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quinta-feira, novembro 08, 2007

Dundo – Lunda Norte - Curiosidades

A cidade do Dundo apesar de muito pitoresca (não sei porque coloquei essa palavra, mas falando em voz alta parece até meio ridículo, quer ver? Fale ai PITORESCO KKKK), ainda precisa melhorar a infra-estrutura. Fomos ao que indicaram ser o melhor restaurante da cidade. Esse era muito simples e a garçonete muito simpática. Fico sensibilizado, pois em lugares como esse as pessoas oferecem o que tem de melhor, valorizo muito isso. Por conta disso que afirmo que apesar de simples adorei cada momento que estive nessa cidade.

Como a intenção é falar das curiosidades, lá vai. Nesse restaurante os pratos do primeiro dia eram dois, ou fungi ou mão de vaca, só. Apesar do cardápio não ser enorme comi com muito gosto a mão de vaca. O importante nesses lugares é não ter frescura, caso contrário ta lixado (lixado = lascado, ferrado, ...).

Almoço no melhor restaurante da cidade


Vamos às acomodações. O melhor e único hotel da cidade, que por uma questão de preciosismo não vou colocar o nome, tem um dono que é mais grosso que papel de enrolar prego. A criatura contamina o ambiente e por conta disso os serviços no hotel são bem ruins. É preciso colocar que a diária nesse hotel é de 130 dólares. Tem hora para apagar a luz, falta água o tempo todo, sem serviço de quarto e as baratas fazem parte do pacote. Por conta desses pequenos problemas (fala sério) fiquei em uma pousada.

Na pousada fui muito bem recebido pela dona que com aquela simpatia de interior foi me mostrar as acomodações. O preço, uma pechincha, 100 dólares sem café da manhã. Eu já sabia que estava ferrado antes mesmo de entrar no quarto, mas vamos lá. O quarto duas camas, estava até limpo. A porta não fechava muito bem em baixo e deixava passar alguns mosquitos, se não fosse a malária estava tudo certo. Então fui ao banheiro... Ai ai, deixa eu descrever... O banheiro era grande e sujo, como se diz em Recife, teia de aranha era bóia (quando uma coisa é “boia” é porque tem muito), escuro e sem luz. Uma pequena janela estava aberta e tinha tanto mosquito que desejei ter um sapo de estimação. A pior parte, além do chão sujo e o vaso sem tampa, não tinha chuveiro. No recinto apenas uma banheira suja com uma torneira para tudo, banho, escovar os dentes, barba,.. Vamos lá, só tem tu vai tu mesmo, fico com esse. Foi então que a senhora me falou do pequeno problema: - “Meu filho só tem ponto, estamos com poucas vagas e você vai ter que dividir o quarto com outra pessoa”. Nessa hora eu não agüentei, ai já é demais, sei lá quem é esse cara... Só pensava no cara roncando no meu ouvido a noite, sem falar em todos os outros inconvenientes. Respondi: - “Nem a pau juvenal”. Na verdade não respondi assim não, mas a historia ficaria melhor contando dessa forma. Disse que não, foi então que ela ia ver o que podia fazer.

Pousada - Reparem no detalhe da porta e da janela que falo no post


Passados alguns minutos ela falou que havia outro quarto. Esse era melhor e com ar-condicionado e tudo, até que gostei e sem mosquitos. O banheiro tinha chuveiro, frio, mas estava muito melhor que o outro. Agora os problemas... O forro de cama não foi trocado, tenho certeza que dormi na poeira deixada pelo último hospede que por sinal teve suas coisas retiradas enquanto eu entrava no quarto. Nada de toalha e eu esqueci de trazer a minha, resultado, fiquei três dias me enxugando com uma camisa. No terceiro dia essa camisa estava com um cheiro, que nem eu estava agüentando. O banheiro não tinha luz e como a janela estava fechada por conta dos mosquitos eu não via nada. Em um dos banhos o sabonete caiu, rapaz que trabalho que deu par achar. Fiquei tateando com o pé e rodando feito uma barata tonta, até lembrei das brincadeiras de criança de gato mia. Estou pensando seriamente em instalar um bip no sabonete para achar mais fácil ou ainda uma luz de emergência no estilo daquelas da tropa de elite.

Por falar em tropa de elite, vou trazer o capitão Nascimento para o Dundo, tenho certeza que ele só vai realizar os treinamentos aqui, afinal, quando a pessoa chega, a placa de boas vindas deveria ter a seguinte frase: “01, pede pra sair!!!”

Tirei uma foto do meu amigo da pousada. Detalhe essa luminária tem uns 35 centímetros de diâmetro. A parti de hoje batizo ele de “Aspira”.

Aspira - Meu amigo da pousada


Fui ao maior supermercado da cidade, que fica bem ao lado do obelisco e do banco. Lá só encontrei latas, suco, água e bolacha Maria. Como na pousada não havia café da manhã e muito menos jantar, foram três dias de café da manhã e jantar a base de bolacha Maria e suco de maça. Chupa essa manga!!!

No final da viagem me levaram para conhecer o zoo da cidade. O passeio foi ótimo e pela primeira vez pude ver alguns bichos diferentes na África. Dá para acreditar que ainda hoje me perguntam no Brasil se tem leão no meio da rua em Luanda? Sem noção.

Jacarés


Águias


Macaco


Para arrematar na porta do aeroporto encontrei algo realmente curioso. São vendidas, como um tipo de petisco, larvas assadas. Isso mesmo, larvas, elas são tiradas das inúmeras árvores da cidade, assadas e consumidas como tira gosto. Arrependi-me de não ter provado!

Comércio na porta do aeroporto


Insetos como tira gosto - Vai encarar?


Obrigado pela hospitalidade Dundo!

terça-feira, julho 31, 2007

Huambo - A Cidade – Parte 3

A capital da província de Huambo tem o mesmo nome. Haviam me informado que Huambo tem aproximadamente 2 milhões de habitantes, pensei que fosse a cidade, mas na verdade é a província toda. Juntamente com a província de Bié, esta localidade foi a mais destruída pela Guerra. A máquina fotográfica está a postos para registrar tudo o que eu puder.

Já na saída do aeroporto vejo alguns galpões abandonados e sem o telhado. Percebo também muitas marcas de bala. Passamos por uma praça com algumas estátuas e nelas também é bem visível os buracos dos projeteis. Fico imaginando a loucura que foi isso a poucos anos atrás. Existem também prédios novos e sem nenhuma marca, vejo máquinas e material de construção por todo lado. Mais a frente fazemos um desvio, várias são as ruas sendo asfaltadas.

Huambo - Galpão abandonado


Passamos por uma grande praça totalmente restaurada. Infelizmente não consigo tirar uma foto, devido à posição do carro. No meio desta um grande obelisco e uma estátua que me disseram ser do Agostinho Neto. Viramos a direita e nesse momento consigo tirar uma foto de uma casa bastante destruída, com vários buracos. Essa parte da cidade parece estar menos restaurada, só vendo a imagem para entender do que estou falando.

Huambo - Casa das balas


Outras tantas ruínas e muitas, muitas marcas de bala. Passamos pelo banco nacional de Angola, que foi restaurado, realmente muito bonito. Uma passada rápida no hotel Nino para deixar as malas, tomar um banho e trocar de roupa e estou pronto para seguir para o treinamento.
Huambo - Ruina do Nova York Social


Huambo - Ruinas


No prédio onde os treinamentos ocorrerão, uma estrutura simples, mas limpa e organizada. Subimos duas escadas até o segundo andar. Lá aviso um prédio de uns 10 andares com a parte superior totalmente destruída. Disseram-me que foi um bomba lançada, a imagem impressiona.
Huambo - Bomba no telhado


Sou apresentado a turma, como são quase 15:00 h vamos almoçar. Um bom e velho bitoque é o prato do dia em um restaurante gerenciado por uma Portuguesa. Para quem não conhece o bitoque, este é um prato que em qualquer lugar de Angola pode ser pedido. Absolutamente qualquer birosca vende. Bife (ou prego se preferir), salada, arroz e batata frita, simples e gostoso.
Huambo - Turma do treinamento


Na volta já sigo para treinamento. A minha apresentação corre sem problemas, todos os alunos se saíram muito bem. No dia seguinte vamos continuar, está previsto o inicio as 8:30 h até as 12:00 h.

Volto para o hotel próximo as 18:00 h, combino com Sérgio de descansar um pouco e nos encontrarmos no restaurante do hotel as 19:30 h. Assim que Sérgio sobe para o seu quarto, coloco vou a rua rapidamente para dar uma espiada. Realmente esse não é o meu ambiente, não vou me arriscar a sair sozinho, melhor voltar para o quarto.
Huambo - Hotel Nino


Após tomar um banho deito na cama, coloco o despertador do celular só por garantia, essa foi minha salvação. Quase que instantaneamente pego no sono. Acordo com celular tocando, é hoje que eu jogo esse danado no chão. Chego a implorar para o aparelho por mais 10 mim. Marquei com Sérgio e não quero me atrasar. Saio da cama, quase que me arrastando. Outro banho está fora de cogitação, falta coragem. Lavo o cabelo e passo uma água no rosto, isso deve bastar. Coloco a calça jeans e sigo para o restaurante no térreo.

Sérgio já esta me esperando na mesa. Lá ele me disse que é por hábito encomendar a comida com antecedência. Sabendo disso ele deu um pulo à tarde e marcou para aquele horário um bacalhau, excelente escolha.

Já com a barriga cheia só consigo pensar na minha cama, que por sinal é muito boa. Nessa seqüência, tirar a roupa, deitar e apagar, ainda bem que já havia programado o despertador para o dia seguinte.

O segundo dia de treinamento foi novamente tranqüilo. Após a manhã com os alunos vamos almoçar em um restaurante muito simpático, aqui também é necessário encomendar a comida, assim vamos no bom e velho bitoque novamente.
Huambo - Restaurante Novo Império


Sérgio vai seguir para o Bié de carro e eu vou para o hotel. Comprei a minha passagem pela Air Gemini na tarde de ontem, pouco depois de ter chegado a cidade. Está marcada para a quinta-feira, amanhã.

As 15:00 h sou deixado no hotel e marco com o ponto focal, que vai me levar ao aeroporto, para as 9:00 h. Como não me arrisquei a sair sozinho, fiquei no hotel trabalhando até mais ou menos umas 19:00h. Já havia aprendido na noite anterior, assim, por volta das 16:00 h passei no restaurante e encomendei outro bacalhau, dessa vez apenas com legumes, bem ligth.

Ao chegar no quarto abri as janelas e fiquei pensando... Família, trabalho, amigos, Angola, Brasil, estudos, internet, PAN... Não sei ao certo quanto tempo fiquei refletindo, será que isso que é filosofar? Viajei eh??? Estou em África, como eles dizem aqui, faz parte. Fui acordado por um por do sol que invadiu o ambiente e meu coração com jeito de presente. Vermelho intenso a terra que cobre todos os cantos. Vou sempre lembrar do crepúsculo daqui, o mais lindo de todos, nem mesmo o de Brasília, Rio de Janeiro ou Fernando de Noronha tem o fim de tarde como o da África... Lindo.
Huambo - Por do sol


O jantar estava ótimo, muito gostoso mesmo. Batatas, cenoura, couve e o bacalhau, bem preparado, com pouca gordura, do jeito que eu gosto. Bem servido, após pagar a conta, subi para o quarto, sabia que iria pegar a estréia do basquete masculino no Pan. O jogo foi legal, depois foi só enrolar um pouco nos canais para esperar o sono chegar. Acerto o despertador e bons sonos.

terça-feira, julho 10, 2007

Café Arábica

Lembro com muito carinho dos sucos da tia que na época da MV eu tomava com a turma do trabalho. Caruaru e Raphael eram sempre meus companheiros de conversa, isso nos unia, descontraia e aumentava a nossa disposição no trabalho.
Tardou, mas descobrimos um local aqui em Luanda para tomar um suco no meio da tarde e até mesmo almoçar. A pouco mais de 3 meses abriu próximo a Advance o café Arábica. Um ambiente sofisticado com mesas de madeira e cadeiras de primeira linha. Todos os funcionários com uniformes bonitos e da entrada ao banheiro não resta menor dúvida que o diferencial é a qualidade.
Gosto de ir almoçar vez por outra por lá. Apesar de o preço ser salgado é uma das poucas opções realmente ligth que disponho. Há sempre pelo menos dois tipos de salada muito coloridas e apetitosas. Pela higiene do local dá para comer tranqüilo qualquer tipo de refeição.
Na minha última visita, pedi um frango com arroz e salada. Apesar de não ser peito de frango o sabor estava ótimo e a saladinha arrematou o prato. Minha vida, como não pode deixar de ser, é fazer dieta e eu começo mais uma na certeza que dessa vez vou ter sucesso.

Vai dar trabalho, mas quem falou que seria fácil. Torçam por mim.

quinta-feira, julho 05, 2007

A Sopa

O transito de Luanda não é nada convidativo e como nessa etapa do projeto tenho ficado no escritório, almoçar por perto é a melhor opção. Ficar descobrindo novos lugares de preferência BB – bom e barato – tem sido um desafio.

Em uma rua ao lado da Advance encontramos uma pousada que informava servir almoços. Não sei ao certo quem foi o primeiro corajoso, mas algum dos meninos da fábrica foi lá para verificar se o negócio era bom.

O ambiente é simples e a entrada pequena. Ao cruzar uma porta de madeira se depara com uma escada que leva ao primeiro andar. Lá se encontra, logo após os degraus, uma outra porta de madeiras, daquelas com aspecto antigo. Mesas também de madeira em um ambiente simples mais limpo. Algo que chama a atenção são as janelas com jeito de coisas do passado. O restaurante que na verdade tem por finalidade servir aos hospedes da pensão passa a sensação de algo familiar.
Um garçom sempre sorridente nos atende. Chamamos esse lugar de “A Sopa”, pelo fato de antes da refeição, juntamente com o covert, ser servida uma sopa. A sopa que geralmente é de feijão com macarrão é bem saborosa e para quem está fazendo regime um almoço dos mais interessantes.

São servidos pratos do dia e sobre a mesa sempre tem um papel A4 com o menu semanal. Há sempre três pratos diariamente, sendo dois mais simples e mais um especial. A refeição mais simples é bem em conta Kz 1.100,00 e acompanha a sopa de entrada, o covert de pães com manteiga e a sobremesa que geralmente é um pudim de doce de leite muito bom.
No dia que tirei as fotos, a refeição escolhida por mim foi uma dobradinha. Comer uma dobrada tem jeito de casa e remete minha memória a dias felizes em Recife. Lembro de uma vez que fizemos um pagode lá em casa a base de caldo de dobradinha e caldo de cebola.

Como o atendimento é rápido, o ambiente é climatizado e o garçom gente boa, sempre voltamos. A sopa é um dos melhores locais para se almoçar, de forma simples e boa, próximo ao ministério das relações exteriores.

Acho que hoje vai ser sopa novamente!

quarta-feira, junho 20, 2007

Fumante passivo – Em Angola sou sim

O dia quente e o engarrafamento está matando. A poeira na rua é imensa e agradeço por não ventar muito em Luanda. Mesmo assim o terno e o sapato insistem em estar sempre sujos. Descer do carro é sempre um malabarismo, pois as portas estão sempre sujas e ao tocar, a terra adere como a um adesivo. Já estou conformado com a demorar que vai ser para o prato ser servido, tudo o que quero agora é uma coca bem gelada. À tarde mais reuniões, uma pressão danada no trabalho.

Hoje é quinta-feira, dia de bacalhau com natas no Venesa. Escolhemos uma mesa e sentamos. Sempre vem àquelas entradas com uns pães para enrolar, mas com a fome que estou hoje quase posso sentir o cheiro do bacalhau. Quase não, estou sentindo, ao meu lado acaba de chegar um prato no capricho, o aroma é irresistível. Tem umas batatas coradas por cima e a porção bem servida dá perfeitamente para três pessoas. Nesse dia somos somente eu e um amigo, vai sobrar para levar para o motorista.

Trinta minutos depois do pedido, já está na hora do prato chegar. O restaurante está lotado e do nosso lado um novo pedido de bacalhau acabou ser feito por três executivos que sentaram nesse instante. Dessa vez é o pedido deles que vai demorar. De repente, não mais que de repente, visualizo o nosso almoço. O prato vem esfumaçando da cozinha e minha boca se enche d’água. Meu amigo fala qualquer coisa que eu respondo com um simples “ahaa”. Na minha cabeça a idéia era deixar para depois essa conversa. Daqui a dois minutos você fala ok? O prato chega à mesa e o almoço já está começando. Comer com prazer começa pelo visual, estava do jeito que eu imaginei.

Sirvo o meu prato, é hora do olfato. Pego uma garfada generosa de bacalhau com batata e trago para perto da boca. Com os olhos fechado vou deixar o ar entrar pelo meu nariz, estou curtindo o almoço e não simplesmente enchendo o buxo. O cheiro entra..... Eca quase devolvo o bacalhao, que cheiro horrível de cinzeiro. Ao meu lado o cara de terno está dando umas boas baforadas com uma cigarrilha incrivelmente mal cheirosa. Como pode um negocio daquele ter um cheiro tão forte. Não consigo sentir o cheiro da comida, só o cheiro do tabaco que a essa altura já impregnou o ambiente.

Vou almoçar, mas não vai ser a mesma coisa. Realmente acho uma falta de educação tremenda acender um cigarro em um ambiente publico. Sei que o vicio é forte, mas um fumante não faz idéia do quanto incomoda a um não fumante. Fora isso tem a questão da saúde, estamos agora fumando ele, eu e mais um monte de gente que dentro do restaurante está sendo forçada a inalar aquele treco.

É realmente bem desagradável um fumante ao seu lado.

XXXXX

Em Angola não existe uma lei que proíba isso e as pessoas daqui pouco se importam com os demais quando o assunto é cigarro ou mesmo charuto. Algumas pessoas podem argumentar que o charuto incomoda muito mais, é verdade, mas para quem não fuma é ruim do mesmo jeito.

Hoje fui surpreendido com uma reportagem no jornal local. Nas entrelinhas da matéria dá para ler claramente “Os incomodados que se retirem”. O jeito vai ser me acostumar.

Como diria o ditado: o que não tem solução, solucionado está.
Proibição de fumar em lugares públicos só depois da aprovação do Conselho de Ministro A Capital
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=15096%3Cb

Apesar de Angola ratificar, este ano, a Convenção Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de a Assembleia Nacional ter já aprovado e aceitado a Convenção de Luta Contra o Tabaco em Lugares públicos, a verdade é que os angolanos não fumadores vão ter de continuar, involuntariamente, a inalar o fumo do cigarro e sofrer as mesmas consequências dos fumadores activos.

Segundo uma reportagem do Jornal «A Capital», o convívio entre fumadores e não fumadores é ameno e, inclusive muitos dizem que é sadio.

Questionado sobre o efeito perturbador do fumo, António Paulo, não fumador ou seja fumador passivo, que se encontrava num dos hotéis da capital, disse que normalmente reclama, mas como não existe nenhuma legislação que proíbe as pessoas de fumar em lugares públicos, o que faz mesmo “é abandonar o ambiente”.

A directora do departamento de informação e mobilização da saúde, Filomena Wilson, disse que apesar de o Governo ter já ratificado a Convenção Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS) relativo à luta contra o tabaco em lugares públicos, este mês de Junho, faltando apenas a entrada do dossier no Conselho de Ministros.

Entretanto, existem já em Luanda lugares com dizeres: “é proibido fumar”; “Cada cigarro fumado é tábua para o caixão”; Fumar faz mal à saúde”, entre outros dizeres.

Ana Jandira, esposa de um fumador, ouvida pelo o «A Capital», qualificou de orgulhosos todos os fumadores. “É que eles, mesmo sabendo das consequências põem em risco o ser mais importante da vida deles: o filho”. O meu marido nunca se importou de fumar ao lado do nosso filho bebé”, frisou.

Para o responsável de uma casa de jogos de Luanda, a aprovação de uma lei como a que nos referimos pode ter grandes implicações económicas, como acontecer no Zimbabwe e Moçambique. São grandes produtos e exportadores africanos de tabaco, por isso não aderem a Convenção da OMS.

“Os clientes são livres de escolher o lugar para estar. Caso for aprovada a referida lei, o mercado ditará se os empresários optarão por um estabelecimento sem restrições ou condições a aceder o cigarro, como existem noutras partes do Mundo”.

Entretanto, em Angola ainda não existe dados certos sobre o número fumantes e as suas vítimas, mas a situação é cada vez mais preocupante, segundo as autoridades, porque a olhar nu , os vendedores e consumidores de cigarro são cada vez maiores.