Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, abril 20, 2007

Albinismo

Em um país de negros chama muita atenção ver pessoas brancas. É engraçado, mas da primeira vez que vim para Angola, nos três primeiros meses, convivia tanto com negros que cheguei a pensar ser um deles.

Há muitas pessoas que acreditam que o albinismo acontece apenas em negros e que é resultado da reprodução entre irmão apenas. Como se pode ver nas fotos, não acontece apenas em negros, e pela pesquisa que realizei não achei referencia a apenas filhos de irmãos consangüíneos. Para falar a verdade não encontrei qualquer indicação sobre filhos de irmãos.
Outro dia, passeando de carro, vi uma figura que realmente chamou a atenção, não por ser albino, mas pela combinação dele. Ele sendo albino tinha os cabelos crespos, mas loiros e estes estavam trançados. O corte era um tipo channel que lembrava muito um playmobil – quem tem mais de 20 anos sabe do que estou falando. Fora tudo isso, ele vestia uma roupa quadriculada de amarelo com vermelho e a calça era verde limão. Estava ainda com uma botina marrom. Ou seja, uma figura.

No Brasil eu não notava muito essas pessoas, talvez por não haver um contraste tão grande com a cor da pelo branca. Todavia aqui em Angola eles chamam muito a atenção. Os casos de Albinismo, pelo que posso perceber observando as ruas, são até bastante freqüentes aqui. Difícil determinar um percentual, mas podem acreditar que é bem comum.

Como qualquer diferença, as pessoas que possuem a doença devem sofrer algum tipo de discriminação, ou pelo menos ser alvo de brincadeiras e apelidos. Isso é realmente muito chato e é o lado mais cruel de qualquer doença que tenha os seus sintomas tão claramente expostos.

A transmissão é apenas genética, por isso nada de ter medo em pegar. O maior problema para as pessoas que possuem esse problema é realmente a sensibilidade à luz do sol, além de problemas na visão.

Em Angola os Albinos não podem dirigir - veja a baixo a matéria retirada de um jornal de Angola.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Albinismo

Anomalia congénita, caracterizada pela ausência total ou parcial do pigmento da pele, dos pêlos e do olho (a melanina).

Conceituação

O albinismo é uma condição de natureza genética em que há um defeito na produção pelo organismo de melanina. Este defeito é a causa de uma ausência parcial ou total da pigmentação dos olhos, pele e pêlos do animal afetado. Também aparecem equivalentes do albinismo nos vegetais, em que faltam alguns compostos corantes, como o caroteno. É uma condição hereditária que aparece com a combinação de genes que são recessivos nos pais.[1]

Os principais tipos de albinismo são os seguintes:

1. Oculocutâneo (completo ou total) - em que todo o corpo é afetado;
2. Ocular - somente os olhos sofrem da despigmentação;
3. Parcial - o organismo produz melanina (ou corantes, se no vegetal) na maior parte do corpo, mas em outras partes isto não ocorre como, por exemplo, nas extremidades superiores.


Albinos não podem conduzir
O Independente
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=10578%3Cb

O Chefe da secção de Segurança de Trânsito e Prevenção Rodoviária da Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT), Eugénio Bernardo “Geny”, confessou que os albinos não podem definitivamente conduzir, segundo a lei.

O responsável policial, socorre-se no artigo 40, alínea f, do nº1 do regulamento do código de estrada que fala das inspecções médias e sanitárias, onde se revela que será reprovado em inspecção normal o examinado quando o médico verificar qualquer circunstância que julgue susceptível de incapacidade para a condução de veículos automóveis.

Eugénio Bernardo, argumentou ainda que independentemente desse juízo médico é causa taxativa de reprovação qualquer das limitações, como é permutações notáveis dos sentidos luminosos e cromáticos. “As cores vermelhas, verde e amarela constituem um problema para os albinos”, disse o responsável policial.

Problemas de saúde como estrabismo, nistagmo, diplopsia ou perda de visão num dos olhos, ausência de visão binocular, redução pronunciada do sentido da profundidade ou campo visual binocular inferiores a um ângulo de 150º no plano horizontal, fazem também com que se restrinja a condução a uma pessoa.

Eugénio Bernardo, definiu o albinismo como sendo uma hipopigmentação congénita, que pode ocorrer em plantas animais, peixes, anfíbios, répteis, pássaros ou ainda em seres humanos. Nestes últimos afecta, particularmente, os olhos, sob a forma de nistagmo e redução da acuidade visual, casando deficiência da visão.

A adianta que os albinos são indivíduos que apresentam nistagmo, estrabismo, fotofobia, perda da percepção de profundidade da visão e pele extremamente sensíveis aos raios solares, facto, este que podem criar perigo na condução automóvel.

Só por isso é que os albinos não se tornam bem identificados nas fotos em documentos. Já para finalizar, Eugénio Bernardo, argumento que os albinos não devem tirar carta de condução. “Os que conduzem são desencartados”, concluiu.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Racismo

Da próxima vez que alguém vier no Brasil falar qualquer asneira que remeta ao racismo ou preconceito, eu vou dar um fora tão grande que no mínimo a pessoa vai ficar constrangida. Essas pessoas com certeza não passaram por situações como as que eu passo todos os dias. Só quem é vítima de racismo sabe o quanto é ruim.

Mesmo antes de vir para Angola já não me considerava uma pessoa racista ou preconceituosa, muito pelo contrário, defendia a igualdade tanto para a cor, raça, região, sexo, idade e qualquer outro tipo de preconceito que existe. Com a experiência que estou tendo aqui, nesse país incrível, com certeza essa minha característica se acentua ainda mais. Refletindo agora acho que tenho um preconceito, sou preconceituoso com pessoas preconceituosas. Digo mais, remetendo a uma frase do meu pai que dizia: “Toda burrice será castigada”, me aproprio dessa frase para dizer, todo racista é burro.

Sou contra os pontos de vista absolutos, mas quando o assunto é preconceito sou absoluto, conforme frase que coloquei acima.

Em Angola sinto o racismo e o preconceito na pele e percebo de uma óptica que sequer imaginava como isso é humilhante, constrangedor e revoltante. Ouve uma situação, que se passou comigo. Em uma feira, um Angolano ficou insistindo para que eu comprasse na barraca dele. Eu educadamente, e sempre tem que ser assim principalmente aqui, disse que depois passava para ver as mercadorias dele. Após rodar toda a feira a última barraca que fui foi justamente a desse rapaz. Chegando lá não me agradei de nada e o rapaz que passou a feira toda me procurando e me chamando de amigo, olhou para mim e com uma cara de desprezo que não consigo descrever, disse: “Pula”.

Pula é a palavra usada pelos Angolanos para descrever o branco estrangeiro que vem para o país. É uma palavra pejorativa que seria o mesmo que chamar uma pessoa negra no Brasil de “negrinho” ou “macaco”. Eu fiquei muito chateado com isso.

Fiquei refletido o que levava uma pessoa a fazer isso. Com certeza ele perdeu o cliente, pois em outra visita à feira eu iria com certeza a barraca dele, agora, nem me pagando. Sem falar no sentido imediato da ação, não pensar que eu poderia voltar e comprar outro dia. Antes que qualquer leitor venha dizer que isso é coisa de Angolano ou uma coisa que aconteceu naquele momento, afirmo que isso não é verdade. É exatamente a mesma coisa que acontece no Brasil todos os dias, me arrisco mais, acontecem no mundo todo, todos os dias.

Outra situação foi de um amigo que foi a um supermercado. Chegando lá um militar Angolano, enquanto meu amigo estava parado no meiu de uma gôndola, olhando um produto, passou dando uma cotovelada nele. Ao olhar para traz, o meu amigo que esperava um pedido de desculpas, viu o militar olhar para ele e pronunciar um desprezível “Branco”.

Essas situações acontecem aqui todos os dias e é preciso estar preparado para isso, pois, apesar da situação ser incômoda, é preciso conviver com isso para se dar bem aqui. Tenho que alertar bem claramente, o racismo e o preconceito em Angola são muito mais fortes em comparação ao Brasil, mesmo quando comparando, no Brasil, o racismo do branco para com o negro..

Nem todo Angolano é preconceituoso, aqueles que convivemos cotidianamente não parecem ser. Mas em sua maioria o Angolano é preconceituoso.

Toda burrice será castigada. Todo racista ou pessoa preconceituosa é BURRA.