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terça-feira, julho 31, 2007

Huambo – Desembarque – Parte 2

Huambo - Aeroporto


Huambo - Aeroporto


O bimotor segue por uma pista longa e pela janela eu não vejo nem sombra do aeroporto. Percorremos uma boa parte da pista, que parece ser capaz de receber aviões bem maiores ao que estou. No final da pista, quando paramos totalmente, damos uma volta de 180 graus e retornamos pelo caminho que acabamos de passar. Dois minutos se passam e me pergunto: será que é isso que chamam de táxi aéreo... Não sei se vão entender a piada – passeio pela pista, táxi... Bom, cheguei ao prédio onde vamos descer.

Como havia sentado na primeira cadeira da primeira fila, fui o primeiro a desembarcar. Assim como na partida ao desembarcar um tapete vermelho está estendido, cheio de pompa essas viagens. O prédio é simples e vejo mais à frente duas entradas, uma diz passageiros e a outra bagagens, foi fácil saber para onde ir, lógico. Percebo obras, vou descobrir na volta a Luanda que existe um projeto de ampliação em execução.
Huambo - Aviões parqueados


A primeira parada é na imigração que analisa meus documentos. Com uma cara de poucos amigos o agente carimba minha passagem, anota o meu nome e pergunta onde vou ficar. Informo que existe uma pessoa esperando por mim na saída. O agente devolve meus documentos e me libera.

Inusitado foi local para pegar as bagagens, mais parece um local de inspeção. Nada de esteira rolante ou coisa parecida, apenas uma estrutura metálica onde serão depositadas as bagagens. Como aqui em Angola os Angolanos não gostam de fazer fila, ou bixa se preferir, fica aquela agonia para pegar as bagagens. O carrinho com os pertences dos passageiros chega e cada um vai indicando qual é a sua. Nenhum controle para sair, mas isso é até compreensível, afinal de tão pequeno, poucos problemas de extravio de bagagem devem ocorrer. Esqueço que não estou no Brasil e mantenho a minha neura de estar a todo o momento olhando para as minhas coisas com medo que algum espertinho leve.

Já na saída Dona Helena me aguarda, ela é funcionária do INLS e veio com o Sérgio para Huambo. Subimos no carro sinalizado e seguimos até o local dos treinamentos. Estou animado.
Huambo - Esteira de bagagens

segunda-feira, julho 30, 2007

Huambo – Saída de Luanda – Parte 1

Terça-feira 24 de julho de 2007, finalmente vou conhecer a primeira província, Huambo. Foram uma série de desencontros e reorganizações de cronograma até chegar a essa primeira viagem. Para as próximas semanas viagens a Benguela, Namibe, Lunda Sul, Lunda Norte, Zaire e Cabinda. As províncias, que são o mesmo que estados, são 18 no total, sendo Luanda uma delas.

Tudo ao meu redor treme, escrevo em pleno vôo em um avião bi-motor da Embraer da companhia Air26. Hoje realmente foi um dia de estréias, nunca havia andado em aparelho assim. Abordo aproximadamente 30 pessoas, contando com a tripulação, sendo três na cabine e mais a comissária de bordo. As hélices fazem muito barulho, parece que estamos no meio de um liquidificador. Apesar de estar com o fone de ouvido a 70% do volume, quase não escuto a música.

Aeronave que fui a Huambo


Acordei cedo e atrasado. Havíamos combinando de sair as 6:00 horas da manhã, mas não sei porque coloquei na cabeça que eram as 6:30 h, assim as 6:30 h estava lá em baixo. O carro saiu apertado com o motorista Judy, André Leão na frente e eu, Ana Flávia e André no banco de trás. Estavam todos com aquela cara de sono, de abuso mesmo, mas eu parecia um menino, estava excitado com a viagem e quase não encosto no banco. Após deixar a tropa no Josina Machel para mais um dia de trabalho, seguimos para aeroporto de vôos domésticos.

Os vôos domésticos são realizados uma espécie de anexo do aeroporto 4 de fevereiro, ou se preferir o aeroporto internacinal. Passamos por uma rua que está sendo reformada, mas que agora é pura terra. A reconstrução do pais ainda me assusta, são obras por todo lado. Chegamos na entrada, um estacionamento pequeno na frente. O vigilante não queria me deixar desembarcar sem pagar 100 Kwanzas, após argumentar consegui seguir sem desembolsar nada.
Sala de embarque do aeroporto doméstico de Luanda


É recomendado realizar a primeira viagem com alguém que já tenha feito isso antes, havíamos programado assim, todavia problemas acontecem e é necessário improvisar. Como não conseguimos bilhetes no mesmo dia, vou encontrar com o Dr. Sérgio no local, ele embarcou ontem. Sozinho no aeroporto tudo é novidade. Tenho que tirar de letra essas dificuldades. Foi mesmo assim, como diriam os Angolanos, pergunta daqui, se esquiva dali e consegui fazer o check-in. A minha bagagem de mão teve que ser despachada, quando cheguei ao avião entendi, realmente não tem espaço para acomodá-la.

Antes de chegar à sala de embarque tive que passar pelo oficial da imigração. Angola está mudando as suas leis de imigração e foi necessário um pouco de conversa para ele me deixar passar. Os meus documentos estão todos corretos e válidos, passei afinal.

Ontem não consegui dormir cedo, cheguei a sala de espera, coloquei o Ipod e fiquei cochilando sobre a mala do note book. Estava naquele esquema, um olho no peixe e outro no gato. Após pouco mais de 1 hora e meia chamaram para o embarque.
Luanda - Aeronave na pista


Hélice do bi-motor Embraer


Gostei muito de ver a aeronave no pátio, com aquelas grandes hélices. A escada parece bem frágil e subimos com ela fazendo barulho. Sento logo na primeira cadeia, perto da porta. A aeromoça fala os procedimentos de segurança e quando chega ao momento em que ela explica os procedimentos para o caso de um pouso de emergência, só consigo pensar: "Vira essa boca para lá". O comandante deu as boas vindas e falou isso em dois idiomas. Até ai nada de novidade, a primeira língua foi o português, já a segunda foi Umbundo, essa é a língua nativa da província de Huambo. Bem legal, estou em África.

Já vamos pousar, tenho que desligar o note. Huambo ai vou eu.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Dificuldades para viajar – Para que facilitar se pode complicar?


Esse fim de ano tenho esperado de forma ansiosa a minha primeira volta para o Brasil. Havíamos, eu e minha família, combinado de passar o natal em um hotel comemorando o bom ano que tivemos. Estava tudo certo, eu já havia falado com o meu chefe e combinamos, desde a minha chegada, que eu voltaria para o Brasil para as festas de final de ano. Mas, no caminho havia uma pedra, e a dificuldade tem um nome, Angola. Estou pensando seriamente que a programação do natal vai dançar.

Nem venha pensando que todo são flores por aqui, porque não são mesmo, assim tudo começa com a DEFA (Direção e Emigração e Fronteiras de Angola). Essa entidade é a responsável por emitir os vistos. Essa questão dos vistos é outra novela, pois, para dar entrada no visto de trabalho, e até que ele saia, passam-se de 10 a 12 meses, isso mesmo, um ano. Como visto de trabalho demora a maioria das pessoas aqui entra no país com o visto ordinário.

O visto ordinário é o equivalente ao visto de turista e vale por 3 meses. O complicado nisso é que ao entrar no país não é possível simplesmente entrar em passar 3 meses, como acontece não Brasil, aqui é preciso renovar o visto a cada 1 mês. Assim, ao final de cada mês, é preciso mandar o passaporte para a DEFA para que esta prorrogue o visto. Como todo serviço público do Brasil, aqui também essa agencia é complicada e a renovação do visto demora em média 20 dias para sair. Desta forma quando o passaporte chega, já está na hora de mandar de novo para a DEFA renovar. Há pessoas que chegam a ficar os 3 meses aqui sem tocar no passaporte, este está sempre na renovação. Além disso, já ocorreram casos de DEFA perder o passaporte no meio de tantos e a pessoa ficar sem recebê-lo, nesse caso, o único jeito é pedir um salvo conduto.

O salvo conduto é um documento que é emitido pela embaixada do Brasil, dizendo que você perdeu o passaporte e que pode entrar no Brasil. Se a DEFA não entregar o passaporte essa é a melhor solução, desculpem a única. Contudo tem um detalhe, o salvo conduto só pode ser usado você estiver viajando de TAAG (Linhas Aéreas de Angolanas), pois essa companhia é a única que vai de Angola direto para o Brasil e sem passaporte você não pode passar por outros países.

A TAAG é outra agonia. Para começa a empresa não emite o seu bilhete de embarque com antecedência, apenas faltando de uma semana a dez dias para o embarque. Mesmo que se tenha a passagem na mão, é preciso ficar correndo para tentar marcar a data. Para falar com a TAAG é uma complicação, na verdade toda vez que é preciso conseguir alguma coisa com algum Angolano é complicado, mas isso é outra história. Para se conseguir marcar a passagem, bem como dar tramite na DEFA, é necessário um bom despachante. O grupo de empresas para o qual trabalho tem 3 pessoas trabalhando só para isso, tamanha a dor de cabeça que é esse negócio de passagem e passaporte.

Outro grande problema da TAAG é que a qualquer momento pode chegar uma pessoa mais importante, isso também é outra história, e derrubar a sua reserva. Assim ao se vir para Angola tem que estar preparado, pois voar é apenas um dos estresses que se vai encontrar aqui.

Para que ficou curioso, há outra forma de chegar a Angola, pela TAP, Transporte Aéreos Portugueses. A Tap é mais organizada, contudo a passagem é mais cara e se passa mais tempo voando. Digamos que estou saindo de Recife para Angola pela TAAG. Primeiro pego um vôo para o Rio e em seguida para Luanda. Já pela TAP sai direto de Recife, contudo são 7 horas para Lisboa e mais 7 horas para Luanda. Do Rio para Luanda são também 7 horas, assim vir pela TAAG é bem mas rápido.

Vou te dizer, é muito estresse, mas como dizia o ditado, a Esperança é ultima que morre. Esperança bem que podia ser o nome da despachante, não é?