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sexta-feira, março 14, 2008

Lubango - Huila

Abraçando a Serra da Leba - Lubango

Huila com certeza, dentre as províncias que visitei, é que tem a melhor estrutura. Além disso Lubango é uma cidade linda, conhecida por seus moradores como a Europa da África. O frio durante o dia e principalmente à noite dá o ar aconchegante a esse lugar.
Lubango, a Europa Africana

Logo na chegada ao aeroporto uma indicação de que estamos em um dos lugares mais altos e de Angola. Lubango, segundo a indicação, está há mais 1700 m de altura. A primeira coisa que se avista ao chegar é o morro do Cristo rei.

Chama muita atenção a infra-estrutura da cidade, as ruas asfaltadas e limpas juntamente com casas muito bonitas. Passei pelo hospital que está em reformas, realmente uma grande estrutura condizente com população da cidade que é de um milhão de habitantes.
Residência de Lubango

Lubango é famoso não só pelo seu clima como também pela serra da Leba. Me faltam as palavras para descrever tamanha beleza, é com certeza um dos lugares mais lindos que tive oportunidade de conhecer. A estrada da serra visa ligar o Namibe a Huila. Dizem que antes da estrada era necessário dar um contorno muito grande. A obra foi realizada por uma mulher, uma inglesa. Fico imaginando como deve ter sido essa aventura.
Serra da Leba

Como se não bastasse a estrada, que é uma beleza estonteante, no mesmo local uma cachoeira maravilhosa. O barulho das águas preenche lugar como se fosse uma música. Um frio gostoso da serra dá um ar todo romântico. As nuvens, que se formam no local, ficam abaixo do seu olhar, parece que estamos acima do céu. Nesse dia em especial um espetáculo a mais. Por trás das nuvens do fim de tarde, o sol projetava uma luz. Não consigo achar definição melhor para essa luz que “ a imagem de Deus”.
Cachoeira

Todo visitante ou morador de Angola deveria conhecer Lubango. Realmente vale muito a pena o passeio.

Luz entre as núvens

quarta-feira, novembro 07, 2007

Dundo – A cidade das mangueiras

Província de Lunda Norte


Viagem a província de Lunda Norte ao município de Dundo. A viagem foi bem tranqüila se desconsiderar-mos as 2 horas de atraso no aeroporto. É como dizem: Tirando o que está ruim, o resto está bom.

Não sei bem o porque, mas desde que pisei no aeroporto as 5:30 h que só penso em queda de avião. Fiquei tempo todo tentando me concentrar em outra coisa, mas nada. Comecei a me preocupar afinal eu nunca me vem a cabeça isso, muito menos tenho medo de avião. Quando vi a aeronave que iríamos viajar foi que o medo bateu. A fuselagem era toda em metal, sem pinturas, com uma cara de ferro-velho. Pintada apenas, na parte superior, estava escrito “A serviço da TAAG transportes aéreos Angolanos”.

Avião da TAAG com escada na traseira


Outra novidade, não foi necessária escada para subir no avião, por trás da calda baixava uma escada. Eu nunca havia viajado em uma aeronave assim. O que não tem solução, solucionada está, um olhar no futuro e pé na estrada.

Na chegada outra surpresa, paramos no meio da pista e descemos pela mesma escada da calda. Fomos desembarcados a espera das bagagens em um galpão ou seria um armazém. Alguns entulhos pelo local e todos os passageiros se amontoam de pé a espera da bagagem. Demora muito, uns 30 mim, mas chega a nossa bagagem. Todas as malas foram colocadas na caçamba de uma camionete. Depois de entrar no armazém o motorista desligou o carro e cada um que pegue a sua mala. Na saída do galpão, novamente uma revista no meu passaporte e no visto.

Aeroporto do Dundo


A primeira impressão do Dundo são as mangueiras, elas estão por toda parte da cidade. Dos dois lados pista só se vem as imensas árvores, todas enfileiradas. Realmente muito bonito. A cidade é muito verde e parece um grande condomínio de luxo fechado, pois nenhuma das casas tem muro. Os jardins são bem cuidados e há grama por todo lugar, eu disse grama e não mato.

Mangueiras enfileiradas por toda cidade


A cidade parece um grande condomínio fechado


As arvores estão carregadas e ao chegar na pousada, no final da tarde, sai para dar uma volta a pé. Muitas pessoas comem mangas com as mãos, mais a frente, no que seria uma grande praça apenas com gramado e algumas arvores, está acontecendo uma animada partida de futebol.

Pousada


Continuo caminhando e vejo uma agencia bancária e um supermercado. No centro do dois uma rotunda com um grande obelisco. Os jardins da cidade me encantam e nesse obelisco tudo está bem tratado ou em reforma.

Banco da cidade


Obelisco do Dundo


As ruas estão molhadas, choveu muito pela manhã, a caminhada tem um cheiro molhado de terra. Sinto-me caminhando em uma cidade de filme americano, tipo Small Vile.

Apensar da guerra se vê todo cuidado que a população tem com a sua querida e distante cidade. Ainda há muito mais o que conhecer no Dundo.


A cidade é muito verde e a manhã chuvosa deixa um cheiro gostoso de terra molhada

quinta-feira, agosto 02, 2007

Huambo – Volta a Luanda – Fim

Acorda!!! Ainda bem cedo, dormi tranqüilo, calmo, acordei melhor ainda. Disposto para a minha volta. Estou feliz, não conto o tempo, vivo o aqui, o agora. Voltar para Luanda, para o projeto. Coloco tudo no bolsa da mesma forma que minha queria irmã faria... Sei que ela entendeu KKKKK. Tomei um banho a conta gotas, o dia está frio e para que o banho fique quente tem que ser com o chuveiro quase no fechado.

Decidi ir de terno para o aeroporto, chegando ao destino já vou direto para o trabalho. Desço para o café da manhã, pequeno almoço ou mata bicho, com esses termos vamos chegar ao mesmo lugar, desjejum. O pão está duro, se o jantar é uma maravilha tenho a impressão que o cozinheiro só trabalha a noite. Acabou, foi só para enrolar mesmo.

Subo para quarto e logo em seguida recebo a ligação do ponto focal, ele já está me esperando para me levar ao Aeroporto. Antes de seguirmos, entretanto, peço para dar uma parada em uma loja onde sejam vendidos cd’s, quero deixar em Huambo de forma que eles possam realizar o backup.

Chego cedo ao Aeroporto e de caro estranho a entrada. O local está em reforma e o meu caminho anterior agora está interditado, vou entrar por outro local. Tudo novinho, simples, lembra um pouco as rodoviárias de Pernambuco. Nunca havia visto isso, o check-in atrasou uma hora! Impressionante, atrasar check-in... Só em luanda. É um entra e sai danado de pessoas e todos se amontoam em um espaço que caberiam 10 têm umas 40 pessoas. A cada minuto de passa mais confusão. Finalmente as bagagens começam a ser liberadas e o fluxo de passageiros vai diminuindo. Antes porem uma surpresa, eu era o primeiro da fila, já que cheguei na hora, Angolano não gosta de pontualidade, simplesmente mudaram o balcão. Acabei ficando quase no fim da fila, coisas de Angola.

Sala de embarque do aeroporto


Passar pela imigração, pois mesmo sendo um vôo domestico, sempre conferem os documentos das pessoas. Sentar em uma cadeira nova da sala de embarque. Nada de climatização, apenas umas cadeiras simples e uma telha metálica, um bocado de poeira e o banheiro bem molhado. Infelizmente falta muito de gerencia, tudo novinho, pecam na manutenção, isso para quase tudo aqui em Angola.

Três horas de atraso do avião... Affffff. Gastei a bateria toda do notebook e ainda tive que esperar. Ainda bem que levei uma revista. Como estava sozinho o tempo custa a passar. Como estamos no cacimbo, época fria nessa região, agradeço haja vista que essas telhas devem esquentar um bocado.
Lanchonete da área de embarque


A aeronave finalmente chega, um 747 da Air Gemini. Percorremos a pista toda à pé, bem engraçado isso. Cruzamos a pista principal do aeroporto, onde os aviões realizam pousos e decolagens, nunca tinha visto isso. Outra coisa que Angolano não gosta, fila ou bixa se preferir, mais uma pouco de confusão na hora de entrar. A turma da classe executiva fica quase 20 mim no sol.
www.airgemini.com

Jato Air Gemini

O tempo passa calmo quando já estamos sentados e a comissária, bonita, ajuda no visual. Como vamos a uma baixa altitude posso ver os campos durante todo o caminho de volta.

Chegamos a Angola, fim da viagem, adorei Humabo. Recomendo a visita.

segunda-feira, julho 02, 2007

Proibição da TAAG na Europa

Essa é decisão que pode influenciar em muito a vida dos Brasileiros aqui. Por não cumprir normas internacionais de segurança a TAAG está sendo impedida de voar na Europa. Ouvi falar de um problema de tradução de manuais e algo do tipo, mas tudo boato, não tenho com confirmar a informação.

Fora a TAAG as outras rotas para se chegar a Angola vindo do Brasil, que eu conheço, são por Lisboa ou pela África do Sul. Entretanto o acesso mais barato é mesmo vindo pela TAAG com o vôo que sai do Rio de Janeiro.

Atualmente a TAAG realiza 6 voos semanais para a Europa, todos para Lisboa. Com essa proibição as passagens pela TAP, a outra companhia que voa para Lisboa, vai ficar ainda mais difícil de ser marcada.

Esperar para ver o que vai acontecer.

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Compainha proibida da voar em espaço aéreo europeu
http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=63993

A Comissão Europeia anunciou ontem a decisão de incluir a TAAG, Linhas Aéreas de Angola, na "lista negra" de companhias áreas impedidas de voar no espaço europeu.
Em comunicado, emitido antes do despenhamento de um Boeing da Taag na cidade do Soyo, província do Zaire, o executivo comunitário indica que o Comité de Segurança Aérea deu parecer favorável por unanimidade à quarta actualização da sua "lista negra", que, entre outras alterações, contempla uma interdição de voar em espaço aéreo à TAAG, empresa até agora com voos regulares para Lisboa.
Na sequência do parecer do Comité de Segurança Aérea, a proibição deverá entrar em vigor "nos próximos dias", aponta Bruxelas.
A "lista negra" da Comissão inclui cerca de uma centena de companhias aéreas, por não aplicarem as normas de segurança e constituírem um perigo para os passageiros.
A lista é elaborada com base em contribuições nacionais dos Estados membros, que comunicam a Bruxelas as companhias com problemas. Numa análise profunda por especialistas após contactos com as empresas visadas, a lista é revista periodicamente, sendo possível a uma companhia sair e entrar nela, consoante o cumprimento ou não das medidas de segurança.
A entrada da TAAG na "lista negra" da União Europeia para as companhias aéreas implica a suspensão de dez voos semanais da transportadora angolana para Lisboa, informou fonte do Instituto Português da Aviação Civil (INAC).
A mesma fonte adiantou à Lusa que a interdição da TAAG, anunciada pelo Comité de Segurança Aérea da Comissão Europeia, entra em vigor a partir do momento em que a decisão for publicada no jornal oficial das comunidades, o que deverá acontecer na próxima semana.
A TAAG opera seis voos semanais de ida e volta Luanda-Lisboa.
A companhia aérea angolana opera outros dois voos semanais de ida para Lisboa, com regresso a partir de Paris e de Londres.
De acordo com o INAC, serão também suspensas as duas ligações semanais à capital portuguesa que os aviões da TAAG operam em nome da transportadora oficial são-tomense, a STP Airways.

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TAAG classifica acto de concorrência desleal
http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=64130

A transportadora aérea nacional TAAG descarta qualquer interdição de os seus aviões sobrevoarem no espaço europeu, ao contrário da notícia tornada pública por vários jornais portugueses durante a semana passada.
“Não foi tomada nenhuma decisão pelos órgãos da União Europeia no sentido de interditar a TAAG de sobrevoar o espaço aéreo europeu”, lê-se num comunicado enviado ontem pelo gabinete de comunicação e imagem da companhia de bandeira.
De acordo com a nota, um comité de peritos fez uma recomendação dirigida à Comissão Europeia neste sentido, mas aquele órgão só tomará uma decisão dentro de alguns dias, pelo que ninguém pode prever qual será o seu veredicto.
“A difusão precipitada da recomendação dos peritos e a exploração que se tem feito delas nos ‘media’ internacionais inscreve-se na estratégia de certos círculos de interesse que procuram afastar as com- panhias aéreas africanas do mercado mundial”, ressalta o comunicado em que a TAAG “classifica este comportamento de procedimentos de concorrência desleal, contrário à prática do comércio internacional e reserva-se o direito de responsabilizar os seus autores”.
Para os responsáveis da TAAG, que reafirmam a todos os clientes e parceiros garantias de fiabilidade, a companhia angolana dispõe da frota mais moderna em África, sendo uma das mais modernas do mundo.
“Os nossos pilotos fazem parte do grupo dos mais experientes do continente africano e aperfeiçoaram-se recentemente na Boeing, nos Estados Unidos da América. A TAAG não poupa esforços para melhorar a qualidade dos serviços prestados aos seus clientes”, assegura a empresa que diz não recear nada quanto às medidas de segurança.
Com efeito, a com- panhia diz-se vítima de um estado de coisas que a ultrapassa, na medida em que é apenas uma empresa comercial. Entretanto, “a nossa companhia não se deixará intimidar”, assevera a companhia.
Durante a semana finda, a imprensa europeia noticiou que a Comissão Europeia havia incluído a TAAG, Linhas Aéreas de Angola, na "lista negra" de companhias áreas impedidas de voar no espaço europeu.
Para aquela imprensa, “o Comité de Segurança Aérea deu parecer favorável por unanimidade à quarta actualização da sua "lista negra", que, entre outras alterações, contempla uma interdição de voar em espaço aéreo à TAAG, companhia até agora com voos regulares para Lisboa”.
A "lista negra" da Comissão, de acordo com a imprensa europeia, inclui cerca de uma centena de companhias aéreas proibidas de voar no espaço aéreo europeu por não aplicarem as normas de segurança e constituírem um perigo para os passageiros. A lista é elaborada com base em contribuições nacionais dos Estados-membros, que comunicam a Bruxelas as com- panhias com problemas, e numa análise profunda por especialistas após contactos com as empresas visadas.

segunda-feira, junho 25, 2007

Dilúvio em Luanda – Afogamento de lágrimas devido ao trânsito

Durante os primeiros meses aqui em Angola ficar inventando passa tempos para o transito era uma constante, afinal, todo dia pelo menos 4 horas no carro. Depois de certo tempo as brincadeiras esgotaram e eu não tinha mais a menor vontade de jogar “nome - lugar - objeto”. Houve dias que o desespero era tão grande que partimos para partidas emocionantes de par ou impar. A verdade e que a vontade que sempre tive foi de jogar uma boa e velha porrinha, só bebendo para agüentar esse carro. Infelizmente a dinâmica do carro não permite um domino, mas considerei seriamente uma partida de pôquer.

Quer saber de uma coisa, esse negócio de ficar inventando coisas para se fazer não está com nada, o negócio é dormir. Eu faço isso também, fico com medo de acordar babando na porta ou algo do tipo. Com a turma do trabalho tira a maior sarro comigo, decidi prestar essa homenagem a minha grande amiga Ana Flávia que foi flagrada em seu momento “Estou me afogando”.

A última novidade tecnológica do carro é esse suporte em forma de colete salva-vidas que Ana Flávia trouxe de sua última viagem ao Brasil. Acho que ela deve se imaginar no SOS Malibú ou algo do tipo.

Na boa, o que será que ela está sonhando? Sei que ela vai ficar danada comigo por ter publicado essa foto, mas como diz o ditado: “Agente perde o amigo, mas não perde a piada”.

Afff te adoro, fica braba não visse?

Beijo grande e bons sonhos... Cuidado para não se afogar.... KKKKK

quarta-feira, junho 13, 2007

Rally – A volta para casa

Acordando no acampamento

Ainda bem, acordei sem ressaca. A primeira coisa que gosto de fazer ao acordar no fim de semana é tomar um banho, só que água doce pelas próximas horas será impossível. Saio do carro, minha cama na última noite, o dia amanhece frio e com um sol tímido das 6:00 h da manhã. Acordar cedo é ótimo pois deixa o dia longo e hoje ainda vai acontecer muito coisa nesse rally.

Já tem algumas pessoas conversando perto da fogueira, logo descubro que foram os que não conseguiram dormir direito. À noite tivemos alguns problemas, eu que estava literalmente desmaiado nem notei, algumas pessoas rondaram o acampamento. Como haviam muitos objetos desprotegidos como o som e o gerador, foi necessário alguns corajosos para ficar de vigia. Esse é um lado ruim do acampamento, segurança. Mesmo aqui em Angola, onde a criminalidade é bem menor que no Brasil, é difícil para um Recifense, acostumado com minha terra, não se sentir desconfortável passando a noite em uma praia. Ainda bem que tudo correu bem.

Sergio é um dos que já está acordado, ele me chama para uma caminhada que eu prontamente... não aceito. Ta maluco, acabei de acordar, vou ficar na preguiça um tempão antes de despertar. Vai lá Kamba, depois me conta.
As gaivotas me dão bom dia

Sento sozinho, numa manha cinza, sem nuvens, a beira do mar. O silencio me conforta e abriga o meu imaginário dando segurança a minha memória. Algumas das viagens que já fiz, lugares que conheci. Reflito sobre meus objetivos e o que desejo... Faço a velha pergunta: O que eu quero ser quando crescer? O mar calmo como um grande campo de verde de cana de açúcar que tantas vezes vi ai viajar pelas estradas Pernambucanas, minha terra. O silencio e a boa sensação de estar sozinho, mas não me sentir só, é quebrado com a chegada de dezenas de gaivotas que descansam em um pequeno terral formado pela maré baixa. Elas voam na minha frente e parecem se mostrar para mim, para esse viajante que veio de tão longe, do outro lado do oceano, e que agradece pelo espetáculo. Bem na minha frente elas mergulham e saem com um belo peixe na boca. Uma, duas, três, várias vezes e eu tenho certeza que eu quero ser uma gaivota quando crescer. Consegui até fazer um vídeo de uma delas mergulhando e saindo com o peixe.

Quanto estava no mais profundo dos pensamentos e com aquele sorriso bobo no rosto sou trazido a realidade, minha adrenalina sobre. Quatro Angolanos vem pela praia, estou com a minha máquina fotográfica novinha nas mãos e com o mp3 no ouvido. Acostumado ao Brasil começo a me despedir deles, acabei de paga-los. Quando dei conta dos rapazes já era tarde de mais. Foi então que eles pararam na minha frente e puxaram conversa. “E ai chefe, bom dia. Vamos jogar um futebol? Você joga?” Ah eu tinha certeza, estavam só me enrolando, e não havia mais ninguém no acampamento atrás de mim. Sergio foi caminhar, os outros acho que deitaram já que eu estava acordado. Eu estava sozinho. “Oi, obrigado, mas acabei de acordar, ainda estou com sono e nem tomei café. Todo pessoal esta dormindo, estou com fome.” Um deles tem o cabelo amarelo e senta ao meu lado, na verdade deita. To ferrado, agora é relaxar e torcer para alguém do acampamento aparecer. Com mais alguns minutos eles falam entre eles, quimbundo que não entendo. Logo depois levantam-se, se apresentam, apertam minha mão e vão embora. Antes porem me dizem que se eu quiser jogar bola é só procura-los em uma barraca logo mais à frente onde eles estão. Nem acredito, não fui roubado. Fico aliviado e vejo o que a violência do Brasil faz conosco, só agora a adrenalina vai baixando, e eu que tinha certeza. Ainda bem, nada aconteceu.

O pessoal começa a levantar e um café da manha a base de leite, pão, queijo e presunto é providenciado. Me animo e vou fazer um “Mata Bicho”. Mata bicho é como os Angolanos chama o café da manha, uma gíria. Estava bom, desculpe está ótimo, eu estava morrendo de fome. Aqueles momentos meus, a beira da água, até me fizeram esquecer que eu não havia comido. Sérgio chega e depois de comer ao lado da fogueira, que ainda tem algumas brasas, sentamos novamente a beira do mar para conversar. Mais pessoas se aproximam, estão todos acordando, devagar, e com mais alguns minutos já tem uma turma boa ao nosso lado. Todos estão lembrando da noite anterior, do luau. A risada foi sonora ao lembrar do Soba dando em cima das mulherada. Teve ainda o Soba dançando Ilarié, eu lembro a todos, fiz até um vídeo.

Sergio com muita coragem diz que vai tomar um banho de mar. Quando ele entra avisa que a água está fria mas muito boa. Tomo coragem, tiro a camisa e num só pulo caio dentro. Foi apenas o tempo de colocar a cabeça do lado de fora e dar um grito. “Ahhhh que água fria.” Fria não, gelada, mas depois que acostumou foi uma sensação incrível, eu agora acordara, estava pronto para outra.

Lá pelas 10:00 h da manhã o pessoal começa a falar em levantar acampamento, mas com tamanha lentidão que somente as 11:00 h é que o negócio começa. Com uma hora de trabalho parece que nem passamos pela praia, tudo nos carros. É hora de deixar a areia e guardar na lembrança as imagens dessa viajem maravilhosa. Ainda bem que tenho aminha máquina para me ajudar. O blog vai ter uma excelente história nos próximos dias.

Antes mesmo de sair do acampamento, já dentro dos carros e com tudo empacotado, o pensamento coletivo era o desejo que os carros não atolassem na volta. Uma coisa foi quando os carros pararam na ida, todo mundo queria ajudar, mas agora, depois da farra, o desejo era chegar em casa e tomar um bom banho. Chuveiro, toalha nova, roupa limpa e nada de areia e bunda do lado de fora. Para a nossa sorte os motoristas na volta já sabiam o que fazer e não atolamos uma vez sequer.
Caminho de volta

Ninguém quer que o passeio acabe e ainda há tempo para mais uma parada. O Barsulo fica no caminho de volta e decidimos por um pit stop, apenas o tempo suficiente para beliscar alguma coisa e tomar uma coca-cola, afinal já são mais de 13:00 h.

O lugar, o Barsulo, é realmente incrível. Um pedaço do paraíso que o dono, um brasileiro, criou com carinho. Os preços, em compensação, não são nada encantadores. Por um sanduíche e uma coca paguei o equivalente a R$ 50,00. Fui xingando o resto do caminho para casa.
Pit Stop no Barsulo

A paisagem na volta me acalma e eu relevo, ta na chuva é para se molhar. Seguindo o caminho passamos pelas mesmas lugares que agora parecem diferentes, estão ainda mais bonitos. Em um mangue, nada mais Recifense que um mangue, descansam dezenas pássaros que parecem flamingos, só que brancos. Tiro uma foto e falo na mesma hora: “Essa vai para o blog!”
Pássaros e mangue, cenário recifense

Quando chegarmos à estrada já é fim de tarde e ainda há tempo para tirar algumas fotos da vegetação. Iniciei essa história, a primeira foto, com um grande Imbodeiro. Vou terminar com ele também.
Imbodeiro

O por do sol começa a ser ensaiado novamente. Olho para o horizonte e como se fosse uma criança faço um desejo à mão natureza. Tenho uma sensação engrada de certeza que vai acontecer. Desejo novas aventuras como a que acabei de realizar. Por fim penso na minha família, mando um beijo para ela apenas com o meu coração, e me perco nos pensamentos e na imaginação olhando para as belezas da África.
Meu rosto diz tudo sobre a viagem

quinta-feira, junho 07, 2007

Rally - chegada ao acampamento

Imbodeiro

Depois de trinta minutos na estrada avistamos um grande Imbodeiro. É uma árvore realmente grande com o diâmetro do tronco tão grande, mas tão grande que algumas precisariam de umas 20 pessoas para abraçá-la. Certa vez vi um documentário da Regina Case, ela falava sobre essa árvore que no Brasil é conhecida como Baobá. A lenda na África, onde o programa foi filmado, diz que o Imbodeiro era uma árvore muito vaidosa, por ser maior que as outras e muito bonita. Então Deus como castigo a retirou da terra e a colocou de cabeça para baixo. Realmente, na maior parte do ano, quando não há folhas na árvore, os galhos mais parecem a raiz da planta.

Entramos na estrada de terra, todos estão realmente empolgados e os primeiros solavancos do Rally começam a ser sentidos, apenas um aperitivo para o que vinha pela frente. Fred a essa altura começa a se soltar e fazemos uma primeira parada na estrada, motivo, pegar uma cerveja em um dos carros que transportava toda bebida. Uma rodada para todo mundo, o sol até não está tão quente, mas tudo é motivo para tomar uma. Monta todo mundo nos carros e vamos em frente.

Fotos, muitas fotos, fico pensando a todo instante no blog e nas imagens que quero colocar lá. Registro tudo, a posição é boa já que estou na frente da caminhonete que viaja de vidro aberto. Gostaria de mostrar as pessoas tudo que estou vendo. Tenho tanta coisa para contar, tantas histórias imagino olhando esse cenário. Gostaria de escrever um livro. Não espalha, mas tenho um desejo enorme de ser escritor. Louco não?

Soba

Mais um integrante vai ser adicionado à aventura. No meio do caminho paramos em uma casa simples. A construção de barro lembra uma casa de taipa. Existe um pequeno roçado de macaxeira e alguns legumes. Dois pés de goiaba e uma espécie de mesa, feita com palha de coqueiro. Sobre essa mesa, peixes secando. É um alimento típico da população esse peixe seco, geralmente servido com a macaxeira e forma de fungi. Da casa sai um senhor que vim descobrir é bem mais velho do que aparenta. Pensei que ele tivesse uns 50 anos, mas na verdade já passara dos 70. Seu nome esqueci, contudo a forma como todos o chamam, ou melhor, o seu “título”, é Soba.

Soba é um tipo de líder comunitário, um cassique. O mais interessante é que o Soba tem poder político, administrativo e realiza até pequenos julgamentos dentro da sua comuna. Comuna é um espaço de terra que pode compreender alguns bairros. As comunas existem dentro e fora da cidade e nesse caso, como estamos em um meio rural, é uma área bem grande onde quem manda é o soba. Se existe uma briga em casa ou entre visinhos, o soba é chamado para resolver e o que ele falar é lei. Se o governo quer instalar uma escola no local, tem que antes falar com soba. Se o governo disser que vai ficar do lado esquerdo e o soba disse que vai ser do lado direito, vale o que o soba disser. Alem disso se ele disser que não vão colocar escola nenhuma a decisão vai ser essa.

Sobe o soba, outra rodada de cervejas e pé na estrada. O primeiro carro a atolar é o menor de todos, uma Tucson. O carro é parecido com uma Ecosporte e vai conduzido por João Pedro. Desce todo mundo, corda, pá, mão, vale tudo e todo mundo ajudando, pense numa empolgação, parece até que gostaram por temos parado. Hora de baixar os pneus, isso vai ajudar no off-road. Puxa para cá, empurra para lá e o carro sai. Antes de seguirmos viajem mais uma rodada de cerveja. Estou achando que essa bebida não vai dar nem para chegar ao acampamento.

Baixando pneus

Fotos, fotos, fotos. Por incrível que pareça e apesar da quantidade de areia e terra fofa, é possível ver muitas marcas de pneu de carro. No caminho muitas casas, quer de nativos, quer de veraneio. Existem algumas casas pré-fabricadas, descobri depois que eram de pessoas que são autorizadas pelos proprietárias a ficar ali, contudo não podiam construir em alvenaria para não fixar residência. Essas cassas de madeira são utilizadas nos finais de semana, casa de praia.

Chegamos a um campo com grandes palmeiras. Dou nome ao lugar de terra de gigantes. Uma vegetação baixa cobre quase todo campo. No meio grandes gigantes, palmeiras que sozinhas já seriam esplendorosas, mas juntas, UAU. As imagens são incríveis e fico pensando nas pessoas que amo e como gostaria que elas estivessem aqui. Minha irmã iria adorar a aventura. Parar, xixi, cerveja e novamente pé na taboa. Vamos aos trancos e barrancos, literalmente, e essa é a melhor parte. Henrique dirige muito bem, ele me disse que já tem experiência com rallys e que possui uma Toyota no Brasil só para isso. Em um dos buracos dou uma cabeçada no retrovisor que está doendo até agora (exagero danado). Serio mesmo doeu pra caramba, mas para tudo na vida existe uma solução e para resolver essa só tem um jeito. PASSA AI MAIS UMA CERVEJA!!!
Terra de gigantes

Passado os gigantes chegamos no local mais difícil de travessia, uma faixa de terra que quando a maré enche muito cobre e transforma a península em uma verdadeira ilha. A areia é muito fofa e com certeza teremos muito trabalho para atravessar. Os carros atolam com uma facilidade impressionante, deu bobeira já era. A Tucson, coitada, depois de muito parar, foi rebocada o resto do caminho por uma grande Toyota que faz parte da expedição. São 6 carros em um cenário que mais parece as dunas de Natal, lindo, o que mais posso dizer? De um lado o mar protegido da península e do outro lado o oceano aberto. O dia está calmo, com pouco vento, assim, tanto de um lado como do outro as águas estão bem calmas. Outra parada, mais uma cerveja. Pensei agora em uma música para esse rally ela seria mais ou menos assim: 360 quilômetros, 360 quilômetros, para um pouquinho, cerveja pra dentro, 360 quilômetros. Lembra dessa música?

Passamos por pequenas casas e por um bar que reconheço, já vim aqui algumas vezes de barco, seu nome Barsulo. Atravessando toda a península chegamos ao ponto mais próximo do continente, pronto, ora de descer e montar acampamento. Ao descer do carro a primeira pessoa que vejo é Sérgio, que veio no carro das bebidas e já estava mais para lá do que pra cá. A turma se junta e é hora de montar o acampamento.

segunda-feira, maio 21, 2007

Voltando de Férias

Aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro. Sinto o meu rosto igual àquelas máscaras de carnaval em que metade está sorrindo e a outra metade chorando. Acabei de desembarcar de um vôo da Gol que para a minha felicidade não atrasou nem 10 minutos. Será que hoje é o meu dia de sorte??? Já estou chegando à fila de check-in da Taag – Linhas Aéreas de Angola – vejo as pessoas que vão fazer parte do meu cotidiano nos próximos meses. Muitos Angolanos, com algumas roupas típicas. Os Angolanos quando vem para o Brasil são a imagem dos Brasileiros desembarcando de Miame, tênis Nike, Ipod, e um monte de bagagens. As crianças cheias de tranqueiras das mais diversas, realmente engraçado.

Essa é a segunda vez que eu vou para o trabalho pela Taag, da última vez o vôo atrasou 13 horas, vamos ver no que dá dessa vez. O rapaz da Zorzi, empresa que auxilia com os vistos e o embarque, chega perto de mim, ele me reconhece por conta da viagem anterior. Digo o meu nome no meio de umas 10 pessoas, esse balcão é sempre meio confuso. São pessoas da Odebrecht, a turma da Zorzi, outros despachantes, além das pessoas que tem que se aventurarem sozinhas. Junte tudo isso um monte de Angolanos e uma fila que parece não ter fim... Vamos lá.

Bagagem entregue e eu ainda com cara de bobo, olhando para qualquer lugar, sou chamado pelo rapaz da companhia, ele me informa que devo ir para um restaurante no último andar do aeroporto até as 20:00 h. Epa, perai, mas o vôo não será as 19:00 h. O atendente com uma má vontade daquelas, me informa que o avião atrasou e que só deve sair por volta das 23:30 h. Quem legal eh? Que jeito, o que não te solução, solucionado está.

Vai para frente e para trás e entro no avião... 7 horas depois chego a Angola. (Spíndola deixa de enrolar e fala logo o que você quer)

Bom, voltei e comprei uma máquina nova. Espero que o blog fiquei ainda mais legal. Obrigado pelos e-mails enviados, vou responder a todos.

:)