Mostrando postagens com marcador luada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador luada. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, junho 28, 2007

Chupa essa manga!!!

Essa história vai extrapolar o blog, vou contar muitas vezes nas mesas que eu freqüentar, vale a pena.

Há alguns dias fui André vira para mim e fala: “Chupa essa manga”. André, ou Massaranduba, esse que esta segurando sua Periquita, entrou chamando a atenção de todos com um objeto na mão. Ele estava eufórico e após ver o projétil pensei que havia acertado a cabeça dele. Pronto o menino endoido de vez.
Todos ficaram pasmos, o motorista Angolano ficou branco, pois na manhã desse dia ao chegar ao carro havia algo errado que não estava certo. KKKK Sobre o capo do carro um perfeito buraco, que mais parecia ter sido feito por um ferro. André que chegou logo em seguida abriu o capo e olhou, verificou que se tratava de uma bala de fuzil. O disparo deve ter sido feito para cima durante a madrugada por uma das muitas AK47 da cidade e teve o fim da trajetória sobre um dos carros da empresa, um Aveo preto.

O projétil deve ter passado com muita velocidade, pois ficou perfeito o orifício no metal. Por pura sorte, nenhuma peça do motor foi danificada e no chão, abaixo do carter, estava pequeno objeto metálico, personagem desse post.

Brincadeiras à parte, Angola está cada dia mais parecida com o Brasil, ou seria Luanda com o Rio de Janeiro. Balas perdidas são até comuns na cidade maravilhosa, mas em Recife eu nunca havia visto, já ouvi falar, mas é feito ET, todo mundo sabe que tem, mas ninguém nunca viu.

Tirar as fotos e preparar a história para o blog foi o próximo passo. Como diria André:

CHUPA ESSA MANGA !!!!

sexta-feira, março 30, 2007

90 casos de cólera notificados em 3 dias em Luanda

Tenho relatado sempre as condições sanitárias de Angola, que em minha opinião são realmente muito precárias. Alguns anos atrás lembro de uma forte campanha contra o cólera no Brasil. Na época muitos anúncios em todos os tipos de mídia relatavam a forma de transmissão, os sintomas e principalmente as formas de prevenção.

Desconheço aqui em Angola uma entidade, semelhante a Anvisa (www.anvisa.gov.br) no Brasil, que fiscalize e que imponha normas e padrões para a higiene de estabelecimentos em geral. Fico preocupado particularmente com os vegetais crus dos restaurantes e os comprados nas ruas. A carne vendida, quando não é importada, são outra fonte de preocupação, e nesse caso penso nas várias refeições que faço na rua. Com relação às carnes não é o cólera, mas sim outras tantas doenças que podem ser causadas por uma falta de cuidado com a qualidade dos alimentos, que me incomodam.

Chamou-me atenção a matéria que registrava 90 casos de cólera, apenas em Luanda, nos últimos 3 dias. Quando falamos de um número como esse, considerando que a saúde aqui é algo e de tão difícil acesso ou mesmo pior quando comprado ao Brasil, tenho a certeza que muitos outros casos sequer foram notificados. Claro que estou apenas especulando, mas imagino que para cada caso notificado uma quantidade muito maior passa sem diagnóstico.

Novatos tenham muito cuidados com os alimentos e com a água. Nada de pensar em beber se não for mineral, fora isso, estão lembrados do gelo? Admito porem que já abstrai o gelo, estou tomando desde que cheguei e até agora não fiquei doente, ou melhor, germes é a realidade de todo morador de Angola.

Ai ai, esse assunto não tem fim. Vou acabar o post, pois já estou ficando preocupado!

-----------------------------------------------

Notificados 90 casos de cólera em Luanda nas últimas 72 horas - Angop
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=13969

Noventa casos de cólera, sem óbito, foram notificados pelas autoridades sanitárioas de Luanda, nas últimas 72 horas, em três dos nove municípios, afectando maioritariamente mulheres e crianças.

A médica da Direcção Provincial de Saúde Pública, Isabel Massacolo, disse hoje à Angop que os casos, uma média de 45 por dia, foram notificados nos municípios do Sambizanga, Cacuaco e Cazenga.

A fonte acrescentou que comparativamente ao período anterior, houve uma diminuição de 32 casos.

Isabel Massocolo apelou à população para a necessidade do cumprimento das medidas preventivas para se evitar a contaminação da doença.

Com uma população estimada em cinco milhões de habitantes, a província de Luanda ocupa uma área de cerca de 450 quilómetros quadrados e é constituída pelos municípios da Ingombota, Samba, Maianga, Rangel, Samba, Sambizanga, Kilamba Kiaxi, Cacuaco e Viana.

-----------------------------------------------

Cólera
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3lera

A Cólera (ou cólera asiática) é uma doença causada pelo vibrião colérico (Vibrio cholerae), uma bactéria em forma de vírgula ou bastonete que se multiplica rapidamente no intestino humano produzindo potente toxina que provoca diarréia intensa. Ela afeta apenas os seres humanos e a sua transmissão é diretamente dos dejetos fecais de doentes por ingestão oral, principalmente em água contaminada.


Transmissão
A cólera é transmitida através da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes humanas. São necessários em média 100 milhões de víbrios (e no mínimo um milhão) ingeridos para se estabelecer a infecção, uma vez que não são resistentes à acidez gástrica e morrem em grandes números na passagem pelo estômago.

Tratamento
O tratamento imediato é o soro fisiológico ou soro caseiro para repor a água e os sais minerais: uma pitada de sal, meia xícara de açúcar e meio litro de água tratada. No hospital, é administrado de emergência por via intravenosa solução salina. A causa é adicionalmente eliminada com doses de antibióticos, dos quais o primeiro a ser usado é a tetraciclina, e depois o cotrimexazole.

A higiene e o tratamento da água e do esgoto são as principais formas de prevenção. A fervura da água de consumo é eficaz na destruição da bactéria.

A vacina existente é de baixa eficácia (50% de imunização) e o seu efeito dura apenas de 3 a 6 meses após a administração, o que a torna inviável.


História
A cólera provavelmente originou-se no vale do rio Ganges, Índia. As epidemias surgiam invariavelmente durante os festivais hindus realizados no rio, em que grande número de pessoas banhavam-se em más condições de higiene. O vibrião vive naturalmente na água e infectava os banhistas que depois o transmitiam por toda a Índia nas suas comunidades de origem. Algumas epidemias também surgiram devido a peregrinos nos países vizinhos com aderentes da religião hindu, como Indonésia, Birmânia e China.

Foi descrita pela primeira vez no século XVI pelo português Garcia da Orta, trabalhando na sua propriedade, Bombaim, no Estado da Índia Português. Foi o inglês John Snow que descobriu a relação entre água suja e cólera em 1854. A bactéria Vibrio cholerae foi identificada pelo célebre microbiologista Robert Koch em 1883.

Foi só em 1817, com o estabelecimento do Raj britânico na Índia, e particularmente na região de Calcutá, espalhou-se a cólera pela pimeira vez para fora da região da Índia e paises vizinhos. Ela foi transportada por militares ingleses nos seus navios para uma série de portos e a sua disseminação tra-la-ia à Europa e Médio Oriente, onde até então era desconhecida. Em 1833 chegou aos EUA e México, tornando-se uma doença global.

Numa das primeiras epidemias no Cairo, matou 13% da população. Estabeleceu-se em Meca e Medina, onde as peregrinações religiosas muçulmanas do Hajj permitiam concentrações suficientes de seres humanos para se dar a cadeia de transmissão da epidemia, assim como nas cidades grandes da Europa. Na Arábia foi endêmica até ao século XX, matando inúmeros peregrinos, tendo sido aí que surgiu o agora disseminado serovar eltor. A disseminação pelos peregrinos, vindos de todo o mundo muçulmano de Marrocos até às Indonésia, foi importante na sua globalização assim como os navios comerciais europeus.

Durante o século XIX, surgiram abruptamente várias epidemias nas cidades europeias, matando milhares em epidemias em Londres, Paris, Lisboa e outras grandes cidades. Uma dessas epidemias em Londres, 1854, levou ao estabelecimento das primeiras medidas de saúde pública, após constatação que poços contaminados estavam na origem da doença, pelo médico John Snow.

quinta-feira, março 29, 2007

Feira de artesanatos do Benfica

Elefantes - Feria de artesanatos do Benfica, Luanda - Angola


Esse é um assunto que vai render muitos post’s, pois merece. Garanto que nunca vi nada parecido, tudo é muito bonito, bom, quando não é lindo, pelo menos assusta. Essa é uma parada obrigatória a todo viajante que chega a Luanda.

Saindo o centro e indo para sul, passando pelo Talatona, se chega ao Benfica. Segue-se em frente ficando sempre atento a paisagem. Passa-se por uma ponte, a ponte do Benfica, e continua-se o caminho. Um quilômetro depois da ponte, aproximadamente, se vê do lado direito do carro a feira de artesanatos.

Logo de cara algumas dicas, leve o dinheiro bem guardado, como há muitas pessoas no local, fica a possibilidade de roubo, já escutei casos desses. Estacione o carro e escolha um dos guardadores, escolha mesmo, aponte e diga que é ele, caso contrario fica uma enorme quantidade de flanelinhas pedindo para guardar o carro. Leve uns US$ 200,00, acredito que será o suficiente, pois apesar de não ser muito barato, dá vontade de levar tudo. A pior parte do passeio, com certeza, fica por conta dos vendedores que ficam puxando e chamando, realmente muito chato, chega a assustar, mas não deixe que isso o desanime a conhecer a feira.

Quadros - Feria de artesanatos do Benfica, Luanda - Angola


Lindas esculturas de madeira, elefantes, rinocerontes, o pensador (símbolo de Angola), o caçador, Palancas negras, girafas, mesinhas maravilhosas, caixinhas esculpidas que nem dá para acreditar que existem. Realmente é maravilho e só existem aqui. Encontram-se também peças em marfim, particularmente não simpatizo com a compra, além do que essas não podem sair legalmente do país. Os quadros são contagiantes e bem caros. Muitas pulseiras, brincos e pinduricalhos para fã nenhuma de bijuteria colocar defeito. Bom, absolutamente incrível, vale muito a pena.

Como disse no começo tenho muito a falar sobre a feira, mas porque esgotar o assunto todo de uma vez? Afinal, a posse é a morte do desejo.

Girafas - Feria de artesanatos do Benfica, Luanda - Angola

sexta-feira, março 23, 2007

Catinga X Sebo. Qual a diferença?

Qual a primeira imagem que vêm a sua cabeça quando falamos a palavra África? Na minha vem a idéia das savanas, o Egito, o deserto do Saara, imagens de muita terra e pouca água. Nesses tempos em que o assunto do momento é o aquecimento global, a questão da água aparece sempre atrelada às discussões.

No Brasil falamos muito sobre seca, hoje em dia menos que nos meus tempos de criança, mas a verdade é que o meu país é super-privilegiado nas reservas hídricas. A água é barata e em abundância, talvez por isso demos tão pouco valor.

Agora junte as palavras África e água, qual o resultado da sua cabeça? Na minha é outra palavra “caos”. Vivendo aqui vejo como essa situação é difícil. A cidade de Luanda que é tomada por grandes Musseques (favelas) tem sérios problemas de abastecimento de água. As pessoas não têm acesso a água em casa. Todos os dias pela manhã, vejo muitas crianças e mulheres indo as vias principais onde os carros passam para pegar água. Algums casas nas via principal, onde devem passar as tubulações de água, tem uma torneira no muro que fica virada para a rua. Nessas torneiras é que se juntam as pessoas todas as manhãs para pegar água em reservatórios ou mesmo em baldes e bacias. São muitas as filas na via e muitas pessoas carregando baldes na cabeça ou em carrinhos se dirigindo as suas casas. Toda manhã a mesma cena.

A higiene é algo que para os padrões que estou acostumado ficam muito a desejar, na verdade a falta de assepsia é algo cultural em Angola. Existem duas palavras para o cheiro “fedor” dos brancos e dos negros. O dos brancos é chamado de “sebo” e nos negros “catinga”, assim se um negro “fede” é chamando de catingoso, já um branco “seboso”. Para o Angolano no não ter catinga é algo broxante. Algumas Angolanas, como a empregada da minha casa, já me disseram que os homens rejeitam as mulheres que não tem catinga. Vai entender...

Esse é um assunto extenso vou me detalhar em pontos específicos em post’s mais a frente. Por hora a lição que já está mais do que repetida: Valorizem a água.


Em tempo: Olha a definição do Aurélio para Musseque.

musseque
[Do quimb. museke, ‘quinta’; ‘lugar de areia’.]
Substantivo masculino.
1.Angol. Bairro pobre na periferia de Luanda, capital de Angola (África):
“Os musseques são bairros humildes / de gente humilde” (Agostinho Neto, Sagrada Esperança, p. 38).


Musseque de Angola - Bairro do Rocha Pinto



Água um bem precioso mas mal gerido em Angola
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=13889


A distribuição de água por pessoa estimada em 1.000 metros cúbicos dia é deficiente em Angola enquanto que entre regiões ela escasseia de Norte a Sul tornando mais de um terço do território desértico ou semi desértico o que contrasta com os números sobre o potencial hidrográfico.

Por ocasião do dia mundial da água, que hoje se assinala sob o lema «Enfrentando a escassez de Agua», o Ministério da Energia e Águas de Angola escreve em uma nota distribuída em Luanda que para fazer frente a ma distribuição do precioso líquido tem já aprovado planos directores de curto e médio prazos para as diferentes cidades do país.

Assim «estão a ser desenvolvidos esforços para por em marcha um programa de obras de regularização das principais bacias hidrográficas de modo a torná-las potenciais armas de combate aos fenómenos extremos de cheias e seca».

O potencial hidrográfico de Angola, em conjunto com os dois Congos, representa mais de metade dos recursos hídricos do continente africano, sendo considerado por especialistas como uma provável mola impulsionadora da integração económica e social da África Central.

De acordo com a última edição do Relatório Económico de Angola, a água existente nos três Estados atinge a fasquia dos 60 por cento, onde Angola se apresenta como um dos principais beneficiados.

A título de exemplo, a pesquisa refere que a região angolana entre os rios Kwanza e Catumbela (províncias de Malanje, Bié, Huambo, Benguela, Kwanza Norte e Sul) concentra 80 por cento do potencial hídrico inventariado no país.

Deste potencial, o rio Kwanza, o maior de Angola, detém 45 por cento, podendo ser nele construídas 11 barragens. No entanto, no médio Kwanza já estão edificadas as centrais hidroeléctricas de Kapanda e de Cambambe, existindo entre as duas mais sete projectos do género.

O estudo também faz referência à bacia hidrográfica do rio Keve, onde poderão ser edificados oito projectos. Não parando por aí, as projecções do Relatório Económico de Angola avançam a possibilidade de construção de dez barragens na bacia do rio Lucala, enquanto no Cunene estão planeados 12 esquemas hídricos.

No dia mundial da água, a OMS recorda que mais de 1,6 milhões de pessoas morrem anualmente por falta de água potável e um sistema básico de saneamento. Destes afectados 90% são crianças menores de cinco anos.

Quando a agua rareia, diz a OMS, muitos populares vêem-se obrigados a abastecer-se de água não salubre e em quantidades insuficientes que não chega para a higiene pessoal.

Ainda esta semana Organizações Não Governamentais e governos de todo o mundo reunidos em Bruxelas numa assembleia do Parlamento Europeu sobre a água defenderam a necessidade de se reconhecer a água como um direito humano e que a gestão deste precioso líquido não deve ficar sobre tutela de empresas privadas, mas sim dos Estados.