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quarta-feira, agosto 08, 2007

Casamento Angolano - Abraão e Tunicia

Abraão e Tunicia


Fiquei muito contente quando um amigo me convidou para o seu casamento. Abraão, Angolano, estava se cansando com Tunicia, uma menina muito simpática. Os dois têm um filhinho lindo que tive inclusive a oportunidade de tirar uma foto. A criança é uma graça apesar de eu achar que ele não gostou muito de mim.
Filho de Abraão e Tunicia


Já havia ouvido falar muito sobre o casamento Angolano e como a cultura local influencia esse ritual. Tinha muita curiosidade em conhecer e não me desapontei. O casamento ocorreu em uma sexta-feira, fim de tarde, o dia estava bonito e um pouco frio. Entramos pelo bairro do Kinaxixi até a igreja. Nesse mesmo local funcionam uma associação de moradores, uma escola e um centro de apoio. No centro de um grande terreno de terra batida a igreja.

Coro da igreja


Antes de entrar no recinto fui levado ao noivo que nervoso, dentro de um Corola, esperava o tradicional e muito cultural atraso da noiva. Ao chegar para a missa encontramos o local decorado com muito carinho. Cetim amarelo e flores naturais, via-se o cuidado por esse dia tão especial em cada detalhe.
Igreja decorada


Com certeza a parte que mais gostei foi o coro formado por meninas da igreja. Antes de começar o culto, já que estamos em uma igreja evangélica, a equipe faz um ensaio geral e eu viajo nas vozes que me lembram um documentário do Discovery Channel. Pedimos para que elas cantassem uma música em dialeto local, fomos atendidos. Uma canção sobre a família cantada em Umbundo, simplesmente incrível. Gravei tudo pena que de tão grande não dá para colocar no blog.
Os noivos se preparam para entrar, primeiro o noivo, que entra pela lateral da igreja. Diferente do Brasil a entrada do noivo também faz parte da cerimônia e todos já estão de pé à sua espera quando ele dá o primeiro passo na igreja. Em seguida ele vai até a porta principal da igreja onde recebe a noiva e caminha de mãos dadas até o altar.

Tudo corre bem, apesar Abraão está visivelmente um pouco nervoso. O coro entra várias vezes e em todas as oportunidades o ambiente se enche de harmonia inundado pelas vozes afinadas.

Já perto do fim da cerimônia outra surpresa. Os convidados se posicionam ao lado do altar com uma série de presentes. Aqui, antes do final, as pessoas levam as “prendas” para serem entregues no próprio casamento. Uma das convidadas me chamou a atenção, não consegui ficar sem tirar uma foto dela. Uma figura, muito simpática por sinal.

Entrega dos presentes


Convidada do casamento


Antes de irmos para recepção um costume bem Angolano, as pessoas entram em seus carros para um passeio pela cidade. Uma fila de automóveis com os piscas ligados andando no engarrafamento, olhe, foi legal pelo Abraão, mas ninguém merece entrar em um super engarrafamento porque quer. Paramos no meio de um condomínio para algumas fotos e em seguida o cortejo seguiu até a recepção.
Recepção


Chegando ao local da festa, muitos, mas muitos bolos mesmo, uns 15, nunca vi tantos em uma só festa. Havia também alguns caranguejos pendurados em uma madeira. As mesas bem arrumadas para os convidados deixavam uma excelente impressão em cada pessoa, como tudo foi feito com carinho. O ponto alto da comemoração foi o corte do bolo. A noiva corta uma grande fatia e a divide em vários pedaços. Em seguida ela coloca na boca das pessoas mais queridas, muito bonito. Mais uma tradição Angolana.

Bolos, muitos bolos


O bolo da noiva


O casamento foi uma experiência muito bonita e enriquecedora. Sinto-me cada dia mais envolvido por esse país e sua cultura. Angola é maravilhosa.

segunda-feira, junho 25, 2007

São João em Angola

Turma da Advance

Começo logo dizendo que a festa superou todas as minhas expectativas. Foi organizada pelo pessoal de uma construtora e um sucesso absoluto sobre todos os aspectos. A organização estava impecável. Um pequeno palco com DJ e muitas musicas juninas, apareceu até um sanfoneiro. Durante a tarde dei um pulo no local para ver se conseguia um ingresso a mais para um amigo e lá conheci os organizadores. Eles foram super atenciosos e mesmo sem haver mais nenhum ingresso a venda, eles me arranjaram um. Obrigado Junior pela sua atenção. Segundo a organização foram vendidos 600 convites ao custo de U$ 20,00 cada. Posso, contudo garantir que foi muito barato, para toda a infra-estrutura montada. Havia barraquinhas de pipoca e bolo de milho e coco, barraca de milho, cachorro quente, canjica e mungunzá. Bebida não faltou desde cerveja a refrigerante. Havia também uma barraca para as crianças com pescaria e uma cadeia no meio do pátio. Na cadeia as pessoas eram presas e soltas sob fiança, baratinho, mas segundo a organização todo dinheiro será entregue para uma instituição de caridade. Na alimentação o churrasco foi o ponto alto. Foram preparados um boi inteiro na brasa e quatro porcos, tudo na brasa, estava realmente uma delicia.
Churrasco de Porco

Logo na entrada a primeira impressão foi ótima e a noite não decepcionou, fui realmente para curtir e dançar. Poucas horas antes havia ligado para minha irmã, ela estava indo para Caruaru, tenho que admitir que fiquei com uma pontada de inveja. Inveja boa, mas ainda assim inveja. Após a entrada enfeitada com palhas de coqueiros, ao redor de um pátio de terra batida as barraquinhas. De um lado a estrutura da churrasqueira e ao fundo o palco. No centro um poste de energia concentrava as bandeirinhas que enfeitavam todo lugar. Foi inevitável ser formarem os grupinhos, mas ainda assim conheci pessoas diferentes. Perto do fim da noite foi acesa uma grande fogueira e apesar da fumaça todo mundo gostou. Não faltou nada.

Spíndola e Ana Flávia na Quadrilha

Próximo a meia noite se formou a quadrilha, eu já havia combinado com Ana Flávia e fomos nos dois. A organização da quadrilha, ou melhor, o puxador foi fraco, mas com certeza esse foi o ponto alto da festa. O noivo subiu ao palco e chamou a atenção de todos os convidados da festa. A noiva muito encabulada entrou na brincadeira e também subiu no palco. Lá em cima, no meio dos por menores do padre, o noivo tomou o microfone, pediu licença e disse que tinha algo importante a falar. Agradeceu a presença de todos e a cada palavra a noiva ficava mais branca. Ele disse ter encontrado a mulher da vida dele em Angola e de forma corajosa e original pediu a mão dela em casamento de verdade. Ao saírem as alianças do bolso o levante foi geral, além de uma salva de palmas. Todos os seiscentos convidados ficaram comovidos. Tenho que tirar o chapéu o cara de se garantiu.
Me diverti muito

Durante a quadrilha, que como já disse estava uma confusão danada, tive a oportunidade dançar com a noiva e Ana Flávia com o noivo. Como estávamos lado a lado pude dar os parabéns, disse que havia sido fantástico a forma como ele se saiu. A noiva não resistiu e encheu os olhos de lágrimas. Tive uma sensação boa e um sexto sentido me diz que esse casório vai dar certo.

No meio da quadrilha havia algumas crianças e como estava muito fraquinha a dança, Ana Flávia foi para o meio dançar com a meninada. Eu que fiquei sem par, fui também e esse foi a melhor parte para mim. Diverti-me um bocado e as crianças também parecem ter gostado.
As crianças no centro da quadrilha

Depois foi voltar o bom e velho forro. Passei o resto da noite dançando até o gastar a sola do sapado. Esse por sinal, que era preto, está marrom, e eu nem tive coragem de engraxar ele ontem à noite, mas de hoje não passa.

Estava sem beber por conta de otite, mas isso não diminuiu a minha animação e depois de tomar coca a noite toda fiquei até tonto. Foi para casa na vassoura, termo usado em Recife para dizer que fui um dos últimos a sair. Dormi feliz e saudade dessa noite até que não apertou tanto.

Mais uma vez parabéns a organização da festa e espero que a próxima aconteça logo.
Nahama, Ana Cláudia, Spíndola, Dani e Fred