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segunda-feira, setembro 22, 2008

Orgulho Negro

 
Crianças Angolanas - Província de Namibe


Há um modo de agir deferente, um olhar vitorioso, a certeza de simplesmente ser e estar feliz com isso. Existe mesmo em cada Angolano que conheço o orgulho de ser NEGRO.

Se em alguns países como África do Sul as pessoas tem problemas por serem negras, aqui isso é motivo de muita satisfação. É difícil explicar porque isso acontece, para mim, que sou uma mistura como todo Brasileiro, entender esse sentimento não pertence a minha essência. Da mesma forma nunca me senti humilhado por ser “branco”.

Perguntei-me: O que é ser negro? Do ponto de vista de um “misturado” como eu, acredito que ser negro é ser persistente. Depois de tantos anos de escravidão, Apartheid, Nazismo, Luther King e outros, a certeza de continuar aqui. Por outro lado, também há perguntas que sempre me ocorrem: Se a África é o berço da civilização, logo os primeiros habitantes, porque os negros não dominam o mundo? O que se vê é que tem muito mais brancos à frente das empresas e dos grandes cargos. Um exemplo disso é a fórmula 1, só agora um negro entrou na categoria. Outro são os governos, a exceção da África, onde mais os negros comandam os governos? Qual país governado por negros é um exemplo de evolução econômica e tecnológica? Essas perguntas eu não sei responder.

A verdade é que todo tipo de racismo é pura besteira, seja contra negros, seja contra nordestinos, mulheres, pobres, ricos, fracos, etc. o que vale mesmo é que somos todos seres humanos.
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domingo, janeiro 21, 2007

Convívio social. Reunião de condomínio.

Ontem tivemos uma reunião de condomínio. Os executivos do grupo pediram para todos comparecerem, um de cada apartamento, pois a votação de um aumento no condomínio estava na pauta. Logo de cara aquele evento estava fadado a muita discussão tendo em vista que se no Brasil seria complicado, aqui então nem se fala.

Digo que aqui seria complicado, pois nesse país a apenas pouco tempo veio o conceito de condomínio. Nos prédios onde não há condomínio cada pessoa cuida do seu bem, tipo, cada um tem seu gerador e sua caixa d’água. O esquema é “cada um por si e deus por todos”.

Logo no início um agravante e mais uma vez constatação do preconceito. Um dos Angolanos reclamou da quantidade Brasileiros e que aquela reunião não tinha legitimidade. Colocou que não havia representatividade e que não daria para discutir daquela forma. O sindico, apesar de Angolano, é uma pessoa sensata e afirmou que essa posição não tinha nada haver, pois éramos todos condôminos, independente de nacionalidade.

No desenrolar da reunião constatamos mais uma posição protecionista. Há de se colocar que o país ainda tem pensamentos socialistas, meio como se fosse um misto em entre capitalismo e socialismo. Em vários pontos da sociedade pode-se verificar isso, como por exemplos, pequenos comércios em Angola só podem ser abertos por Angolanos. Bom, mas o fato é que o condomínio esta com problemas nas contas.

O problema no balanço das contas se dá no fato que a falta da infra-estrutura de Luanda obriga que o condomínio trabalhe quase que 24 h com o gerador ligado. As sub-estações não são suficientes para abastecer essa área da cidade. Já o governo parece estar meio que se lixando para esse fato. Realmente muito complicado, faço um paralelo com o Brasil, na época do apagão. Imaginem aquela situação e o governo dizendo, problema seu, te vira, o negócio aqui é mais ou menos assim.

Por conta dos geradores existe a necessidade de se compra muito óleo diesel para abastecer o gerador. Com isso os gastos aumentam muito e ou compramos o diesel ou ficamos sem energia. Como se isso não bastasse ainda tem o problema da água. O abastecimento de água é semelhante ao de energia. Contudo, diferente do Brasil, não dá para furar um poço, tem que ser apenas com caminhões pipa. Aqui não há os lenços subterrâneos, com isso a situação se agrava.

Com o problema das contas, durante a reunião, ficamos sabendo que o condomínio cobra USD 250 para os estrangeiros e USD 120 para os Angolanos. Fatos esse que faz com que as contas não fechem.

Ainda vai haver muita discussão sobre como vai ficar essa questão do condomínio, mas a cada dia temos mais provas do protecionismo e do racismo. Pensar sobre esse tema e nas duas visões da questão, dá margem para muita reflexão, quem sabe nos próximos post’s.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Racismo

Da próxima vez que alguém vier no Brasil falar qualquer asneira que remeta ao racismo ou preconceito, eu vou dar um fora tão grande que no mínimo a pessoa vai ficar constrangida. Essas pessoas com certeza não passaram por situações como as que eu passo todos os dias. Só quem é vítima de racismo sabe o quanto é ruim.

Mesmo antes de vir para Angola já não me considerava uma pessoa racista ou preconceituosa, muito pelo contrário, defendia a igualdade tanto para a cor, raça, região, sexo, idade e qualquer outro tipo de preconceito que existe. Com a experiência que estou tendo aqui, nesse país incrível, com certeza essa minha característica se acentua ainda mais. Refletindo agora acho que tenho um preconceito, sou preconceituoso com pessoas preconceituosas. Digo mais, remetendo a uma frase do meu pai que dizia: “Toda burrice será castigada”, me aproprio dessa frase para dizer, todo racista é burro.

Sou contra os pontos de vista absolutos, mas quando o assunto é preconceito sou absoluto, conforme frase que coloquei acima.

Em Angola sinto o racismo e o preconceito na pele e percebo de uma óptica que sequer imaginava como isso é humilhante, constrangedor e revoltante. Ouve uma situação, que se passou comigo. Em uma feira, um Angolano ficou insistindo para que eu comprasse na barraca dele. Eu educadamente, e sempre tem que ser assim principalmente aqui, disse que depois passava para ver as mercadorias dele. Após rodar toda a feira a última barraca que fui foi justamente a desse rapaz. Chegando lá não me agradei de nada e o rapaz que passou a feira toda me procurando e me chamando de amigo, olhou para mim e com uma cara de desprezo que não consigo descrever, disse: “Pula”.

Pula é a palavra usada pelos Angolanos para descrever o branco estrangeiro que vem para o país. É uma palavra pejorativa que seria o mesmo que chamar uma pessoa negra no Brasil de “negrinho” ou “macaco”. Eu fiquei muito chateado com isso.

Fiquei refletido o que levava uma pessoa a fazer isso. Com certeza ele perdeu o cliente, pois em outra visita à feira eu iria com certeza a barraca dele, agora, nem me pagando. Sem falar no sentido imediato da ação, não pensar que eu poderia voltar e comprar outro dia. Antes que qualquer leitor venha dizer que isso é coisa de Angolano ou uma coisa que aconteceu naquele momento, afirmo que isso não é verdade. É exatamente a mesma coisa que acontece no Brasil todos os dias, me arrisco mais, acontecem no mundo todo, todos os dias.

Outra situação foi de um amigo que foi a um supermercado. Chegando lá um militar Angolano, enquanto meu amigo estava parado no meiu de uma gôndola, olhando um produto, passou dando uma cotovelada nele. Ao olhar para traz, o meu amigo que esperava um pedido de desculpas, viu o militar olhar para ele e pronunciar um desprezível “Branco”.

Essas situações acontecem aqui todos os dias e é preciso estar preparado para isso, pois, apesar da situação ser incômoda, é preciso conviver com isso para se dar bem aqui. Tenho que alertar bem claramente, o racismo e o preconceito em Angola são muito mais fortes em comparação ao Brasil, mesmo quando comparando, no Brasil, o racismo do branco para com o negro..

Nem todo Angolano é preconceituoso, aqueles que convivemos cotidianamente não parecem ser. Mas em sua maioria o Angolano é preconceituoso.

Toda burrice será castigada. Todo racista ou pessoa preconceituosa é BURRA.