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quarta-feira, abril 11, 2007

Ócio de uma mente pensante

O tempo para pensar tem sido um dos assunto que sempre comento no blog. Engraçado como no Brasil o tempo nunca sobrava, eu estava sempre correndo e ficava sempre com a impressão que não tinha tempo. Aqui, o tempo não sobra, mas parece que o percebo de forma diferente.

Certa vez, em uma daquelas segundas-feiras bem chatas, um amigo que trabalhava diretamente comigo formulou essa máxima, ele disse:
“Quando a gente está trabalhando o dia em um instante passa... QUE DEMORA DA P.....”

Recebi esses dias esse texto de uma amiga e achei interessante colocar no blog. Reflexões sobre o tempo.


Ócio de uma mente pensante

Afinal o que é ócio? Na escrita do dicionário, a palavra ócio, significa vagar; repouso; lazer; descanso; estado de quem não faz nada; preguiça. Daí surge as seguintes questões: Será que realmente estamos fazendo nada quando estamos no ócio? Nossa mente fica parada no espaço? Em que pensamos?

Nesse intervalo de tempo em que você parou para refletir nas respostas, que poderiam agora, estar no seu ócio. Creio que sim.

A mente humana está sempre em movimento, ou seja, estamos pensando sempre, mesmo que não estejamos presentes no trabalho. Que tanto nos pressiona a não ter tempo para o ócio.

Um dos momentos de descanso no trabalho, as pessoas deveriam entrar numa sala, com uma estrutura agradável, sem papéis, mesas, computadores, ou seja, sem algo que lembre o trabalho, para pensarem, para criarem, para acharem soluções, que normalmente na rotina não lhes sobra tempo. É justamente nesse “descanso mental” que podem surgir grandes idéias, e que também compartilhadas, mostram maior eficiência nas outras pessoas que trabalham.

O ser humano não vive apenas do trabalho, de certo precisamos do mesmo para termos horas de lazer, em que saímos totalmente da agitação de uma organização. No entanto, é o lugar onde passamos maior tempo, em média 8 horas por dias, e quando chegamos em casa, já não há tempo para pensar, criar ou resolver soluções. Será que o tempo que passamos sem fazer nada é perda de tempo?

À medida que vamos nos acostumando com a falta de espaço em nossas vidas para descansar a mente e fazer planos, estamos também nos acomodando com que resta, ou seja, a sobra de um dia tenso e cheio de preocupações, e deixamos de lado coisas simples como cuidar do jardim da casa ou passear com os filhos. Segundo Domenico de Masi, autor dos livros Ócio Criativo e Economia do Ócio: “É necessário aprender que o trabalho não é tudo na vida e que existem outros grandes valores: o estudo para produzir saber; a diversão para produzir alegria; o sexo para produzir prazer; a família para produzir solidariedade, etc.”

O ócio seja ele de que qualidade for, e que seja de preferência criativo, faz com que aprendemos com o que podemos realizar depois que a mente volta de uma parada. Quer dizer que quando gastamos nossas energias no trabalho, esquecemos que precisamos também de energia para o lazer. Não há nada melhor do que ficar na varanda da casa, curtindo uma rede e a brisa, lendo um bom livro. Isso é um ócio que requer pouquíssima energia, ou quase nada, além dos movimentos dos olhos ao ler, e palavras que são absorvidas. Quem sabe em um livro, você procure a solução da sua vida? Ou então tendo idéias produtivas? Por exemplo, um poeta pode muito bem está nessa rede, compondo mentalmente seus versos.

No mundo atual, trabalhamos como antigamente, de forma primitiva, antes mesmo do surgimento da indústria, onde nossas horas de lazer são mais uma compensação pelas horas trabalhadas do que seria na verdade, o lazer em si. Nesse caso, o ócio não significa preguiça, sedentarismo. O ócio criativo significa, então, um exercício de junção entre atividade, lazer e estudo, sugerindo ao ser humano um desenvolvimento holístico sobre a vida.

domingo, fevereiro 25, 2007

Pessoas nas ruas


Pessoas nas ruas de Luanda


Com o fim da guerra e a destruição da infra-estrutura, um processo de industrialização engatinha. Contudo a dificuldade para se qualificar as pessoas, que não estudavam na época da guerra, e mais ainda uma característica de Angola com muitas tribos e uma população vivendo isolada no interior, impede um aproveitamento melhor da mão de obra local.

Chegam-se as seguintes características, crescimento de investimentos acelerado, contudo falta de infra-estrutura e pouca qualificação de mão de obra local. O resultado disso tudo é que nas tuas da capital Luanda, todos os dias, o que mais se vê são pessoas sem fazer absolutamente nada.

Há ainda de se considerar a baixa violência e a dificuldade de se ter em casa luz e água, o que leva, com mais esse motivo, a demonstração explicita do ócio. Chega a dar impaciência ver a quantidade de pessoas que vagam de um lado para o outro, sem rumo, simplesmente por não ter o que fazer. Fora isso todos os dias vejo pessoas dormindo nos lugares mais estranhos. Outro dia vi um rapaz dormindo no que deveria ser um canteiro de cimento onde uma muda de uma árvore se faz presente.

A falta de qualificação leva a situações engraçadas. Há de se colocar que não apenas a falta de educação, mas a falta da cultura do trabalho, trabalho em equipe, foco no resultado e coisas do tipo. Os Chineses importam para Angola mão de obra para cavar buracos. Impressionante não? Tudo bem que no caso dos Chineses há mais coisas para se colocar, mas isso fica para outro post. Contudo mesmo os Brasileiros fazem tem a mesma postura. Conheci uma empresa que contratava o pessoal mais operacional possível do Brasil. Trouxeram para cá trabalhadores da construção civil dos níveis mais baixos. Absolutamente nada contra essas pessoas, mas pensando bem, se a mão de obra local não fosse tão complicada de se trabalhar, não seria necessário trazer esse tipo de mão de obra do Brasil.

Como estarão essas pessoas que ficam nas ruas nos próximos anos?