Situações difíceis – Acidente de trânsito – Parte 2
A independência e a possibilidade de ir e vir a qualquer hora aqui em Angola realmente fica prejudicada. Estamos sujeitos a problemas em qualquer lugar do planeta, mas as conseqüências podem ser diferentes de acordo com o local onde os problemas acontecem. Lidar com cabeça fria e sempre tirar algo positivo, uma lição de toda situação é o mais importante.
Lembro bem quando estava em casa no Brasil e simplesmente me dava na telha ir ao shopping, ou mesmo visitar um amigo. Podia ser a qualquer hora e quase qualquer dia, mas o fato é que a minha independência era algo precioso e que eu gostava muito. Com certeza não me encontro preso, muito pelo contrário, mas a questão é que além de ter que dividir o veículo com outras pessoas, também são poucas as opções de lazer ou de coisas a se fazer. Ficar em casa é o programa mais comum, com um bom livro, as conversar com Sérgio, um filme e meus pensamentos, além disso, é seguro ficar em casa.
A palavra segurança foi colocada de propósito, afinal todo cuidado e pouco na casa dos outros, todavia quando falo casa dos outros me refiro ao país. Semana passada um acidente de transito me deixou temeroso e ainda mais fechado ao meu apartamento. Uma profissional do grupo se envolveu em um acidente com o carro que ela estava a conduzir e que teve como conseqüência a morte de uma criança. Pelo que me foi falado ela não teve culpa sendo um carro que veio a se evadir do local o responsável. Contudo o fato é que com a participação dela o óbito da criança tomou proporções complicadas. A começar pela população local que por instinto já foram para linchar a mulher. Graças a alguns comerciantes esse fato não se concretizou. Ela pegou a criança nos braços e a levou para o hospital. Chegando com a criança já morta, foi presa no local e passou a noite na cadeia de Luanda. Aparentemente foi feito um acordo com a família mediante a pagamento de uma indenização de USD 2.000,00, mas tenho certeza que tanto o trauma para a família como para a profissional são muito maiores que a simples resolução do assunto.
É fato que estamos susceptíveis a problemas em qualquer lugar do mundo, em Angola, contudo há o agravante de ser branco além da possibilidade de ser linchado. Situação difícil essa. Há quem diga que o melhor é fugir do local e deixar o problema para trás. Já escutei casos semelhantes em que o condutor foi morto pela população, mas como ficaria a cabeça da pessoa, e os conceitos que aprendemos de ajudar ao próximo. Complicado lidar com esses conflitos internos e que tem que ser domados em meio à adrenalina e a consciência.
Como lidar com uma situação dessas, longe de casa, sem o apoio da família. Fico imaginando o quão assustada deve ter ficado essa mulher, sozinha, em uma delegacia de um país estranho, ainda mais quando o país tem todas as características peculiares de Angola. A melhor forma de lidar com isso é com certeza evitar que aconteça, logo, ficar em casa. Bom... Adoro meus livros!
