Mostrando postagens com marcador antonio spindola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador antonio spindola. Mostrar todas as postagens

terça-feira, agosto 12, 2008

Spíndola - Novo certificado PMP - Gerenciamento de Projetos

Fiquei muito feliz quando recentemente consegui uma importante certificação na área de gerenciamento de projetos, a certificação PMP do PMI. Escrevi um e-mail aos amigos e mandei para todos. Gostaria de dividir com as pessoas que acessam o blog.


E-mail:

Amigos

A comemoração faz parte de toda conquista. Sempre nos trás felicidade quando um amigo atinge uma conquista. Esse o meu propósito nesse e-mail, dividir com todos uma conquista.

Recentemente conquistei uma importante certificação na minha área de atuação. Como gerente de projetos um título como esse ratifica a experiência acumulada dando mais credibilidade as minhas ações e decisões. A certificação PMP – Project Management Professional, concedida pelo PMI – Project Management Institute, www.pmi.org – é a mais reconhecida certificação para gerentes de projetos do mundo.

Hoje trabalho na África, Angola, e com meu trabalho espero contribuir de forma responsável para a melhoria de vida das pessoas atingidas pelos restados dos projetos.

Gostaria de agradecer o apoio de pessoas fundamentais nesse processo que com certeza são co-responsáveis pela conquista. Lígia que abdicou de muitos finais de semana e noites, enquanto eu estudava, sempre ao meu lado apoiando e acreditando. Minha família que sempre me incentiva e me apóia. Vocês são fundamentais, obrigado.

A quem interessar conhecer mais sobre o PMI e a certificação PMP alguns links.

Um forte abraço a todos e mandem notícias.

Antônio Spíndola

Gerente de Projetos – PMP

quinta-feira, março 06, 2008

Redondo, redondo, estou cada dia mais.... Redondo!!!


Oh saudade do tempo em que minha casa ficava dez minutos do trabalho, a academia a dez minutos de casa e por sua vez academia e o trabalho a dez minutos. Era um triângulo muito cômodo, adorava minha vidinha de acordar tarde e chegar na hora para bater o ponto e melhor ainda sempre almoçar em casa. A melhor parte porém, ou melhor, as melhores partes, eram justamente ir parar a academia ao meio-dia e não pegar engarrafamento.

Ontem, foi mais um daqueles dias normais em Luanda. Para chegar ao trabalho demorei 2h e meia, a volta para casa mais 2h e meia. Toda vez que pego trânsito me pergunto se as autoridades dia Angola não ficam presas no engarrafamento. Não é que seja chato... é que é muito chato mesmo.

Sempre me perguntam como é viver em Angola. Uma resposta clássica é que boa parte do meu viver se passa dentro de um carro, e olhe que a distância entre a minha casa e trabalho são de apenas 16 km. Nunca pensei que pudesse existir em um trânsito tão caótico como de Luanda. O pior é ver aquelas máquinas incríveis como as BMW, Mercedes, Hummer, Audi, Porche, Jeep, e outra infinidade de carros que alguns eu sequer conhecia, parados, presos sem poder se mexer em meio aquele mar de carros se movendo a 5 km/h.

Se juntar todo meu cansaço e essa disposição para a academia com toda a facilidade que Angola tem para se fazer regime, chegamos na fórmula de eu estar tão redondo. Realmente não me orgulho disso e fico pensando que quando voltar para o Brasil vou entrar na academia e pagar um personal trainner.

A minha compensação por enquanto tem sido trabalho e pensar que em breve terei a minha certificação.

Amor, não fica brava, é o trânsito!

quarta-feira, março 05, 2008

A residência dos leprosos

Recentemente estive na província do Cunene. Chamou-me a atenção, nos fundos do hospital, a existência é algumas pequenas cabanas feitas de alvenaria. Era realmente muito interessante rever aquelas construções que pareciam abandonadas.

Antes mesmo que eu pudesse perguntar ao guia do que se tratavam e foi explicado. Esse local era antigamente a residência pessoas leprosas, como o mesmo chamou. As pessoas doentes ficavam confinadas nesses ambientes e podiam circular apenas próximo à sua moradia. Pelo que foi contada se previa alguém para tomar conta das pessoas e garantir que elas não saíssem do local.

Recentemente as construções estavam sendo usadas como apoio para a epidemia de cólera, mas no momento estão desativadas.

As pequenas casas são herança da época colonial, construídas e pelos portugueses hoje servem mais como lembrança do tempo que se foi.

terça-feira, março 04, 2008

Feriado no domingo em Angola se comemora na segunda

Quem disser que não gosta de feriado com certeza não sabe aproveitar o seu tempo livre. Em Angola uma característica muito especial da cultura chama a atenção. Todas as vezes que o feriado cai no domingo este é automaticamente colocada para segundo. Para a lógica local, é quase um sacrilégio perder feriado, então se ele cai no domingo, nada mais justo que jogar para segunda-feira.


Angola é recheada de feriadão, o primeiro semestre então... lembro no ano passado várias segundas-feiras seguidas com aquele belo fim-de-semana prolongado.

Entretanto não concordo com senso comum que o feriado de um dia de preguiça. Se você é comprometido com os seus objetivos então deve utilizar a semana inteira para trabalhar. Os feriados e finais de semana serve para realizar outras atividades digamos pessoas. Particularmente gosto muito de cozinha e se você quiser ser uma cobaia gastronómica é só dar uma ligada.

Semana passada fiz tomates secos. Eu não fazia ideia o Tanto que demora para eles ficarem prontos. São 10h forma, mas realmente ficou uma delícia.

Façam bom proveito no final de semana, principalmente em Angola.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Dundo – Lunda Norte - Curiosidades

A cidade do Dundo apesar de muito pitoresca (não sei porque coloquei essa palavra, mas falando em voz alta parece até meio ridículo, quer ver? Fale ai PITORESCO KKKK), ainda precisa melhorar a infra-estrutura. Fomos ao que indicaram ser o melhor restaurante da cidade. Esse era muito simples e a garçonete muito simpática. Fico sensibilizado, pois em lugares como esse as pessoas oferecem o que tem de melhor, valorizo muito isso. Por conta disso que afirmo que apesar de simples adorei cada momento que estive nessa cidade.

Como a intenção é falar das curiosidades, lá vai. Nesse restaurante os pratos do primeiro dia eram dois, ou fungi ou mão de vaca, só. Apesar do cardápio não ser enorme comi com muito gosto a mão de vaca. O importante nesses lugares é não ter frescura, caso contrário ta lixado (lixado = lascado, ferrado, ...).

Almoço no melhor restaurante da cidade


Vamos às acomodações. O melhor e único hotel da cidade, que por uma questão de preciosismo não vou colocar o nome, tem um dono que é mais grosso que papel de enrolar prego. A criatura contamina o ambiente e por conta disso os serviços no hotel são bem ruins. É preciso colocar que a diária nesse hotel é de 130 dólares. Tem hora para apagar a luz, falta água o tempo todo, sem serviço de quarto e as baratas fazem parte do pacote. Por conta desses pequenos problemas (fala sério) fiquei em uma pousada.

Na pousada fui muito bem recebido pela dona que com aquela simpatia de interior foi me mostrar as acomodações. O preço, uma pechincha, 100 dólares sem café da manhã. Eu já sabia que estava ferrado antes mesmo de entrar no quarto, mas vamos lá. O quarto duas camas, estava até limpo. A porta não fechava muito bem em baixo e deixava passar alguns mosquitos, se não fosse a malária estava tudo certo. Então fui ao banheiro... Ai ai, deixa eu descrever... O banheiro era grande e sujo, como se diz em Recife, teia de aranha era bóia (quando uma coisa é “boia” é porque tem muito), escuro e sem luz. Uma pequena janela estava aberta e tinha tanto mosquito que desejei ter um sapo de estimação. A pior parte, além do chão sujo e o vaso sem tampa, não tinha chuveiro. No recinto apenas uma banheira suja com uma torneira para tudo, banho, escovar os dentes, barba,.. Vamos lá, só tem tu vai tu mesmo, fico com esse. Foi então que a senhora me falou do pequeno problema: - “Meu filho só tem ponto, estamos com poucas vagas e você vai ter que dividir o quarto com outra pessoa”. Nessa hora eu não agüentei, ai já é demais, sei lá quem é esse cara... Só pensava no cara roncando no meu ouvido a noite, sem falar em todos os outros inconvenientes. Respondi: - “Nem a pau juvenal”. Na verdade não respondi assim não, mas a historia ficaria melhor contando dessa forma. Disse que não, foi então que ela ia ver o que podia fazer.

Pousada - Reparem no detalhe da porta e da janela que falo no post


Passados alguns minutos ela falou que havia outro quarto. Esse era melhor e com ar-condicionado e tudo, até que gostei e sem mosquitos. O banheiro tinha chuveiro, frio, mas estava muito melhor que o outro. Agora os problemas... O forro de cama não foi trocado, tenho certeza que dormi na poeira deixada pelo último hospede que por sinal teve suas coisas retiradas enquanto eu entrava no quarto. Nada de toalha e eu esqueci de trazer a minha, resultado, fiquei três dias me enxugando com uma camisa. No terceiro dia essa camisa estava com um cheiro, que nem eu estava agüentando. O banheiro não tinha luz e como a janela estava fechada por conta dos mosquitos eu não via nada. Em um dos banhos o sabonete caiu, rapaz que trabalho que deu par achar. Fiquei tateando com o pé e rodando feito uma barata tonta, até lembrei das brincadeiras de criança de gato mia. Estou pensando seriamente em instalar um bip no sabonete para achar mais fácil ou ainda uma luz de emergência no estilo daquelas da tropa de elite.

Por falar em tropa de elite, vou trazer o capitão Nascimento para o Dundo, tenho certeza que ele só vai realizar os treinamentos aqui, afinal, quando a pessoa chega, a placa de boas vindas deveria ter a seguinte frase: “01, pede pra sair!!!”

Tirei uma foto do meu amigo da pousada. Detalhe essa luminária tem uns 35 centímetros de diâmetro. A parti de hoje batizo ele de “Aspira”.

Aspira - Meu amigo da pousada


Fui ao maior supermercado da cidade, que fica bem ao lado do obelisco e do banco. Lá só encontrei latas, suco, água e bolacha Maria. Como na pousada não havia café da manhã e muito menos jantar, foram três dias de café da manhã e jantar a base de bolacha Maria e suco de maça. Chupa essa manga!!!

No final da viagem me levaram para conhecer o zoo da cidade. O passeio foi ótimo e pela primeira vez pude ver alguns bichos diferentes na África. Dá para acreditar que ainda hoje me perguntam no Brasil se tem leão no meio da rua em Luanda? Sem noção.

Jacarés


Águias


Macaco


Para arrematar na porta do aeroporto encontrei algo realmente curioso. São vendidas, como um tipo de petisco, larvas assadas. Isso mesmo, larvas, elas são tiradas das inúmeras árvores da cidade, assadas e consumidas como tira gosto. Arrependi-me de não ter provado!

Comércio na porta do aeroporto


Insetos como tira gosto - Vai encarar?


Obrigado pela hospitalidade Dundo!

terça-feira, julho 31, 2007

Huambo - A Cidade – Parte 3

A capital da província de Huambo tem o mesmo nome. Haviam me informado que Huambo tem aproximadamente 2 milhões de habitantes, pensei que fosse a cidade, mas na verdade é a província toda. Juntamente com a província de Bié, esta localidade foi a mais destruída pela Guerra. A máquina fotográfica está a postos para registrar tudo o que eu puder.

Já na saída do aeroporto vejo alguns galpões abandonados e sem o telhado. Percebo também muitas marcas de bala. Passamos por uma praça com algumas estátuas e nelas também é bem visível os buracos dos projeteis. Fico imaginando a loucura que foi isso a poucos anos atrás. Existem também prédios novos e sem nenhuma marca, vejo máquinas e material de construção por todo lado. Mais a frente fazemos um desvio, várias são as ruas sendo asfaltadas.

Huambo - Galpão abandonado


Passamos por uma grande praça totalmente restaurada. Infelizmente não consigo tirar uma foto, devido à posição do carro. No meio desta um grande obelisco e uma estátua que me disseram ser do Agostinho Neto. Viramos a direita e nesse momento consigo tirar uma foto de uma casa bastante destruída, com vários buracos. Essa parte da cidade parece estar menos restaurada, só vendo a imagem para entender do que estou falando.

Huambo - Casa das balas


Outras tantas ruínas e muitas, muitas marcas de bala. Passamos pelo banco nacional de Angola, que foi restaurado, realmente muito bonito. Uma passada rápida no hotel Nino para deixar as malas, tomar um banho e trocar de roupa e estou pronto para seguir para o treinamento.
Huambo - Ruina do Nova York Social


Huambo - Ruinas


No prédio onde os treinamentos ocorrerão, uma estrutura simples, mas limpa e organizada. Subimos duas escadas até o segundo andar. Lá aviso um prédio de uns 10 andares com a parte superior totalmente destruída. Disseram-me que foi um bomba lançada, a imagem impressiona.
Huambo - Bomba no telhado


Sou apresentado a turma, como são quase 15:00 h vamos almoçar. Um bom e velho bitoque é o prato do dia em um restaurante gerenciado por uma Portuguesa. Para quem não conhece o bitoque, este é um prato que em qualquer lugar de Angola pode ser pedido. Absolutamente qualquer birosca vende. Bife (ou prego se preferir), salada, arroz e batata frita, simples e gostoso.
Huambo - Turma do treinamento


Na volta já sigo para treinamento. A minha apresentação corre sem problemas, todos os alunos se saíram muito bem. No dia seguinte vamos continuar, está previsto o inicio as 8:30 h até as 12:00 h.

Volto para o hotel próximo as 18:00 h, combino com Sérgio de descansar um pouco e nos encontrarmos no restaurante do hotel as 19:30 h. Assim que Sérgio sobe para o seu quarto, coloco vou a rua rapidamente para dar uma espiada. Realmente esse não é o meu ambiente, não vou me arriscar a sair sozinho, melhor voltar para o quarto.
Huambo - Hotel Nino


Após tomar um banho deito na cama, coloco o despertador do celular só por garantia, essa foi minha salvação. Quase que instantaneamente pego no sono. Acordo com celular tocando, é hoje que eu jogo esse danado no chão. Chego a implorar para o aparelho por mais 10 mim. Marquei com Sérgio e não quero me atrasar. Saio da cama, quase que me arrastando. Outro banho está fora de cogitação, falta coragem. Lavo o cabelo e passo uma água no rosto, isso deve bastar. Coloco a calça jeans e sigo para o restaurante no térreo.

Sérgio já esta me esperando na mesa. Lá ele me disse que é por hábito encomendar a comida com antecedência. Sabendo disso ele deu um pulo à tarde e marcou para aquele horário um bacalhau, excelente escolha.

Já com a barriga cheia só consigo pensar na minha cama, que por sinal é muito boa. Nessa seqüência, tirar a roupa, deitar e apagar, ainda bem que já havia programado o despertador para o dia seguinte.

O segundo dia de treinamento foi novamente tranqüilo. Após a manhã com os alunos vamos almoçar em um restaurante muito simpático, aqui também é necessário encomendar a comida, assim vamos no bom e velho bitoque novamente.
Huambo - Restaurante Novo Império


Sérgio vai seguir para o Bié de carro e eu vou para o hotel. Comprei a minha passagem pela Air Gemini na tarde de ontem, pouco depois de ter chegado a cidade. Está marcada para a quinta-feira, amanhã.

As 15:00 h sou deixado no hotel e marco com o ponto focal, que vai me levar ao aeroporto, para as 9:00 h. Como não me arrisquei a sair sozinho, fiquei no hotel trabalhando até mais ou menos umas 19:00h. Já havia aprendido na noite anterior, assim, por volta das 16:00 h passei no restaurante e encomendei outro bacalhau, dessa vez apenas com legumes, bem ligth.

Ao chegar no quarto abri as janelas e fiquei pensando... Família, trabalho, amigos, Angola, Brasil, estudos, internet, PAN... Não sei ao certo quanto tempo fiquei refletindo, será que isso que é filosofar? Viajei eh??? Estou em África, como eles dizem aqui, faz parte. Fui acordado por um por do sol que invadiu o ambiente e meu coração com jeito de presente. Vermelho intenso a terra que cobre todos os cantos. Vou sempre lembrar do crepúsculo daqui, o mais lindo de todos, nem mesmo o de Brasília, Rio de Janeiro ou Fernando de Noronha tem o fim de tarde como o da África... Lindo.
Huambo - Por do sol


O jantar estava ótimo, muito gostoso mesmo. Batatas, cenoura, couve e o bacalhau, bem preparado, com pouca gordura, do jeito que eu gosto. Bem servido, após pagar a conta, subi para o quarto, sabia que iria pegar a estréia do basquete masculino no Pan. O jogo foi legal, depois foi só enrolar um pouco nos canais para esperar o sono chegar. Acerto o despertador e bons sonos.

Huambo – Desembarque – Parte 2

Huambo - Aeroporto


Huambo - Aeroporto


O bimotor segue por uma pista longa e pela janela eu não vejo nem sombra do aeroporto. Percorremos uma boa parte da pista, que parece ser capaz de receber aviões bem maiores ao que estou. No final da pista, quando paramos totalmente, damos uma volta de 180 graus e retornamos pelo caminho que acabamos de passar. Dois minutos se passam e me pergunto: será que é isso que chamam de táxi aéreo... Não sei se vão entender a piada – passeio pela pista, táxi... Bom, cheguei ao prédio onde vamos descer.

Como havia sentado na primeira cadeira da primeira fila, fui o primeiro a desembarcar. Assim como na partida ao desembarcar um tapete vermelho está estendido, cheio de pompa essas viagens. O prédio é simples e vejo mais à frente duas entradas, uma diz passageiros e a outra bagagens, foi fácil saber para onde ir, lógico. Percebo obras, vou descobrir na volta a Luanda que existe um projeto de ampliação em execução.
Huambo - Aviões parqueados


A primeira parada é na imigração que analisa meus documentos. Com uma cara de poucos amigos o agente carimba minha passagem, anota o meu nome e pergunta onde vou ficar. Informo que existe uma pessoa esperando por mim na saída. O agente devolve meus documentos e me libera.

Inusitado foi local para pegar as bagagens, mais parece um local de inspeção. Nada de esteira rolante ou coisa parecida, apenas uma estrutura metálica onde serão depositadas as bagagens. Como aqui em Angola os Angolanos não gostam de fazer fila, ou bixa se preferir, fica aquela agonia para pegar as bagagens. O carrinho com os pertences dos passageiros chega e cada um vai indicando qual é a sua. Nenhum controle para sair, mas isso é até compreensível, afinal de tão pequeno, poucos problemas de extravio de bagagem devem ocorrer. Esqueço que não estou no Brasil e mantenho a minha neura de estar a todo o momento olhando para as minhas coisas com medo que algum espertinho leve.

Já na saída Dona Helena me aguarda, ela é funcionária do INLS e veio com o Sérgio para Huambo. Subimos no carro sinalizado e seguimos até o local dos treinamentos. Estou animado.
Huambo - Esteira de bagagens

segunda-feira, junho 25, 2007

São João em Angola

Turma da Advance

Começo logo dizendo que a festa superou todas as minhas expectativas. Foi organizada pelo pessoal de uma construtora e um sucesso absoluto sobre todos os aspectos. A organização estava impecável. Um pequeno palco com DJ e muitas musicas juninas, apareceu até um sanfoneiro. Durante a tarde dei um pulo no local para ver se conseguia um ingresso a mais para um amigo e lá conheci os organizadores. Eles foram super atenciosos e mesmo sem haver mais nenhum ingresso a venda, eles me arranjaram um. Obrigado Junior pela sua atenção. Segundo a organização foram vendidos 600 convites ao custo de U$ 20,00 cada. Posso, contudo garantir que foi muito barato, para toda a infra-estrutura montada. Havia barraquinhas de pipoca e bolo de milho e coco, barraca de milho, cachorro quente, canjica e mungunzá. Bebida não faltou desde cerveja a refrigerante. Havia também uma barraca para as crianças com pescaria e uma cadeia no meio do pátio. Na cadeia as pessoas eram presas e soltas sob fiança, baratinho, mas segundo a organização todo dinheiro será entregue para uma instituição de caridade. Na alimentação o churrasco foi o ponto alto. Foram preparados um boi inteiro na brasa e quatro porcos, tudo na brasa, estava realmente uma delicia.
Churrasco de Porco

Logo na entrada a primeira impressão foi ótima e a noite não decepcionou, fui realmente para curtir e dançar. Poucas horas antes havia ligado para minha irmã, ela estava indo para Caruaru, tenho que admitir que fiquei com uma pontada de inveja. Inveja boa, mas ainda assim inveja. Após a entrada enfeitada com palhas de coqueiros, ao redor de um pátio de terra batida as barraquinhas. De um lado a estrutura da churrasqueira e ao fundo o palco. No centro um poste de energia concentrava as bandeirinhas que enfeitavam todo lugar. Foi inevitável ser formarem os grupinhos, mas ainda assim conheci pessoas diferentes. Perto do fim da noite foi acesa uma grande fogueira e apesar da fumaça todo mundo gostou. Não faltou nada.

Spíndola e Ana Flávia na Quadrilha

Próximo a meia noite se formou a quadrilha, eu já havia combinado com Ana Flávia e fomos nos dois. A organização da quadrilha, ou melhor, o puxador foi fraco, mas com certeza esse foi o ponto alto da festa. O noivo subiu ao palco e chamou a atenção de todos os convidados da festa. A noiva muito encabulada entrou na brincadeira e também subiu no palco. Lá em cima, no meio dos por menores do padre, o noivo tomou o microfone, pediu licença e disse que tinha algo importante a falar. Agradeceu a presença de todos e a cada palavra a noiva ficava mais branca. Ele disse ter encontrado a mulher da vida dele em Angola e de forma corajosa e original pediu a mão dela em casamento de verdade. Ao saírem as alianças do bolso o levante foi geral, além de uma salva de palmas. Todos os seiscentos convidados ficaram comovidos. Tenho que tirar o chapéu o cara de se garantiu.
Me diverti muito

Durante a quadrilha, que como já disse estava uma confusão danada, tive a oportunidade dançar com a noiva e Ana Flávia com o noivo. Como estávamos lado a lado pude dar os parabéns, disse que havia sido fantástico a forma como ele se saiu. A noiva não resistiu e encheu os olhos de lágrimas. Tive uma sensação boa e um sexto sentido me diz que esse casório vai dar certo.

No meio da quadrilha havia algumas crianças e como estava muito fraquinha a dança, Ana Flávia foi para o meio dançar com a meninada. Eu que fiquei sem par, fui também e esse foi a melhor parte para mim. Diverti-me um bocado e as crianças também parecem ter gostado.
As crianças no centro da quadrilha

Depois foi voltar o bom e velho forro. Passei o resto da noite dançando até o gastar a sola do sapado. Esse por sinal, que era preto, está marrom, e eu nem tive coragem de engraxar ele ontem à noite, mas de hoje não passa.

Estava sem beber por conta de otite, mas isso não diminuiu a minha animação e depois de tomar coca a noite toda fiquei até tonto. Foi para casa na vassoura, termo usado em Recife para dizer que fui um dos últimos a sair. Dormi feliz e saudade dessa noite até que não apertou tanto.

Mais uma vez parabéns a organização da festa e espero que a próxima aconteça logo.
Nahama, Ana Cláudia, Spíndola, Dani e Fred

segunda-feira, março 26, 2007

28/03 Inauguração do Belas Shopping

Parece que agora sai a inauguração do tão esperado Belas Shopping - www.beleasshopping.com. A primeira data dada para a abertura foi em fevereiro, desde lá muita especulação e várias datas sendo dadas, tudo pelo jeito não passou de boato. Entretanto agora a data prometida é para o próximo dia 28 de março. As campanhas na televisão e no rádio estão a todo vapor o que dá credibilidade a abertura.

Fico imaginando o Angolano médio, por ser esse o primeiro shopping do país, ao entrar nesse novo empreendimento. Tenho certeza que vai mexer muito com a forma como as pessoas locais fazem suas compras. Para se ter uma idéia a maioria das lojas do centro, praticamente todas, fecham para o almoço. O horário de funcionamento do shopping é bem generoso, até mesmo para os padrões Brasileiros, de segunda a domingo das 9:00 h as 22:00 h.

Cineplace - Cinema do Belas


Com certeza além da comodidade das compras, pois nem sempre é fácil achar o que se precisa em Luanda, a abertura do cinema é o mais esperado por mim. Eu que sou cinéfilo de carteirinha mal consigo conter minha empolgação. Novos tempos em Luanda, novos tempo.

A empresa responsável pela administração chama-se Enashopp. Já o investimento é 70% Angolano (HO Gestão de Investimentos – HOGI) e 30 % Brasileiro (Odebrecht Angola). A Odebrecht por sinal foi a empresa responsável pela construção, sendo o total investido de US$ 35 milhões. Durante a construção foram empregadas aproximadamente 1000 pessoas e após a inauguração serão 950 empregos diretos e 2 mil e 500 postos de trabalho indiretos.

O shopping está localizado no bairro de Talatona e fica bem próximo a minha casa. Perto também fica o CCTA (Centro de Convenções de Talatona).

Belas Shopping


Destaco as seguintes lojas no novo shopping:
- Mister Sheik - Comidas Rápidas
- Richard´s - Moda Unissex
- Bob's - Comidas Rápidas
- Cineplace - Cinema
- Ellus - Moda Feminina
- IODICE - Moda Feminina
- Livraria Nobel - Livraria / Papelaria
- Shoprite - Supermercado
- Sushi - Comidas Rápidas

Abaixo um pequeno histórico encontrado na página do Belas.

Historico
A intensificação das relações bilaterais entre Brasil e África resulta na construção do primeiro shopping center de Angola, o Belas Shopping, empreendimento lançado em dezembro de 2005. O shopping center nasce sob a luz do terceiro milênio e signo da modernidade, a partir de investimento total da ordem de US$ 35 milhões. A Enashopp é a responsável pelo planeamento, comercialização e implantação do shopping angolano e, após a sua inauguração, pela administração e operação do equipamento.

O Belas Shopping tem como investidores a HO Gestão de Investimentos – HOGI, empresa angolana com 70% de participação acionária, e a Odebrecht Angola, que além de ser a construtora do empreendimento detém 30% do negócio.

Um dos 54 países do continente africano, Angola tem uma área de 1.246.700 km² e população de aproximadamente 12,9 milhões de habitantes (2000). O Belas Shopping marca a chegada em Angola do ícone da sociedade de consumo, lazer e entretenimento presente em todo o mundo. O equipamento está em um terreno de 119.418,47 m², cravado no bairro de Talatona, na zona sul de Luanda. O projecto arquitetônico é assinado pelos arquitetos baianos André Sá e Francisco Mota.

A HOGI e Odebrecht Angola apostam no desdobramento econômico natural que favorecerá a cidade de Luanda, decorrente da instalação de um grande centro comercial, projetado com a previsão de cinco futuras expansões. “Na fase de construção, as obras vão empregar 1.000 pessoas. Quando for inaugurado, o Belas Shopping irá gerar, inicialmente, 950 empregos diretos e 2 mil e 500 postos de trabalho indiretos”, informou Décio Silva, da HOGI.

sexta-feira, março 23, 2007

Catinga X Sebo. Qual a diferença?

Qual a primeira imagem que vêm a sua cabeça quando falamos a palavra África? Na minha vem a idéia das savanas, o Egito, o deserto do Saara, imagens de muita terra e pouca água. Nesses tempos em que o assunto do momento é o aquecimento global, a questão da água aparece sempre atrelada às discussões.

No Brasil falamos muito sobre seca, hoje em dia menos que nos meus tempos de criança, mas a verdade é que o meu país é super-privilegiado nas reservas hídricas. A água é barata e em abundância, talvez por isso demos tão pouco valor.

Agora junte as palavras África e água, qual o resultado da sua cabeça? Na minha é outra palavra “caos”. Vivendo aqui vejo como essa situação é difícil. A cidade de Luanda que é tomada por grandes Musseques (favelas) tem sérios problemas de abastecimento de água. As pessoas não têm acesso a água em casa. Todos os dias pela manhã, vejo muitas crianças e mulheres indo as vias principais onde os carros passam para pegar água. Algums casas nas via principal, onde devem passar as tubulações de água, tem uma torneira no muro que fica virada para a rua. Nessas torneiras é que se juntam as pessoas todas as manhãs para pegar água em reservatórios ou mesmo em baldes e bacias. São muitas as filas na via e muitas pessoas carregando baldes na cabeça ou em carrinhos se dirigindo as suas casas. Toda manhã a mesma cena.

A higiene é algo que para os padrões que estou acostumado ficam muito a desejar, na verdade a falta de assepsia é algo cultural em Angola. Existem duas palavras para o cheiro “fedor” dos brancos e dos negros. O dos brancos é chamado de “sebo” e nos negros “catinga”, assim se um negro “fede” é chamando de catingoso, já um branco “seboso”. Para o Angolano no não ter catinga é algo broxante. Algumas Angolanas, como a empregada da minha casa, já me disseram que os homens rejeitam as mulheres que não tem catinga. Vai entender...

Esse é um assunto extenso vou me detalhar em pontos específicos em post’s mais a frente. Por hora a lição que já está mais do que repetida: Valorizem a água.


Em tempo: Olha a definição do Aurélio para Musseque.

musseque
[Do quimb. museke, ‘quinta’; ‘lugar de areia’.]
Substantivo masculino.
1.Angol. Bairro pobre na periferia de Luanda, capital de Angola (África):
“Os musseques são bairros humildes / de gente humilde” (Agostinho Neto, Sagrada Esperança, p. 38).


Musseque de Angola - Bairro do Rocha Pinto



Água um bem precioso mas mal gerido em Angola
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=13889


A distribuição de água por pessoa estimada em 1.000 metros cúbicos dia é deficiente em Angola enquanto que entre regiões ela escasseia de Norte a Sul tornando mais de um terço do território desértico ou semi desértico o que contrasta com os números sobre o potencial hidrográfico.

Por ocasião do dia mundial da água, que hoje se assinala sob o lema «Enfrentando a escassez de Agua», o Ministério da Energia e Águas de Angola escreve em uma nota distribuída em Luanda que para fazer frente a ma distribuição do precioso líquido tem já aprovado planos directores de curto e médio prazos para as diferentes cidades do país.

Assim «estão a ser desenvolvidos esforços para por em marcha um programa de obras de regularização das principais bacias hidrográficas de modo a torná-las potenciais armas de combate aos fenómenos extremos de cheias e seca».

O potencial hidrográfico de Angola, em conjunto com os dois Congos, representa mais de metade dos recursos hídricos do continente africano, sendo considerado por especialistas como uma provável mola impulsionadora da integração económica e social da África Central.

De acordo com a última edição do Relatório Económico de Angola, a água existente nos três Estados atinge a fasquia dos 60 por cento, onde Angola se apresenta como um dos principais beneficiados.

A título de exemplo, a pesquisa refere que a região angolana entre os rios Kwanza e Catumbela (províncias de Malanje, Bié, Huambo, Benguela, Kwanza Norte e Sul) concentra 80 por cento do potencial hídrico inventariado no país.

Deste potencial, o rio Kwanza, o maior de Angola, detém 45 por cento, podendo ser nele construídas 11 barragens. No entanto, no médio Kwanza já estão edificadas as centrais hidroeléctricas de Kapanda e de Cambambe, existindo entre as duas mais sete projectos do género.

O estudo também faz referência à bacia hidrográfica do rio Keve, onde poderão ser edificados oito projectos. Não parando por aí, as projecções do Relatório Económico de Angola avançam a possibilidade de construção de dez barragens na bacia do rio Lucala, enquanto no Cunene estão planeados 12 esquemas hídricos.

No dia mundial da água, a OMS recorda que mais de 1,6 milhões de pessoas morrem anualmente por falta de água potável e um sistema básico de saneamento. Destes afectados 90% são crianças menores de cinco anos.

Quando a agua rareia, diz a OMS, muitos populares vêem-se obrigados a abastecer-se de água não salubre e em quantidades insuficientes que não chega para a higiene pessoal.

Ainda esta semana Organizações Não Governamentais e governos de todo o mundo reunidos em Bruxelas numa assembleia do Parlamento Europeu sobre a água defenderam a necessidade de se reconhecer a água como um direito humano e que a gestão deste precioso líquido não deve ficar sobre tutela de empresas privadas, mas sim dos Estados.