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quinta-feira, agosto 02, 2007

Huambo – Volta a Luanda – Fim

Acorda!!! Ainda bem cedo, dormi tranqüilo, calmo, acordei melhor ainda. Disposto para a minha volta. Estou feliz, não conto o tempo, vivo o aqui, o agora. Voltar para Luanda, para o projeto. Coloco tudo no bolsa da mesma forma que minha queria irmã faria... Sei que ela entendeu KKKKK. Tomei um banho a conta gotas, o dia está frio e para que o banho fique quente tem que ser com o chuveiro quase no fechado.

Decidi ir de terno para o aeroporto, chegando ao destino já vou direto para o trabalho. Desço para o café da manhã, pequeno almoço ou mata bicho, com esses termos vamos chegar ao mesmo lugar, desjejum. O pão está duro, se o jantar é uma maravilha tenho a impressão que o cozinheiro só trabalha a noite. Acabou, foi só para enrolar mesmo.

Subo para quarto e logo em seguida recebo a ligação do ponto focal, ele já está me esperando para me levar ao Aeroporto. Antes de seguirmos, entretanto, peço para dar uma parada em uma loja onde sejam vendidos cd’s, quero deixar em Huambo de forma que eles possam realizar o backup.

Chego cedo ao Aeroporto e de caro estranho a entrada. O local está em reforma e o meu caminho anterior agora está interditado, vou entrar por outro local. Tudo novinho, simples, lembra um pouco as rodoviárias de Pernambuco. Nunca havia visto isso, o check-in atrasou uma hora! Impressionante, atrasar check-in... Só em luanda. É um entra e sai danado de pessoas e todos se amontoam em um espaço que caberiam 10 têm umas 40 pessoas. A cada minuto de passa mais confusão. Finalmente as bagagens começam a ser liberadas e o fluxo de passageiros vai diminuindo. Antes porem uma surpresa, eu era o primeiro da fila, já que cheguei na hora, Angolano não gosta de pontualidade, simplesmente mudaram o balcão. Acabei ficando quase no fim da fila, coisas de Angola.

Sala de embarque do aeroporto


Passar pela imigração, pois mesmo sendo um vôo domestico, sempre conferem os documentos das pessoas. Sentar em uma cadeira nova da sala de embarque. Nada de climatização, apenas umas cadeiras simples e uma telha metálica, um bocado de poeira e o banheiro bem molhado. Infelizmente falta muito de gerencia, tudo novinho, pecam na manutenção, isso para quase tudo aqui em Angola.

Três horas de atraso do avião... Affffff. Gastei a bateria toda do notebook e ainda tive que esperar. Ainda bem que levei uma revista. Como estava sozinho o tempo custa a passar. Como estamos no cacimbo, época fria nessa região, agradeço haja vista que essas telhas devem esquentar um bocado.
Lanchonete da área de embarque


A aeronave finalmente chega, um 747 da Air Gemini. Percorremos a pista toda à pé, bem engraçado isso. Cruzamos a pista principal do aeroporto, onde os aviões realizam pousos e decolagens, nunca tinha visto isso. Outra coisa que Angolano não gosta, fila ou bixa se preferir, mais uma pouco de confusão na hora de entrar. A turma da classe executiva fica quase 20 mim no sol.
www.airgemini.com

Jato Air Gemini

O tempo passa calmo quando já estamos sentados e a comissária, bonita, ajuda no visual. Como vamos a uma baixa altitude posso ver os campos durante todo o caminho de volta.

Chegamos a Angola, fim da viagem, adorei Humabo. Recomendo a visita.

terça-feira, julho 31, 2007

Huambo - A Cidade – Parte 3

A capital da província de Huambo tem o mesmo nome. Haviam me informado que Huambo tem aproximadamente 2 milhões de habitantes, pensei que fosse a cidade, mas na verdade é a província toda. Juntamente com a província de Bié, esta localidade foi a mais destruída pela Guerra. A máquina fotográfica está a postos para registrar tudo o que eu puder.

Já na saída do aeroporto vejo alguns galpões abandonados e sem o telhado. Percebo também muitas marcas de bala. Passamos por uma praça com algumas estátuas e nelas também é bem visível os buracos dos projeteis. Fico imaginando a loucura que foi isso a poucos anos atrás. Existem também prédios novos e sem nenhuma marca, vejo máquinas e material de construção por todo lado. Mais a frente fazemos um desvio, várias são as ruas sendo asfaltadas.

Huambo - Galpão abandonado


Passamos por uma grande praça totalmente restaurada. Infelizmente não consigo tirar uma foto, devido à posição do carro. No meio desta um grande obelisco e uma estátua que me disseram ser do Agostinho Neto. Viramos a direita e nesse momento consigo tirar uma foto de uma casa bastante destruída, com vários buracos. Essa parte da cidade parece estar menos restaurada, só vendo a imagem para entender do que estou falando.

Huambo - Casa das balas


Outras tantas ruínas e muitas, muitas marcas de bala. Passamos pelo banco nacional de Angola, que foi restaurado, realmente muito bonito. Uma passada rápida no hotel Nino para deixar as malas, tomar um banho e trocar de roupa e estou pronto para seguir para o treinamento.
Huambo - Ruina do Nova York Social


Huambo - Ruinas


No prédio onde os treinamentos ocorrerão, uma estrutura simples, mas limpa e organizada. Subimos duas escadas até o segundo andar. Lá aviso um prédio de uns 10 andares com a parte superior totalmente destruída. Disseram-me que foi um bomba lançada, a imagem impressiona.
Huambo - Bomba no telhado


Sou apresentado a turma, como são quase 15:00 h vamos almoçar. Um bom e velho bitoque é o prato do dia em um restaurante gerenciado por uma Portuguesa. Para quem não conhece o bitoque, este é um prato que em qualquer lugar de Angola pode ser pedido. Absolutamente qualquer birosca vende. Bife (ou prego se preferir), salada, arroz e batata frita, simples e gostoso.
Huambo - Turma do treinamento


Na volta já sigo para treinamento. A minha apresentação corre sem problemas, todos os alunos se saíram muito bem. No dia seguinte vamos continuar, está previsto o inicio as 8:30 h até as 12:00 h.

Volto para o hotel próximo as 18:00 h, combino com Sérgio de descansar um pouco e nos encontrarmos no restaurante do hotel as 19:30 h. Assim que Sérgio sobe para o seu quarto, coloco vou a rua rapidamente para dar uma espiada. Realmente esse não é o meu ambiente, não vou me arriscar a sair sozinho, melhor voltar para o quarto.
Huambo - Hotel Nino


Após tomar um banho deito na cama, coloco o despertador do celular só por garantia, essa foi minha salvação. Quase que instantaneamente pego no sono. Acordo com celular tocando, é hoje que eu jogo esse danado no chão. Chego a implorar para o aparelho por mais 10 mim. Marquei com Sérgio e não quero me atrasar. Saio da cama, quase que me arrastando. Outro banho está fora de cogitação, falta coragem. Lavo o cabelo e passo uma água no rosto, isso deve bastar. Coloco a calça jeans e sigo para o restaurante no térreo.

Sérgio já esta me esperando na mesa. Lá ele me disse que é por hábito encomendar a comida com antecedência. Sabendo disso ele deu um pulo à tarde e marcou para aquele horário um bacalhau, excelente escolha.

Já com a barriga cheia só consigo pensar na minha cama, que por sinal é muito boa. Nessa seqüência, tirar a roupa, deitar e apagar, ainda bem que já havia programado o despertador para o dia seguinte.

O segundo dia de treinamento foi novamente tranqüilo. Após a manhã com os alunos vamos almoçar em um restaurante muito simpático, aqui também é necessário encomendar a comida, assim vamos no bom e velho bitoque novamente.
Huambo - Restaurante Novo Império


Sérgio vai seguir para o Bié de carro e eu vou para o hotel. Comprei a minha passagem pela Air Gemini na tarde de ontem, pouco depois de ter chegado a cidade. Está marcada para a quinta-feira, amanhã.

As 15:00 h sou deixado no hotel e marco com o ponto focal, que vai me levar ao aeroporto, para as 9:00 h. Como não me arrisquei a sair sozinho, fiquei no hotel trabalhando até mais ou menos umas 19:00h. Já havia aprendido na noite anterior, assim, por volta das 16:00 h passei no restaurante e encomendei outro bacalhau, dessa vez apenas com legumes, bem ligth.

Ao chegar no quarto abri as janelas e fiquei pensando... Família, trabalho, amigos, Angola, Brasil, estudos, internet, PAN... Não sei ao certo quanto tempo fiquei refletindo, será que isso que é filosofar? Viajei eh??? Estou em África, como eles dizem aqui, faz parte. Fui acordado por um por do sol que invadiu o ambiente e meu coração com jeito de presente. Vermelho intenso a terra que cobre todos os cantos. Vou sempre lembrar do crepúsculo daqui, o mais lindo de todos, nem mesmo o de Brasília, Rio de Janeiro ou Fernando de Noronha tem o fim de tarde como o da África... Lindo.
Huambo - Por do sol


O jantar estava ótimo, muito gostoso mesmo. Batatas, cenoura, couve e o bacalhau, bem preparado, com pouca gordura, do jeito que eu gosto. Bem servido, após pagar a conta, subi para o quarto, sabia que iria pegar a estréia do basquete masculino no Pan. O jogo foi legal, depois foi só enrolar um pouco nos canais para esperar o sono chegar. Acerto o despertador e bons sonos.

Huambo – Desembarque – Parte 2

Huambo - Aeroporto


Huambo - Aeroporto


O bimotor segue por uma pista longa e pela janela eu não vejo nem sombra do aeroporto. Percorremos uma boa parte da pista, que parece ser capaz de receber aviões bem maiores ao que estou. No final da pista, quando paramos totalmente, damos uma volta de 180 graus e retornamos pelo caminho que acabamos de passar. Dois minutos se passam e me pergunto: será que é isso que chamam de táxi aéreo... Não sei se vão entender a piada – passeio pela pista, táxi... Bom, cheguei ao prédio onde vamos descer.

Como havia sentado na primeira cadeira da primeira fila, fui o primeiro a desembarcar. Assim como na partida ao desembarcar um tapete vermelho está estendido, cheio de pompa essas viagens. O prédio é simples e vejo mais à frente duas entradas, uma diz passageiros e a outra bagagens, foi fácil saber para onde ir, lógico. Percebo obras, vou descobrir na volta a Luanda que existe um projeto de ampliação em execução.
Huambo - Aviões parqueados


A primeira parada é na imigração que analisa meus documentos. Com uma cara de poucos amigos o agente carimba minha passagem, anota o meu nome e pergunta onde vou ficar. Informo que existe uma pessoa esperando por mim na saída. O agente devolve meus documentos e me libera.

Inusitado foi local para pegar as bagagens, mais parece um local de inspeção. Nada de esteira rolante ou coisa parecida, apenas uma estrutura metálica onde serão depositadas as bagagens. Como aqui em Angola os Angolanos não gostam de fazer fila, ou bixa se preferir, fica aquela agonia para pegar as bagagens. O carrinho com os pertences dos passageiros chega e cada um vai indicando qual é a sua. Nenhum controle para sair, mas isso é até compreensível, afinal de tão pequeno, poucos problemas de extravio de bagagem devem ocorrer. Esqueço que não estou no Brasil e mantenho a minha neura de estar a todo o momento olhando para as minhas coisas com medo que algum espertinho leve.

Já na saída Dona Helena me aguarda, ela é funcionária do INLS e veio com o Sérgio para Huambo. Subimos no carro sinalizado e seguimos até o local dos treinamentos. Estou animado.
Huambo - Esteira de bagagens

segunda-feira, julho 30, 2007

Huambo – Saída de Luanda – Parte 1

Terça-feira 24 de julho de 2007, finalmente vou conhecer a primeira província, Huambo. Foram uma série de desencontros e reorganizações de cronograma até chegar a essa primeira viagem. Para as próximas semanas viagens a Benguela, Namibe, Lunda Sul, Lunda Norte, Zaire e Cabinda. As províncias, que são o mesmo que estados, são 18 no total, sendo Luanda uma delas.

Tudo ao meu redor treme, escrevo em pleno vôo em um avião bi-motor da Embraer da companhia Air26. Hoje realmente foi um dia de estréias, nunca havia andado em aparelho assim. Abordo aproximadamente 30 pessoas, contando com a tripulação, sendo três na cabine e mais a comissária de bordo. As hélices fazem muito barulho, parece que estamos no meio de um liquidificador. Apesar de estar com o fone de ouvido a 70% do volume, quase não escuto a música.

Aeronave que fui a Huambo


Acordei cedo e atrasado. Havíamos combinando de sair as 6:00 horas da manhã, mas não sei porque coloquei na cabeça que eram as 6:30 h, assim as 6:30 h estava lá em baixo. O carro saiu apertado com o motorista Judy, André Leão na frente e eu, Ana Flávia e André no banco de trás. Estavam todos com aquela cara de sono, de abuso mesmo, mas eu parecia um menino, estava excitado com a viagem e quase não encosto no banco. Após deixar a tropa no Josina Machel para mais um dia de trabalho, seguimos para aeroporto de vôos domésticos.

Os vôos domésticos são realizados uma espécie de anexo do aeroporto 4 de fevereiro, ou se preferir o aeroporto internacinal. Passamos por uma rua que está sendo reformada, mas que agora é pura terra. A reconstrução do pais ainda me assusta, são obras por todo lado. Chegamos na entrada, um estacionamento pequeno na frente. O vigilante não queria me deixar desembarcar sem pagar 100 Kwanzas, após argumentar consegui seguir sem desembolsar nada.
Sala de embarque do aeroporto doméstico de Luanda


É recomendado realizar a primeira viagem com alguém que já tenha feito isso antes, havíamos programado assim, todavia problemas acontecem e é necessário improvisar. Como não conseguimos bilhetes no mesmo dia, vou encontrar com o Dr. Sérgio no local, ele embarcou ontem. Sozinho no aeroporto tudo é novidade. Tenho que tirar de letra essas dificuldades. Foi mesmo assim, como diriam os Angolanos, pergunta daqui, se esquiva dali e consegui fazer o check-in. A minha bagagem de mão teve que ser despachada, quando cheguei ao avião entendi, realmente não tem espaço para acomodá-la.

Antes de chegar à sala de embarque tive que passar pelo oficial da imigração. Angola está mudando as suas leis de imigração e foi necessário um pouco de conversa para ele me deixar passar. Os meus documentos estão todos corretos e válidos, passei afinal.

Ontem não consegui dormir cedo, cheguei a sala de espera, coloquei o Ipod e fiquei cochilando sobre a mala do note book. Estava naquele esquema, um olho no peixe e outro no gato. Após pouco mais de 1 hora e meia chamaram para o embarque.
Luanda - Aeronave na pista


Hélice do bi-motor Embraer


Gostei muito de ver a aeronave no pátio, com aquelas grandes hélices. A escada parece bem frágil e subimos com ela fazendo barulho. Sento logo na primeira cadeia, perto da porta. A aeromoça fala os procedimentos de segurança e quando chega ao momento em que ela explica os procedimentos para o caso de um pouso de emergência, só consigo pensar: "Vira essa boca para lá". O comandante deu as boas vindas e falou isso em dois idiomas. Até ai nada de novidade, a primeira língua foi o português, já a segunda foi Umbundo, essa é a língua nativa da província de Huambo. Bem legal, estou em África.

Já vamos pousar, tenho que desligar o note. Huambo ai vou eu.