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segunda-feira, abril 16, 2007

Raios, relâmpagos e trovoadas

Têm acontecido com muita freqüência nas últimas semanas chuvas no início da noite até a madrugada. O engraçado é que quando comparado com as chuvas diurnas, as noturnas são bem mais freqüentes. Constatações pluviométricas à parte, o que chama à atenção são mesmo os raio ou relâmpagos, como preferir.

Em Recife, onde moro, vez por outra, mas muito raramente, se vê um raio, já aqui em Luanda é realmente um espetáculo. A noite quando estou voltando para casa, no horizonte, vejo os fachos de luz. É inacreditavelmente bonito e assustador. Fico pensando nas pessoas dos musseques, as favelas daqui, com aquelas casas simples. Mais ainda, há muitas pessoas que morar em cabanas. Como será passar uma noite em um lugar como esse sob uma forte chuva com relâmpagos e o vento que mais parece gritar?

Fora a beleza da tempestade, que em certa horas parece até um espetáculo de luzes sincronizadas, muitos trovões são escutados e por assim dizer sentidos. Alguns são tão fortes e altos que chegam a mexer com as janelas.

Acredito que esse fenômeno é decorrente do local e como é a terra aqui na África. Mesmo sendo assustador, é muito bonito.

Belezas da África...


Raios, Relampagos e Trovões na Wikipédia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Raio_%28meteorologia%29

Um raio ou relâmpago é uma descarga elétrica que se produz entre nuvens de chuva ou entre uma destas nuvens e a terra. A descarga é visível com trajetórias sinuosas e de ramificações irregulares ás vezes com muitos quilômetros de distância, fenômeno conhecido como relâmpago. Ocorre também uma onda sonora chamada trovão.

* A utilização dos termos raio ou gsdgdsde receptores de rádio de alta sensibilidade e de radiotelescópios tal sua magnitude.

Existem três tipos de raios, também menos comumente chamados descargas iônicas:

* Da nuvem para o solo.
* Do solo para a nuvem.
* Entre nuvens.

Afirmam que as descargas entre nuvens e solo representam 20% do total.

quarta-feira, março 28, 2007

Samba ou Rocha?

Essa pergunta é sempre feita, pelos moradores do bairro de Talatona, nos dias após uma noite de chuva. O trânsito é caótico, tem que ter muita paciência, mas nos dias de chuva, garanto que dá vontade de chorar. Para chegar ao centro só há dois caminhos ou pelo bairro do Rocha Pinto ou pelo bairro do Samba.

A via do bairro do samba fica próxima à orla e foi construída escavando alguns morros do local. Quando a chuva é muito intensa essa terra invade a pista chegando algumas vezes a inviabilizar totalmente a passagem, geralmente, entretanto, a passagem só fica lenta. Quando as grandes chuvas ocorrem só utilizando tratores para resolver o problema. Já a via do Rocha Pinto é a principal rota dos Kandogueiros, transporte realizado por vans. As leis de transito em Angola até existem, mas o desrespeito e a incapacidade da policia ao lidar com isso são gritantes. Desta forma, mesmo sem a terra na rua, essa via é sempre complicada e demorada.

Pelas fotos dá para ver o tamanho dos estragos que as águas causam em Luanda. As ruas têm sempre muita terra, o que com a água forma um lamaceiro incrível. Claro que nem sempre a situação é essa, mas vez por outra acontece.

No final do ano passado uma grande chuva ocorreu em Luanda. No dia de maior precipitação sequer conseguimos ir trabalhar, ficamos ilhados em casa. Muitos foram os desabamentos de morros, queda de pontes e destruição de casas. Nessa época morreram mais de 80 pessoas vítimas das tempestades só na capital.

Infelizmente não há galerias de escoamento de água e quando as águas chegam é um deus nos acuda. Mesmo com tudo isso a população sofre com a falta de água potável em casa.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Desfiles carnavalescos em Angola

Fui convidado ontem para ver o desfile de alguns grupos carnavalescos de Angola. O desfile ocorreu na ilha. Apesar de querer sair de casa, o tempo ruim me fez mudar de idéia, oque se mostrou uma decisão correta. Sérgio, que havia me convidado, hoje pela manhã me falou que a chuva foi intensa e que devido a isso ele havia se arrependido de ter ido.


A pergunta que me veio foi: O carnaval foi de Angola para o Brasil ou voltou do Brasil para Angola?


A chuva essa noite foi realmente pesada. Mais uma vez as barreias do Samba caíram e ficamos impedidos de passar para vir para o trabalho. Como resultado duas horas de engarrafamento para chegar ao centro. Fico realmente sensibilizado com a forma como as chuvas castigam essa cidade. Lembro-me de Recife e das vezes que não íamos para o colégio devido ao alagamento da rua na frente da nossa casa.


Abaixo uma reportagem do jornal de Angola sobre a chuva que atrapalhou o desfile.

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Chuva interrompe Carnaval

http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=56916&Seccao=cultura


Entrudo: Desfile central de Luanda será concluído amanhã na Marginal

Independentemente das fortes chuvas que se abateram sobre a capital, os integrantes das equipas carnavalescas não se inibiram, mesmo depois de a comissão organizadora ter suspenso a exibição dos grupos, devido a intensidade das cargas das águas. Mais do que as palavras, as imagens captadas pelos nossos repórteres falam por si. Em suma, pode-se dizer que o Carnaval é mesmo a maior manifestação cultural dos angolanos, durante a qual dá para se esquecer, ainda que momentaneamente, alguns dissabores que sobrecarregam a vida dos cidadãos.


Joaquim Cabanje

O desfile central provincial da edição 2007 do Carnaval, interrompido devido a intensa chuva que se registou ontem à noite na capital, será concluído amanhã às 18 horas com a exibição dos cinco restantes grupos. A informação foi prestada ao Jornal de Angola pelo coordenador da Comissão Provincial de Luanda do Carnaval, Manuel Sebastião.

A fonte acrescentou que, em consequência do adiamento, a publicação dos resultados finais foi remarcada para sábado, ao invés de hoje. Ontem, o desfile começou com o grupo União Kiela do Sambizanga, agremiação que foi homenageada este ano pelo Ministério da Cultura. Acto contínuo, seguiu-se o início do certame aberto pelo União Operário do Rangel.

Este grupo exibiu um carro alegórico, onde os operários mostravam como é fundido o ferro, uma demonstração do nosso operariado. Algumas mulheres, na última fila da equipa, traziam na cabeça quindas com produtos do campo, mormente mandioca e banana.

Os grupos “União 10 de Dezembro” e “União 54”, ambos do município da Maianga, exibiram-se no estilo semba. O primeiro foi um dos que mais chamou a atenção, sobretudo devido à sua canção, cuja referência cingiu-se à protecção da Palanca Negra e dos parques nacionais. A canção esclarece que “bem abençoada a nossa terra. As armas calaram-se e a Palanca está de volta”.

Da Maianga ainda veio o “União 54”. Foi uma verdadeira reprodução do que foi exibido pelo seu confrade, o “União 10 de Dezembro”. O “União 54” apresentou uma canção que faz menção à organização de campanhas de vacinação e de limpeza à cidade. Oriundos da Maianga, os grupos são fortes candidatos a arrecadar o prémio tabelado em USD 30 mil.

O município do Sambizanga fez exibir dois grupos, nomeadamente “União Kazucuta do Sambizanga” e o “União Operário Kabocomeu”. Ambos demonstrarem o estilo kazucuta. Para alguma crítica foi o “União Operário Kabocomeu” que verdadeiramente deu nas vistas, sendo consequentemente um potencial candidato ao galardão que conquistou apenas uma vez, em 1978.

O Kabocomeu prestou, por intermédio da sua canção, uma homenagem aos Palancas Negras e enalteceu o nome de Oliveira Gonçalves, treinador da selecção principal de futebol, Man Torras, Akwá e Zeca Langa.

No seu carro alegórico, o Kabocomeu mostrou um campo de futebol com as suas respectivas balizas e alguns adolescentes a trocarem a bola. Fez ainda referência ao facto de o nome de Angola ter ido longe, devido à sua participação, pela primeira vez, num Campeonato Mundial de Futebol, desta feita realizado na Alemanha. O seu carro alegórico estava ornamentado com as bandeiras da República.

Desfilaram igualmente o grupo “União Café de Angola” e União Comandante Kwenya, ambos do Kilamba Kiaxi, além do “União Sagrada Esperança” do Rangel.

Para amanhã está prevista a exibição dos quatro grupos que, por causa da chuva, estiveram impossibilitados de o fazer. Trata-se do “Unidos do Caxinde” e “União Mundo da Ilha”, da Ingombota, “União jovens da Cacimba” (Maianga) e “União dos Bondosos” do Rangel.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Está chovendo em Angola, então senta e chora!

Ontem caiu a maior chuva desde que eu me encontro em Angola. Para a maioria dos Brasileiros, que já estão aqui a mais tempo, também. A chuva, de pingos grandes e com bastante vento, parecia uma daquelas muitas que temos em Recife perto de junho, quando estamos no meio do inverno. Contudo para Luanda era algo que só pode ser definido como catástrofe.


Para começar quando começa a chover o primeiro reflexo são os engarrafamentos. A cidade para, e para chegar no trabalho demorou duas horas, quando o normal é apenas uma. Em seguida o barro que se espalha por toda cidade. Como muitas ruas não são asfaltadas a lama vira dona da situação. Não há galerias de escoamento da água das chuvas, ou seja, toda água fica empossada esperando evaporar. Como não tem um sistema de coleta de lixo e muito menos de esgoto, fica todo aquele “material” boiando e esperando a água simplesmente ir embora, uma belezura.


Em uma das principais vias de acesso para a zona sul, onde moro, passando pelo bairro do Samba, uma barreira desabou interditando todo transito e concentrando tudo pelo Rocha Pinto. Morph deveria estar embolando de rir, afinal sua máxima prevaleceu, “nada está tão ruim que não possa ficar pior”. O transito para voltar para casa estava ainda mais complicado do que o que encontramos pela manhã. A noite junta-se a água empossada do dia inteiro de chuva, a falta de postes de iluminação, as ruas alagadas, a M... boiando (desculpem a expressão mas é porque é literalmente isso), barreiras caídas, e por ai vai. Fora a barreira algumas pontes e casas desabaram, tudo por conta de uma única chuva.

Qualquer pessoa poderia dizer que isso é o fim do mundo, mas calma lá, o fim do mundo ainda está chegando. Quando a água secar, as ruas que estão cheias de lama vão ficar cheias de poeira, com isso a cidade fica uma pó só. O meu celular durante a chuva não funcionava, o meu não, a rede de telefonia móvel simplesmente não funcionava, ah a telefonia fixa também não funciona. Na volta para casa ontem, ao passar por uma rua que normalmente passamos, a água encobriu o farol do carro. Prejuízo com o carro que ficou todo molhado, afinal entrou água no carro. Fora isso tudo, com a quantidade de água que fica empossada, germinarão um batalhão de mosquitos. Há de se lembrar que o mosquito aqui não transmite uma gripezinha boba, transmite malária. Eita é dessa vez que eu me ferro.

Está montado o cenário do caos, agora é esperar para as próximas chuvas.


Abaixo matéria de hoje do jornal de Angola
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Chuvas causam sete mortos em Luanda

http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=55009&Seccao=geral

César André

As chuvas torrenciais que se abateram sobre a cidade de Luanda no fim da manhã de ontem causaram sete mortos e o desaparecimento de três crianças. As vítimas pereceram na sequência do desabamento de casas ou levadas pelas correntezas das águas.

Estes casos registaram-se nos bairros do Chinguar, nas proximidades da vala de drenagem da Ponte do Cabolombo (Benfica) e na Samba Grande, onde várias famílias ficaram desabrigadas.
António Guimarães, residente nas proximidades da vala de drenagem do Cabo Lombo, disse à reportagem do Jornal de Angola que para além de terem causado a morte de uma criança e o desaparecimento de uma outra, as águas das chuvas levaram para o mar diversos artigos de casas desabadas.

“É um caso muito sério. Mas acontece que não tínhamos outra alternativa senão construir as nossas casas neste terreno próximo do leito da vala de drenagem”, disse visivelmente entristecido António Guimarães.
Marcos Abreu, um dos moradores do Cabo Lombo, sugeriu que é importante que o Governo dê atenção aos moradores que residem nas proximidades da vala do Cabo Lombo, porque o local não é seguro.“Seria bom que o Governo, à semelhança do que tem feito com os moradores da Boavista e não só, evacuasse também esse pessoal que vive ao lado da vala”, disse Marcos Abreu.

Para além das mortes e do desabamento de casas, a circulação rodoviária em diversas ruas de Luanda ficou afectada pela chuva. As enxurradas causaram grandes engarrafamentos, pois tornaram intransitáveis várias vias. Nas imediações do Morro Bento, Samba, as areias invadiram a estrada tornando-a intransitável durante cerca de duas horas. A situação foi resolvida graças à pronta intervenção da administração municipal da Samba, que, em colaboração com a empresa Odebrechet, mobilizou 10 camiões e três moto niveladoras para retirar a areia.

As vias que dão acesso a rua Augusta até ao bairro da Camuxiba, também no município da Samba, também ficaram intransitáveis, causando assim grandes transtornos aos automobilistas que pretendiam evitar a via Morro da Luz, na altura bloqueada devido à invasão da estrada pelas areias.

No troço entre a Avenida 21 de Janeiro e a rotunda do Gamek, no bairro do Rocha Pinto, o tráfego estava de tal forma impedido que para atingirem a Clínica Multiperfil, Morro Bento ou Luanda Sul os automobilistas faziam uma hora.

Além dos danos causados na Samba, Rocha Pinto e outros bairros, informações davam conta de que as chuvas no Kikolo, no município do Cacuaco, bloquearam a estrada entre aquela localidade e o bairro Paraíso, deixando-o isolado.