apresentação. No primeiro dia de feira, sendo a apresentação no segundo dia, discutimos pouco de como seria a apresentação. No segundo dia, praticamente desistimos, contudo ao final do dia uma ligação da vice ministra para o meu chefe nos fez mudar de idéia.

Sai da feira no final do segundo dia, corri logo para minha casa e comecei a preparar uma nova apresentação. Próximo de meia noite o meu chefe chegou a minha casa e ficamos até uma da manhã fechando o material. No terceiro dia estava tudo pronto e eu na maior expectativa.

Minutos antes da apresentação, meu chefe ainda não havia chegado, queria muito que ele assistisse. O tema, processo de informatização de hospitais.

O local da apresentação foi o auditório principal do centro de convenções de talatona. Com capacidade para 750 pessoas, nos três dias da feira palestraram ministros e presidentes de grandes empresas. Senti-me muito contente pela oportunidade que estava tendo e queria fazer o melhor.

Faltando poucos momentos para o início, fui tomado pelo nervoso, contudo sabia que não podia aparentar essa ansiedade. Quando fui chamado, respirei fundo e fiz a apresentação.

Lá no palanque via aquela quantidade enorme de pessoas me olhando, via todas, mas nenhuma em especial. Comecei nervoso, mas a medida que a apresentação seguiu fui ficando mais calmo e tudo correu tranquilamente.

Ao final as pessoas gostaram e me disseram que parecia bastante calmo e seguro. Tem que ser dessa forma, pode-se até estar inseguro mas é importante não transparecer. Se tem que ser feito, faça.

Por fim tudo foi ótimo e uma satisfação que não consigo descrever. Meu chefe ficou feliz e atendemos ao pedido da vice ministra. Realmente foi um dia especial, é dessas coisas que são feita a vida. Realmente um momento para recordar.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Racismo

Da próxima vez que alguém vier no Brasil falar qualquer asneira que remeta ao racismo ou preconceito, eu vou dar um fora tão grande que no mínimo a pessoa vai ficar constrangida. Essas pessoas com certeza não passaram por situações como as que eu passo todos os dias. Só quem é vítima de racismo sabe o quanto é ruim.

Mesmo antes de vir para Angola já não me considerava uma pessoa racista ou preconceituosa, muito pelo contrário, defendia a igualdade tanto para a cor, raça, região, sexo, idade e qualquer outro tipo de preconceito que existe. Com a experiência que estou tendo aqui, nesse país incrível, com certeza essa minha característica se acentua ainda mais. Refletindo agora acho que tenho um preconceito, sou preconceituoso com pessoas preconceituosas. Digo mais, remetendo a uma frase do meu pai que dizia: “Toda burrice será castigada”, me aproprio dessa frase para dizer, todo racista é burro.

Sou contra os pontos de vista absolutos, mas quando o assunto é preconceito sou absoluto, conforme frase que coloquei acima.

Em Angola sinto o racismo e o preconceito na pele e percebo de uma óptica que sequer imaginava como isso é humilhante, constrangedor e revoltante. Ouve uma situação, que se passou comigo. Em uma feira, um Angolano ficou insistindo para que eu comprasse na barraca dele. Eu educadamente, e sempre tem que ser assim principalmente aqui, disse que depois passava para ver as mercadorias dele. Após rodar toda a feira a última barraca que fui foi justamente a desse rapaz. Chegando lá não me agradei de nada e o rapaz que passou a feira toda me procurando e me chamando de amigo, olhou para mim e com uma cara de desprezo que não consigo descrever, disse: “Pula”.

Pula é a palavra usada pelos Angolanos para descrever o branco estrangeiro que vem para o país. É uma palavra pejorativa que seria o mesmo que chamar uma pessoa negra no Brasil de “negrinho” ou “macaco”. Eu fiquei muito chateado com isso.

Fiquei refletido o que levava uma pessoa a fazer isso. Com certeza ele perdeu o cliente, pois em outra visita à feira eu iria com certeza a barraca dele, agora, nem me pagando. Sem falar no sentido imediato da ação, não pensar que eu poderia voltar e comprar outro dia. Antes que qualquer leitor venha dizer que isso é coisa de Angolano ou uma coisa que aconteceu naquele momento, afirmo que isso não é verdade. É exatamente a mesma coisa que acontece no Brasil todos os dias, me arrisco mais, acontecem no mundo todo, todos os dias.

Outra situação foi de um amigo que foi a um supermercado. Chegando lá um militar Angolano, enquanto meu amigo estava parado no meiu de uma gôndola, olhando um produto, passou dando uma cotovelada nele. Ao olhar para traz, o meu amigo que esperava um pedido de desculpas, viu o militar olhar para ele e pronunciar um desprezível “Branco”.

Essas situações acontecem aqui todos os dias e é preciso estar preparado para isso, pois, apesar da situação ser incômoda, é preciso conviver com isso para se dar bem aqui. Tenho que alertar bem claramente, o racismo e o preconceito em Angola são muito mais fortes em comparação ao Brasil, mesmo quando comparando, no Brasil, o racismo do branco para com o negro..

Nem todo Angolano é preconceituoso, aqueles que convivemos cotidianamente não parecem ser. Mas em sua maioria o Angolano é preconceituoso.

Toda burrice será castigada. Todo racista ou pessoa preconceituosa é BURRA.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Dificuldades para viajar – Para que facilitar se pode complicar?


Esse fim de ano tenho esperado de forma ansiosa a minha primeira volta para o Brasil. Havíamos, eu e minha família, combinado de passar o natal em um hotel comemorando o bom ano que tivemos. Estava tudo certo, eu já havia falado com o meu chefe e combinamos, desde a minha chegada, que eu voltaria para o Brasil para as festas de final de ano. Mas, no caminho havia uma pedra, e a dificuldade tem um nome, Angola. Estou pensando seriamente que a programação do natal vai dançar.

Nem venha pensando que todo são flores por aqui, porque não são mesmo, assim tudo começa com a DEFA (Direção e Emigração e Fronteiras de Angola). Essa entidade é a responsável por emitir os vistos. Essa questão dos vistos é outra novela, pois, para dar entrada no visto de trabalho, e até que ele saia, passam-se de 10 a 12 meses, isso mesmo, um ano. Como visto de trabalho demora a maioria das pessoas aqui entra no país com o visto ordinário.

O visto ordinário é o equivalente ao visto de turista e vale por 3 meses. O complicado nisso é que ao entrar no país não é possível simplesmente entrar em passar 3 meses, como acontece não Brasil, aqui é preciso renovar o visto a cada 1 mês. Assim, ao final de cada mês, é preciso mandar o passaporte para a DEFA para que esta prorrogue o visto. Como todo serviço público do Brasil, aqui também essa agencia é complicada e a renovação do visto demora em média 20 dias para sair. Desta forma quando o passaporte chega, já está na hora de mandar de novo para a DEFA renovar. Há pessoas que chegam a ficar os 3 meses aqui sem tocar no passaporte, este está sempre na renovação. Além disso, já ocorreram casos de DEFA perder o passaporte no meio de tantos e a pessoa ficar sem recebê-lo, nesse caso, o único jeito é pedir um salvo conduto.

O salvo conduto é um documento que é emitido pela embaixada do Brasil, dizendo que você perdeu o passaporte e que pode entrar no Brasil. Se a DEFA não entregar o passaporte essa é a melhor solução, desculpem a única. Contudo tem um detalhe, o salvo conduto só pode ser usado você estiver viajando de TAAG (Linhas Aéreas de Angolanas), pois essa companhia é a única que vai de Angola direto para o Brasil e sem passaporte você não pode passar por outros países.

A TAAG é outra agonia. Para começa a empresa não emite o seu bilhete de embarque com antecedência, apenas faltando de uma semana a dez dias para o embarque. Mesmo que se tenha a passagem na mão, é preciso ficar correndo para tentar marcar a data. Para falar com a TAAG é uma complicação, na verdade toda vez que é preciso conseguir alguma coisa com algum Angolano é complicado, mas isso é outra história. Para se conseguir marcar a passagem, bem como dar tramite na DEFA, é necessário um bom despachante. O grupo de empresas para o qual trabalho tem 3 pessoas trabalhando só para isso, tamanha a dor de cabeça que é esse negócio de passagem e passaporte.

Outro grande problema da TAAG é que a qualquer momento pode chegar uma pessoa mais importante, isso também é outra história, e derrubar a sua reserva. Assim ao se vir para Angola tem que estar preparado, pois voar é apenas um dos estresses que se vai encontrar aqui.

Para que ficou curioso, há outra forma de chegar a Angola, pela TAP, Transporte Aéreos Portugueses. A Tap é mais organizada, contudo a passagem é mais cara e se passa mais tempo voando. Digamos que estou saindo de Recife para Angola pela TAAG. Primeiro pego um vôo para o Rio e em seguida para Luanda. Já pela TAP sai direto de Recife, contudo são 7 horas para Lisboa e mais 7 horas para Luanda. Do Rio para Luanda são também 7 horas, assim vir pela TAAG é bem mas rápido.

Vou te dizer, é muito estresse, mas como dizia o ditado, a Esperança é ultima que morre. Esperança bem que podia ser o nome da despachante, não é?

terça-feira, dezembro 12, 2006

Confraternização da empresa - Bubú e Kizomba

Esse final de semana houve a festa da holding da qual faço pare. Foi uma festa bem interessante que contou com praticamente todo mundo com quem trabalho diretamente. Esse tipo de integração é importante, nos faz reconhecer em que contexto estamos inseridos e de que forma contribuímos. Além disso, pude conhecer o outro sócio da minha empresa, um cara legal, me pareceu bem comunicativo.

Como estamos em Angola a exigência para ir para a festa era estar trajando um Bubú. Bubú é um traje típico de Angola, bem colorido, e que podemos ver no cotidiano pessoas usando essa roupa. Uma roupa bem colorida carregada de simbolismo, é legal ver o povo identificado por sua cultura.

Durante alguns minutos pudemos fazer parte dessa comunidade e toda a sua riqueza. Além das roupas a festa contou com uma série de música típicas que tenho certeza que fariam muito sucesso no Brasil. São músicas simples, mas em um ritmo muito gostoso de ouvir. Dentre os estilos que já conheci estão: Kizomba, Semba, Tarrachinha, Cú duro e a Dança da Família.

A Kizomba é a mais legal, lembra um pouco o forro. É uma dança em casal em que os movimentos são suaves com a sensação de uma sincronia entre o par. Diferente do forro em que não mechemos muito o tronco, na Kizomba o balanço do corpo é que faz toda a diferença. A Dança da Família tem esse nome por lembrar uma Macarena. A musica um pouco agitada e com uma coriografia em que todos participam, muito interessante.

O povo Angolano é realmente muito animado e uma festa com eles nunca fica parada. Eles sempre que começam tocar uma música sem põem a dança. Os Brasileiros, coitados, ficam tímidos em um canto, mas os Angolanos vão logo puxando pela mão e levam todos para dançar. Uma festa onde há Angolanos é sucesso garantido.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Igreja Universal do Reino de Deus


O país realmente está aberto para novos negócios. Uma das construções que mais chama a atenção por toda cidade, seja pelo seu tamanho, seja pela quantidade de pessoas que circulam nesses “templos”, é a Igreja Universal do Reino de Deus.

Outro dia estava lendo no jornal um artigo que falava justamente da Igreja Universal. O jornalista se dizia um ex-fiel e que em tom de desabafo demonstrava toda sua decepção para com a instituição. No relato foi colocado a forma como os pastores invocavam as pessoas que não pertenciam a igreja como sendo “feiticeiros”. Após uma análise da forma como a igreja funciona o jornalista conclui, “Os feiticeiros são os pastores da Igreja Universal”. Desabafava sobre a forma como os pastores tiram dinheiro da população e como essa continua cada vez mais pobre. Criticava também a falta de ações sociais por parte da entidade que apenas se concentra em conseguir mais dinheiro dos fieis. Ele também questionava o fato dos templos serem tão grandes e cada vez mais ricos enquanto que os fies estavam cada vez mais pobres. Além disso ele relatava as promessas de emprego e dinheiro que eram feitos para chamar as pessoas que não fazem parte para participar. A promessa é clara, faça parte e ganhe dinheiro. Como uma igreja pode prometer uma coisa dessas.

Assim como no Brasil essa entidade, a Igreja Universal, que possui até plano de negócio e investimento para se criar uma empresa dessas, com metas de lucro e auxílio ao franqueado, vem sugar a população. Particularmente não consigo expressar em palavras o meu sentimento negativo sobre esse tipo de pessoas que se aproveitam do desespero alheio, principalmente dos mais humildes e ignorantes, para tirar dinheiro.

Por outro lado há de se ver um dos lados positivos dessa igreja, os fieis ficam mais dóceis. Com isso nos locais que existem a igreja a tendência é a população ficar mais calma e menos violenta, o que leva a outro ponto negativo. Lembro do deputado federal Brasileiro que foi pego com dinheiro em um avião, dinheiro não, malas de dinheiro. Uma vez o povo mais dócil fica mais fácil manipular suas mentes em prol de mais corrupção.

Impressionante, onde houver pobres e pessoas desesperadas, sempre haverá pragas como essa Igreja. Fico abismado como as pessoas não percebem que tudo não passa de um truque para tirar o dinheiro delas, realmente uma pena.

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http://pt.wikinews.org/wiki/Deputado_brasileiro_da_Igreja_Universal_do_Reino_de_Deus_%C3%A9_detido_com_7_malas_de_dinheiro

Brasil — O Departamento de Polícia Federal deteve na manhã desta segunda-feira (11), no aeroporto de Brasília, um deputado, duas mulheres e dois pastores. Eles eram passageiros de um avião particular Citation 10, pertencente ao Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Com os passageiros a polícia encontrou sete malas cheias de dinheiro. O piloto e o co-piloto do avião também foram detidos.

O deputado detido é João Batista do Partido da Frente Liberal (PFL) e bispo da IURD. Com ele foram encontradas sete malas cheias de dinheiro, com notas de R$ 10,00 a R$ 100,00. Estima-se que o valor total das malas chegue a R$ 6 milhões.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Xixi na rua

Imaginem a cena: Um super engarrafamento voltado para casa, super mesmo, tipo 2:40 h para chegar. Aquele monte de carros que parecem não ter fim e muita vontade chegar. A conversa já começa a se repetir. Olho para a cara do motorista e seu olhar denuncia que se eu falar qualquer coisa, o mínimo que vai acontecer é ele olhar para mim com cara de quem quer me matar. Algumas pessoas passam vendendo pipoca, cabides de roupa, sapatos, comida, mas sinceramente, se oferecessem um atalho para chegar rápido eu seria capaz de pagar até uns U$ 100,00 dólares.

Quando tudo parasse fadado ao marasmo e a irritação, eis que surge de um Corola “Rabo de Pato” - já explico o que é isso. Uma senhora negra sai do veículo, provavelmente Angolana, bem vestida, com uma saia longa, aparentando um bom nível social quase uma socialite. Delicadamente ela sai do seu veículo numa classe que poder-se-ia chegar a pensar que esta descia para uma festa, na base de uma grande escadaria de mármore, no melhor estilo baile de debutantes. Olho para aquela mulher e minha imaginação vai longe, imagino a sua vida e que coisas fantásticas ela deve realizar. Penso como seria bom ter alguém ao meu lado e como minha vida seria muito mais prazerosa e tranqüila nesse lugar. Uma companhia de classe e estilo que pudesse me mostrar o melhor de Luanda, suas belezas e segredos que só quem é da terra conhece. Meu coração pulsa acelerado ao vê-la se aproximar do meu lado do carro, o do carona. Eu estava próximo à calçada, o que deixava o terreno livre para uma conversa informal sobre qualquer assunto, afinal, o que iríamos falar seria o menos importante, queria mesmo era conhecer aquela mulher de cabelos bem cuidados, roupa fina e um boca carnuda que até a Agelina Jouli ficaria com inveja.

No ápise da minha viagem, essa mulher passa por mim e se direciona para próximo ao muro, que estava ao meu lado. Sem sequer olhar para os lados e sem nenhuma cerimônia, puxa a saia para cima como se tivesse sido contratada para aquilo. Minha cabeça vai a mil e a essa altura todo mundo do meu carro, a exceção do motorista, está olhando para aquela bela mulher que de forma simples mais provocante continua a subir sua roupa.

Como que acordado de um sonho bom, ou melhor, iniciando um pesadelo, aquela mulher simplesmente baixa a calcinha e sem a menor cerimônia faz um belo de um xixi. Meu queixo veio na altura do joelho ao ver cena tão difícil de imaginar no Brasil. A mulher que até pouco tempo eu estava fantasiando em conhecê-la tinha feito um xixi para todo o engarrafamento ver. Todo o meu encanto acabou.

Perguntei ao motorista sobre aqui, ele sem sequer virar o rosto, disse que aquilo era normal. De fato com o passar dos dias fui vendo que as mulheres fazem se a menor cerimônia xixi nas ruas. Diferentemente dos homens que pelo menos se escondem atrás de um poste ou muro, as mulheres baixam onde estiverem e fazem.

Cultura realmente é algo que pregar peças, xixi em Angola é assim, tudo muito normal e natural. Deve até ser legal, no meio de um engarrafamento da uma boa relaxada. Entretanto tenho que confessar, não é nada normal para mim, todo o encanto por aquela mulher foi por água abaixo, ou melhor xixi a baixo.

Ah, Rabo de Pato é um modelo de Corola da Toyota do tipo Hatch ou Hatchback se preferirem. Durante muito tempo foi o carro mais importando para Angola vindo da Europa. Ainda se vem muitos exemplares desse na rua, alguns novos outros nem tanto e alguns que deveriam estar parados a muito tempo. Logo acima da mala tem uma pequena saliência, tipo um pequeno aerofólio que por ser arredondado dá a impressão de ser um rabo de um pato.

Internet, o mundo todo conectado, menos eu!

Oh saudade dos tempos em que eu somente fazia ligar o computador para estar conectado na Web. Esse processo era tão automatizado e simples para mim que nunca pensei que iria passar por tanta dificuldade.

Aqui, nessa terra maravilhosa que é Angola, tenho passado maus bocados com a minha conexão. Em casa, no condomínio, existe um link que é mais lento que o meu de casa em Recife e é compartilhado com 100 apartamentos, só há um para todos os moradores, resultado, a internet discada do Brasil é mais rápida do que a que tenho na minha casa aqui no Talatona.

Minha salvação que até então vinha sendo conectar do trabalho, foi por água abaixo. Por uma questão administrativa não pagaram a conta da internet. Já começo a olhar a internet de casa com outros olhos, pois, apesar de esta se comunicar através de sinais de fumaça, ainda assim se comunica. Já no trabalho, só lamento, torcer para as pessoas serem visitadas pela fada do Peter Pan, Sininho, ou quem sabe uma lâmpada do Aladin, e do dia para a noite aprenderem a se organizar.

A quem pensar em vir para o país, tenha em mente, aqui, do ponto de vista de facilidades do dia a dia, é tudo muito complicado. O bom é que será você quem vai construir, assim, por favor, acerte, senão vai ter outro cara daqui a alguns anos reclamando como eu.

Ai ai, ainda vou penar muito com coisas simples aqui nesse país. Mas continuo dizendo, foi a melhor decisão que já tomei na minha vida. Continuo muito feliz, doido para rever a família, mas querendo voltar e realizar um grande trabalho. Que venham os anos.